Me Aluga Não!

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Goiânia, Goiás, Brazil
um entretenimento barato. Agite antes de usar. Não jogue fora em vias públicas. Mantenha a cidade limpa. Desculpe pelo transtorno. Os benefícios ficam.

quinta-feira, maio 20, 2021

[EP - Lançamento] "É esse mesmo o mundo que queremos?" - Fredé CF

Clique aqui para ouvir e/ou baixar o EP: https://fredefoak.bandcamp.com/album/esse-mesmo-o-mundo-que-queremos-ep

Olá pessoal, lancei no BandCamp um EP todo captado, gravado e mixado pelo celular aqui em casa (sou um dos ditos “idiotas” pelo genocida) durante a pandemia que nos assola. 

O EP conta com quatro músicas que não foram lançadas oficialmente nos álbuns experimentais anteriores, sendo duas delas já presentes em vídeos e duas inéditas que estavam guardadas e que ficaram de fora do álbum MekHanTropia. 

Enfim, sigo tentando transformar minhas angústias, raivas, medos, sombras, ansiedades e tristezas (agravadas por esses tempos trevosos de merda) em arte. Tem me ajudado muito a colocar pra fora e transformar um pouco das coisas tóxicas que engolimos diariamente nessa era neofascista escrota que estamos aqui no Brasil. Tocar, compor, escrever, gravar, desenhar, fotografar, filmar, tem me ajudado muito a olhar pra mim mesmo e repensar aspectos da existência. Acho que tem sido uma coisa boa em meio a tanta coisa ruim acontecendo.

Me digam aí, se rolar, suas impressões sobre as músicas. Ajuda muito no processo de reflexão e ressignificação. Segue o link para ouvir e baixar o EP: 

https://fredefoak.bandcamp.com/album/esse-mesmo-o-mundo-que-queremos-ep

Saudações! 

Desejo muita saúde pra todas e todos! 




terça-feira, maio 18, 2021

(CONTOS MekHanTrópicos) “O Cão Breu Latino" - de Fredé CF

Valdez ficou por muito tempo completamente imóvel, como uma sinapse gráfica virtual esquecida, porém eternizada por mobgrafias e vídeos surreais. Imortal, porém sem a liberdade de deixar de ser. Imoral, ele não tinha esse poder. Essa foi sua maldição por eras. A maldição de não poder escolher. De não poder ser. De sempre ter que ter pra viver. E provavelmente deve ainda ser assim, por todo o sempre, em suas partes divididas. Suas partes maquínicas e fluidas. Suas partes virtuais, holográficas, atópicas, atemporais, ciberespaciais. Suas partes expostas sempre que alguém revive aqueles mesmos momentos decisivos congelados, comprados e estocados em algum lugar do mekhantrospaço psychotronico neural convolucional. Preso em sua alma mekHanTrópica, sem poder estabelecer novas conexões consigo mesmo, além de seus limites ali encriptados naqueles tempos e espaços restritos, voltando sempre ao início a cada play dado, como Sísifo empurrando a pedra até o cume e caindo. As únicas conexões externas possíveis à essas partes dele é no imaginário de outros, fora dele. Mais estranho que uma ficção que não possa ser teleologicamente narrada, Valdez está documentado clandestinamente para atuar no chip imaginário daqueles que não se comparam. Como um neurônio arcade-visionário que acende os bits em sua individualidade visando o pane exterior neural das redes telemáticas, projetado na aleatoriedade imprevisível da xepa da existência orgânica, resiste. Resiste a tal ponto de reexistir se esquecendo da lógica conjunta inexorável a sua intrínseca cooptação mekHanTrópica. Uma espécie de carcinoma anti-egóico que espalha em si mesmo involuntariamente e produz o próprio declínio de forma inconsciente ou até consciente demais pra pensar a respeito e se enxergar. Geralmente isso acontece quando sonha com animais. Cego demais pra ver que o inferno que teme habita nele mesmo, Valdez vacila na simples compreensão de estar conectado intrínseca e sistematicamente a tudo que lhe é exterior e, principalmente, pelo o que é interior. O mesmo macrocosmo externo existe internamente, isso ele não pode perceber. Como eu, que narro essa história, estou de fora mas pertenço a Valdez e ele a mim. E dentro e fora de mim há coisas que ele nunca terá acesso (mesmo se me acessasse). Assim como Valdez interiormente é parte de mim, eu dele e nós do cosmos e do que houver além. Diversos organismos que compõem um ser maior universal e que, além dele, existem outros seres com seus próprios mecanismos e organismos, de fora do seu universo, de fora do que há de fora do seu universo e assim sucessivamente. De certa forma omitiu (ou não se atentou) ao mesmo movimento no sentido interior dos organismos, talvez como forma de poder ou por pura distração. Como certa vez ouviu que “o ovo pode ser só um meio entre duas galinhas”, ou não. Talvez não seja uma galinha que virá. Valdez entrou em choque com uma coisa tão óbvia: somos um ser maior universal. Um meio e não um fim para outros organismos que dependem de nosso movimento para viver. Uma dança de mão múltipla orquestrada pela vida. Mesmo com apenas 6,66% de carbono ainda em seu corpo, ele leva a vida e cada vida dessas vidas que leva e leva também outras vidas, de maneira infinita, vivendo sua própria vida. O que se vê como desordem, é transição, é movimento. Nem a morte pode parar o movimento. Valdez, inconformado com tal revelação que lhe ocorreu, deixou escapar uma lágrima de nostalgia, ao lembrar da lição de esperança que seu pai Ernesto Ortega lhe disse um dia em sua infância semi-analógica, antes dos fluxos, de que "juntos ascendemos, separados caímos". A partir de então, agora ou nunca, parte das sinapses de Valdez se auto-reconhecem pixels e se tornam, de forma assíncrona, luz. Ascende. Transcende. E enfim vive invisível em meio a sombra. Viveu até que morreu, ou algo assim. Foi de fato apagado parcialmente do sistema de MekHanTropia, pois estava provocando desordens oníricas em demasia tanto nele quanto em toda rede macro e micro cósmica que o envolve e completa. Mas existe uma lenda que parte da parte orgânica dele ainda vive de forma magicka, transcendental. 3,33% de loucura infantil criativa elucidativa. A dívida que prevaleceu. Ação e reação. Se transmutou antes do fim da estrada em sonho, ao ver o efeito antes da causa, virou meio em meio a tanto fim. Se tornou lenda. Se tornou nada. MekHantropomorfização em Cão Breu. Visceral, brutal, com seus olhos flamejantes surge ocasionalmente renegado como falha do sistema pelo próprio sistema que falha em querer não falhar. Porém, de fato, é um índice fantástico, fantasmático, fantasmagórico, sobrenatural, que aponta as falhas do sistema apagando a luz que brilha em seu campo visual. Forçando uma viagem intrapessoal de olhar e integrar as sombras individuais e sociais. Por isso é tão perigoso. Por isso é tão importante. Por isso é tão visto como um mal. Por ser ainda, de alguma forma, animal! (Diários de Quarentena)

(VÍDEO) "Ecos Oníricos" - Fredé CF


“Ecos Oníricos” – Fredé CF

Link: https://www.youtube.com/watch?v=6OR9eB7yTck&t=9s

Intro: (A A7 C7) A A7 G D A

A

Às vezes

A7

Calado e cansado

C7

Enclausurado

F

Sem saber ao certo

                        A A7 C7

Quando a noite vem.

A

Às vezes

A7

Gritando em silêncio

C7                   F          A A7 C7

Preocupado sem ir além

F                                             E

Em busca de paz em meu peito

F

Afogado em lembranças

Em                                          A A7 C7

De um passado que nunca vem.

A

Às vezes

A7

Disposto e cercado

C7

Acalentado

F                                 A A7 C7

Abraços e afagos, meu bem.

A

Às vezes

A7

Respiro e gargalho

C7

Aliviado

F                                 A A7 C7

A vida enfim me faz bem.

F                                 E

Acordo pensando de fato

F

No que de abstrato

E                     A A7 C7

Calado sonhei.

(A A7 C7) A A7 G D A

A         A7

Esboço ideias dispersas

C7                   E                      A

Conectadas pelo que um dia amei.

(A A7 C7)


sábado, maio 08, 2021

Em essência, convolucional




Acordei 

Só mais um 

Diferente de todos

Mas um!

Mais uma existência 

Não mais importante 

Não mais angustiante

Mas uma!

Uma existência que se distingue das demais

Assim como todas

Assim como a sua

Assim como a deles

Neurais

Existências dançantes 

Transitórias nos palcos da vida

Delirantes

Só mais uma

Mas uma!

Embebidas de potências

Diversas em essência 

Dispersas pela peste 

Alienadas pelo sistema 

Que insiste em nos dizer o que é certo

E o que é normal

Que insiste em fomentar nossas distâncias 

Que insiste em padronizar nossos desejos 

Que insiste em aniquilar nossos sonhos 

(E romances)

Que insiste em desprezar nossas mortes

Como se fosse mais uma

Mas uma! Mas várias!

Como se fosse uma “gripezinha”

Que insiste em informar o que é “real”

Verdades absolutas 

Significados limitantes.

Mas ainda vivo

Assim creio

Por sorte 

E amor a vida 

Talvez mais sorte

Mas também amor

que vive

Mesmo na entropia

Na hiper-informação 

Vive tanto que permanece 

mesmo depois que alguém morre 

Vive até em quem não ama ninguém

Pois todo mundo é

Em certa medida

Amor de alguém

Perdido 

Nos desencontros da vida 

hiper-real.



Um país sujo de sangue



Uma bandeira que sempre foi vermelha-sangue.

Na faixa genocida empossada pelos jornais.

Dedos com sangue nas urnas e no WhatsApp.

Sangue que jorra desde a invasão do país

Na escravidão, nas ditaduras e nos dias atuais.

Uma terra coagulada de sangue 

derramado, 

Vermelho, preto, pardo, 

Revolucionário,

Encarnado,

E sempre negado em verde e amarelo por boçais 

que promovem massacres descomunais.

Sangue das florestas, rios, barragens e canaviais.

Favelas, campos, presidios e das minas gerais.

Do cerrado, da caatinga, dos pampas, pântanos e dos currais.

Sangue e lama mancham mãos brancas e macias em mansões neofascistas e igrejas neopentecostais.

Com os crivos de Brasília e os cravos das chuteiras federais.

Do agro-pop só restam tóxicos que não aparecem em comerciais. 

Bancos e empresas milionárias aplaudem a morte em jantares presidenciais.

A máfia horrenda que articula a sorte cotidiana de trabalhadores urbanos e rurais.

A milícia suja que nega a vacina e promove chacina que sangra e mata a esperança cada vez mais. 

 



segunda-feira, março 29, 2021

“Eu hoje chorei minha morte”

 

Eu hoje chorei minha morte
Um instante de tristeza 
Em meio à nostalgia, sem norte
Das desventuras e alegrias que tive prazer em viver.

Eu hoje chorei minha morte
Cego com tanta clareza
Em luto me tranquei num forte
Que um dia imaginei absolutamente conhecer.

Eu hoje chorei minha morte
Senti o agora com destreza
Me vi vivo sem suporte 
Em paz pra enfim não Ser.

Eu hoje chorei minha morte
Deixei ir os sonhos com beleza
Já não morri ainda por sorte
Apegos me impedem de ver.

Eu hoje chorei minha morte.
Nunca Ser certeza.
Estar a fluir na correnteza
A não Ser
Na morte do querer.

Transcender.

Fredé CF (28/03/2021)

Howling at the Wolf Moon 🐺🤘🏽
#luacheia🌕 #skylovers #fullmoon #werewolf #moonlight #banhodelua #moonlightlovers #underthemoonlight #iphonesephoto #noite #domingo #lua #transmutação #skyface #chacra #thirdeyemoon✨ #goodnight

Sociedade da Transparência



“Sociedade da Transparência” 
(viagens de um sábado à tarde) 
Traços narrativos oníricosequenciais do inconsciente. 
#desenholivre #deepdream #experimentações #abstract #art #surrealism #humanomáquina #mekhantropia





 

 

[VÍDEO] “Genocida” - Fredé CF


Título: “Genocida”
Música e vídeo: Fredé CF
Brasil 2021
#ForaBolsonaro

terça-feira, março 23, 2021

[VÍDEO] “O efeito antes da causa (The X-Files Theme)” - Fredé CF




The Black Dog walks at night.

“Uma galinha é apenas um meio para o ovo fazer outro ovo.” (Samuel Butler)

“Quando o planeta ingressou num ambiente criado pelo homem, a natureza deixou de existir.” (Marshall McLuhan)

Videoclipe onírico-filosófico.
Cinegrafia: Leticia Guelfi
Música, desenho e edição: Fredé CF
F.Oak 2021

www.mealuganao.blogspot.com
#mekhantropia
🐺🔥👽




De volta pra si




Por onde esteve?

Todo esse tempo passou...

Sem nunca olhar pra dentro

Um abismo se instalou.


Por onde andou?

Tão distante de si...

Pro que se foi não há remédio 

Será que a vida ainda sorri?


O sangue gelou

Cedeu à noite 

Os joelhos ainda tremem

O tempo escorre em um mundo cada vez mais frio e doente.


Ainda há saídas?

Há alguém aí pra sentir?

Silenciosamente de dentro ressurge 

A dor indica o caminho 

pro cão emergir.


Um cavalo à espreita

Ajuda a superar

Serpentes e insetos

Envenenam onde irá pisar.


Das trevas sempre vem a luz

No escuro, a força pelo raio anuncia 

Daqui pro futuro, no presente

Um novo fim se encaminha.


Pela morte do passado

De volta pra si

Se pode, enfim 

deixar a vida fluir 

Uivando da alma à lua

O agora,

nada mais

Nunca mais.


(Fredé CF - 02/03/2021)


segunda-feira, fevereiro 08, 2021

[IMPRESSÕES] Depoimentos e reflexões sobre o curta “Carta a Valdez” de Fredé CF


Leia abaixo os depoimentos de Adaor Oliveira, Larissa Dias e Roberto Franco sobre a obra “Carta a Valdez” (2020/2021), curta-metragem poético-filosófico onírico, experimental, transmutacional e anti-mekHanTrópico de Fredé CF:

“Uma obra cheia de nuances, de signos, de semióticas, bem ao estilo Charles Sanders Peirce. É um retrato de como foi nosso ano de 2020 e, pelo jeito, 2021 não será muito diferente. Foi um ano em que vivemos na Matrix, em Pandora, na caverna de Platão. A questão psicológica que a obra traz, traduz muito o que houve com as mentes nesse momento recente, algumas sentindo o desconforto de ter que viver em quarentena, outras se deixando seduzir por um líder fascista, que desdenha da vida e tudo que não condiz com sua mente doentia e psicótica. George Orwell mostra isso muito em 1984, como aparece na referência a esse livro. A sociedade autoritária e repressora que Orwell traz, é exatamente a que vivenciamos com esse (des)governo, que chafurda o Brasil em lama. É o Big Brother constante, o olho que tudo vê através das redes sociais, espaço propício para se espalhar notícias falsas, que sustentam o nepotismo que nos governa com seu gabinete do ódio. E a vesícula com suas pedras, algo que traz uma dor imensurável (digo por experiência própria), mostra a dor que a população tem que passar, mas que é a dor da democracia, pois é o voto popular que elegeu o tirano do Palácio do Planalto. Isso mostra o quão necessária é uma educação libertadora, que nos ensine, de fato, a pensar e não apenas a obedecer, bem longe do vigiar e do punir, como bem ilustrou Foucault. Às vezes, dá a impressão que vivemos no universo surreal de Salvador Dalí, também ali presente. Essa é a nossa salvação: a arte. Talvez esse surreal seja mais real que esse mundo de irrealidades sob o qual estamos, um mundo onde a ciência não vale mais nada, onde todos se acham especialistas em assuntos que nunca estudaram. Enfim, que a voz feminina e a voz masculina, como na narração do filme, possam estar sempre juntas na (re)construção da nossa liberdade, andando juntas passo a passo, para empurrar esses bebês de Rosemary de volta aos úteros que os pariram.” (Adaor Oliveira - filósofo e professor/ Campinas-SP) 


 “Amei essa narração feminina, deu uma suavidade ao tema de uma forma incrível, linda voz! Que imagens! Fiquei impressionada que foi tudo feito com o celular! A cena da sombra no espelho d'água, nossas sombras que aparecem; a pedra na vesícula, realmente algo que incomoda, como esse isolamento que incomoda, adoece, nos faz perder a noção de espaço e tempo e precisar urgentemente da arte para nos salvar! E eu pensando nisso e assistindo e daí, aparece um puta Salvador Dalí! Olha aí o salvador! O tempo que acaba virando amigo, inimigo e já não sabemos mais de nada quando um dos nossos limites parece ser retirado. Muito criativo esse curta e o violão sempre ali, mostrando que a música nos leva a outras esferas. Deve ter dado um belo trabalho editar tudo isso! Parabéns, eu adorei!” (Larissa Dias – psicoterapeuta / São Paulo - SP) 


“Acabei de assistir ao curta. Lendário! Maravilhoso! Gostei muito da cadencia narrativa, muito bem amarrado em texto, vídeo e áudio. A escalada da psicodelia e do pensamento caótico e incessante. Muito boa a progressão do primeiro ato de serenidade e perda da realidade até o grande final tenso - que pra mim é toda a segunda metade -, do fervilhar de pensamentos e perda do fio da realidade. Me causou profunda sensação de imersão nos pensamentos. Me diverti! Angustiante e estimulante o retrato audiovisual. Vi na TV e com fone de ouvido, tem hora que dá uma pressão real nos sentidos. A tranquilidade veio como alivio só nos créditos finais, porque na última pausa de locução da voz feminina eu ainda estava naquela de não saber se vinha mais pancada ou não (risos). Gostei da construção, experiência bem sensorial. No instante em que a cabeça vira o abajur é quando começa a descida da montanha-russa do pesadelo. Dali em diante é imersão total. Fala muito além do texto.” (Roberto Franco - linguista e culinarista/ Santos-SP)


"CARTA A VALDEZ" (2020/2021) - Um filme de Fredé CF
Sinopse:
“Quem olha pra fora sonha, quem olha pra dentro desperta”. A frase de CG Jung ecoa no imaginário de Valdez, transcendendo sua realidade ordinária à níveis oníricos de alucinação mekHanTrópica. Suas experiências conscientes e inconscientes são mediadas pelo sistema que introduz imagens e sons em seu imaginário. Conectadas à rede, as identidades estão cada vez mais padronizadas. A institucionalização de uma produtividade e consumo de forma quantificada em prol do mercado, 24 (horas por dia) / 7 (dias por semana), geram angústias. Aqueles que não se enquadram nas normas se deslocam à estranheza, que já não vem apenas de fora, mas sobretudo, de dentro por meio de aspectos psicoemocionais. Seria possível escapar dessa cooptação e se reconectar à Gaia, ao nosso habitat? O surgimento da resistência anti-mekHanTrópica é apresentado em diálogos poéticos congruentes entre Carmen, Valdez e redes neurais atentando contra o sistema que rege MekHanTropia. Como em um sonho hibridizado entre os seres maquínicos, humanos e não-humanos, as sombras (sociais e pessoais) trazem à tona uma jornada fantástica de autoconhecimento por fragmentos dimensionais e espíritos ancestrais que acompanham Valdez, orquestrando fluxos de sonhos elétricos digitais e devaneios caóticos existenciais por meio da tecnologia.
Deixamos de sonhar? Nada mais desafiador do que um imprevisto que nos faz repensar toda a existência. Diante desse tipo de situação, precisamos de força pra nos reinventarmos, de dentro pra fora. Como conciliar os extremos de nossa natureza? Amor x Ódio; Alegria x Tristeza; Sonho x Vigília; Loucura x Lucidez? Qual a natureza da realidade? Qual o peso das ideias, das emoções, das sensações, dos sonhos? Como desvendar os mistérios que nos cercam e que dão gás à arte e à ciência? Temos aqui mais dúvidas que certezas. E afinal, o sonho é também fundamento do sonhador ou o sonhador é fundamento do sonho? Ao sonhar, nos libertamos e esvaziamos a lixeira da nossa existência ou ficamos ainda mais presos ao que, de forma narcísica, achamos que somos? Ficha técnica: Título: “Carta a Valdez” Ano: 2020/2021 Curta-metragem poético-filosófico onírico, experimental, transmutacional e anti-mekHanTrópico. Direção, produção, roteiro, fotografia, som e edição: Fredé CF (a.k.a. Frederico Carvalho Felipe) Narração e apoio: Leticia Guelfi Orientação: profa. Dra. Rosa Berardo (PPGACV - FAV/UFG) Duração: 09’51’’ Obra toda produzida por Fredé CF pelo smartphone no segundo semestre de 2020 em Goiânia, durante a pandemia de COVID-19 e lançada na virada para 2021. F.Oak Criações Artísticas
Goiânia – Goiás - Brasil
Diários de quarentena de Valdez: “‘Ninguém sabe o que o calado quer’...ouvi essa frase no Vão de Almas, em território Calunga, por volta de 2011, bem antes da pandemia. O contexto era outro. Era necessário expressar o que havia em nossa imaginação. Hoje não há mais isso. Não aqui em MekHanTropia. Eles já sabem de tudo previamente e moldam seus produtos com base nesses bancos de dados. Dados extraídos de nossos likes, de nossa alma, de nossos sonhos que voluntariamente entregamos. Talvez ainda não o povo Calunga. Eles não pararam no tempo. Eles pararam ‘o’ tempo! O tempo instituído. O tempo que escraviza. Resistência de fato. Reconexão. Transmutação. Entender que cada um tem seu tempo e que as nuvens estão carregadas de chuvas de dados, sem vida. Ensinamos as máquinas a sonhar e esquecemos como sonha. Terceirizamos nossos sonhos a redes neurais convolucionais. Sinapses elétricas. Eletrônicas. Será que as máquinas serão bondosas conosco ou será que, como o Monstro de Frankenstein, se voltarão contra o criador pela falta de amor e excesso de uma visão sistêmica mercadológica em prol do lucro e produtividade sobre todas as coisas?
Enquanto isso, eu, Francisco Valdez, sonho na resistência e tento organizar meus pensamentos codificando-os audiovisualmente para tentar me conhecer melhor, em essência.”
F.Oak 2020/2021.

quarta-feira, fevereiro 03, 2021

Penas de Morte



A pena 
Que escreve e traduz 
À luz de velas 
Apenas 
A leveza 
Da piedade 
De quem lamenta seus pesares 
Aquele que pena ao condenar 
A tormenta 
Sob a pena 
De não poder ter 
A liberdade de errar 
Aprisiona e se atormenta 
Sem saber se vale 
Mesmo a pena 
Insistir apenas 
Na penalidade de não voar 
Quem sabe hoje 
A maior pena pese não na folha 
Tinta ou mão 
Ou na alma 
Que teima em penar 
Talvez no escuro 
A duras penas da ilusão
Da tela insossa, pequena 
Que não desgasta 
Mas com desgosto 
Aliena e sangra mais 
Meu coração 
Deixa de pulsar 
Não com pena 
Mais compaixão
(A)pesar.

(Texto e imagem: Fredé CF - 02.02.21)

segunda-feira, janeiro 25, 2021

[ANÁLISE] “Um canto dissonante que nos conecta mesmo estando tão distante” - por Raquel Alves (Comunicadora)

 

Uma análise do álbum “MekHanTropia”, de Fredé CF

Pôster do álbum MekHanTropia. Arte de Edgar Franco, o Ciberpajé
(CLIQUE AQUI PARA OUVIR A VERSÃO DIGITAL DO ÁLBUM)


É com muito prazer que apresento minha análise sobre o álbum “MekHanTropia” e também as faixas, uma a uma. A análise me ajudou bastante a desenvolver meu próprio processo criativo (lembrei das aulas de fotografia que tive com o Fredé CF na faculdade). Tenho escutado bastante e confesso estar viciada na faixa 09. Música tem esse poder, né?! De descrever nossos sentimentos por meio dos mais poéticos versos. Me identifiquei bastante. Segue abaixo a minha análise do álbum e das faixas mediante minha compreensão e entendimento.

 

O álbum "MekHanTropia" foi lançado pelo selo TBonTB.
Adquira a sua cópia física em CD em: https://www.twobeers.com.br/
(clique na imagem)

ANÁLISE DO ALBÚM: De volta a 2020, quando o mundo parou para nos apresentar um novo modo de viver, provocado pela pandemia causada pelo vírus COVID-19, eis que entre isolamentos, lockdowns, máscaras e mortes, Fredé CF veio nos proporcionar com sua obra MEKHANTROPIA, um momento de respiro. O álbum que mistura psicodelia, rock, arte e uma altíssima dose de sensibilidade vem ser a nossa voz nesse momento tão singular em nossas vidas. Fredé soube muito bem cantar em versos nossas emoções e a forma como temos que lidar com a situação caótica causada pela pandemia. Nossa inércia mediante o sistema, nossas súplicas por dias melhores. MekHanTropia é uma deliciosa viagem musical que nos traz um olhar para dentro de nós mesmos. Um verdadeiro antídoto para nossos ouvidos. Super recomendo!

FAIXA 1- A faixa 1 que dá nome ao álbum nos apresenta em seus acordes batidas de um coração ritmado, onde se houve sons com solo de violão entoando vozes ao fundo que se confundem com sonhos perturbadores, desesperados, sufocantes, traduzindo em belos versos o real significado da palavra MEKHANTROPIA.

FAIXA 2- Com o início melancólico e que ao mesmo tempo nos remete a uma obra de ficção, a faixa o MESSIAS DE ROSEMARY é uma opinião explícita ao nosso sistema. A risada debochada ao fundo retrata a situação de descaso do governo com seu povo mediante o momento e a cegueira de muitos, que acreditam em propostas e discursos mirabolantes, vaidosos e equivocados.

FAIXA 3- Sabe aquela música gostosa de se ouvir com barulho de trovoadas? Não anunciando um tempo nublado, obscuro, mas, para nós, soa como alerta de o quanto estamos estagnados em meio ao mundo virtual e o quanto perdemos tempo com isso, esquecendo um pouco de viver a realidade e dar ela um novo sentido. Assim é KNOW YOUR SHADOW, a terceira faixa deste álbum. Nesta música a voz marcante e sensível de Fredé, juntamente com uma combinação perfeita dos instrumentos, nos apresenta um resultado sonoro fantástico.

FAIXA 4- O ritmo do maracatu dá sentido a algo tão atual. Somos colocados frente a frente com a realidade e a compulsão pelas redes sociais, onde não temos mais tempo para olhar para nós mesmos. Não temos tempo para olhar para o outro, apenas ficamos imersos nessa vida cibernética, e assim passam-se os dias, os meses, os anos e que talvez POR MEDO OU POR PREGUIÇA, e, por que não dizer, por pura vaidade em busca de likes e curtidas, deixamos de sonhar.


FAIXA 5- Melancólica, leve e tão perto de nós. A faixa 05 (SOBRE O MEDO) é uma resposta aos nossos medos, anseios e angústias provocados por situações cotidianas e a necessidade de se libertar do sistema e da mesmice.

FAIXA 6- Com participação do artista transmídia Edgar Franco (Ciberpajé), a faixa 06 deste álbum nos traz diversas perguntas à espera de nossas respostas. A SOMBRA nos indaga sobre as respostas para nossas angústias, medos e frustrações. Ao mesmo tempo que indaga, nos responde: "O poder de um coração impetuoso e solidário faz até as pedras flutuarem, as noites iluminarem-se, todas as doenças findarem-se, os venenos dissiparam-se e as dores extinguirem-se" (Ciberpajé). Quer resposta melhor do que essa? Poesia pura em contestação com nossos sentimentos. Um show de sensibilidade!!!

FAIXA 7- TENTANDO EXPLICAR O ÓBVIO aparece como uma crítica ao sistema e sua forma desordenada de banalizar a vida.

FAIXA 8- AO AMANHECER é uma música de esperança. Dias melhores sempre virão. A possibilidade de  novas oportunidades onde todos os seres podem através do seu cotidiano apreciar e acreditar nas surpresas de um novo dia.

FAIXA 9- Ahh, essa música! Minha faixa preferida do álbum, OM SHANTI BLUES nos apresenta uma outra combinação instrumental maravilhosa de instrumentos mágicos, violão e vozes onde, de forma poética, Fredé traduziu tão bem os nossos instintos e sensações mais profundas. Destaque para a última estrofe: "Direciono esse canto dissonante / Ao que conecto mesmo estando tão distante / A quem converso de momentos variantes / Extasiantes. Delirantes. Alucinantes". O verso que mais gosto do álbum. Um raio certeiro na manifestação de nossos sentimentos!

FAIXA 10- A faixa 10 de nome NA ENCRUZILHADA, vem de encontro com as decisões que a vida nos apresenta. O poder de escolha sempre nos implica uma perda. De que forma lidamos com essas escolhas? Na verdade, vivemos constantemente nessa encruzilhada de caminhos, certos ou incertos e  esse movimento é incessante, diário e necessário para deixar fluir a forma como vamos lidar com essas escolhas.  

Eu e meu esposo amamos o álbum que ainda conta com músicas ocultas após a última faixa. Uma bela surpresa! Uma mistura de psicodelia, poesia e arte com uma grande dose de sensibilidade. Pude perceber em toda a obra influências de Belchior, Geraldo Vandré e Titãs. Um trabalho fantástico! Mais uma vez, parabéns!! Poesia pura!

Texto e análise de Raquel Alves - Comunicadora


 

segunda-feira, novembro 23, 2020

[RESENHA] Impressões sobre o álbum MekHanTropia de Fredé CF (por Larissa Dias)

A educadora e psicoterapeuta paulistana Larissa Dias, adquiriu o álbum físico MekHanTropia de Fredé CF na loja virtual do selo Two Beers or not Two Beers Records (https://www.twobeers.com.br/pd-7b9df7-frede-cf-mekhantropia-2020.html?ct=&p=1&s=7) e nos escreveu sobre suas impressões ao imergir na audição da obra. Confira abaixo o relato:

Álbum MekHanTropia, de Fredé CF

"Obra muito provocativa.
Ali estão tantos temas contemporâneos, com a urgência de uma necessária crítica, talvez numa tentativa de salvar a nossa alma de nós mesmos, da dormência com a qual atuamos no mundo de hoje, tenebroso por nossa culpa.
A música 3 (Know your Shadow) tem uma certa suavidade, mas pega nas feridas atuais. Gostei muito da voz e violão. As sombras estavam bem doces ali, como as sombras atuam mesmo na nossa vida, suaves, sem percebermos…
A faixa 4 (Por medo ou por Preguiça), que traz a frase “deixamos de sonhar” repetidas vezes, mostra mesmo que o imediatismo que nos encontramos é parte pela falta do sonho, esse que é o combustível de uma alma farta!
Gostei muito da faixa 5 (Sobre o Medo), violão acalentador e voz cadenciada.

Na faixa 8 (Ao Amanhecer), o violão é maravilhoso, suave, que nos faz pensar na letra dura, uma espécie de viagem do “acorda!!!!”.
O fim da faixa 9 (Om Shanti Blues) me trouxe muito a impressão do sono no qual a humanidade está emergida, isenta das suas verdades internas, da verdade do mundo, ou de qualquer verdade que venha incomodar o véu brilhante da deusa da ilusão.
 
De forma geral achei muito interessante e diferente a proposta porque sai daquilo que a música comum representa, sai do óbvio e entra numa esfera mais "pensante". E porque não usar a arte para isso, não é mesmo? Uma vez que a arte é o melhor veículo para transformar a nossa vida, principalmente nessas épocas intensas e complicadas.

Parabéns, e que venham mais projetos assim, que ajudem a sociedade a pensar sobre si mesma e sobre o seu papel ao passar por esse mundo."

Larissa Dias - Psicoterapeuta (São Paulo, SP)

Para ouvir o álbum gratuitamente pela internet, acesse: https://fredefoak.bandcamp.com/album/mekhantropia


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Máscara MekHanTropia

Confira abaixo também (ou pelo link: https://mealuganao.blogspot.com/2020/09/leia-opinioes-de-artistas-educadores-e.html?m=1) outros incríveis comentários e impressões de pessoas de diversas áreas que entraram em contato virtualmente (https://fredefoak.bandcamp.com/album/mekhantropia) com o álbum MekHanTropia e trouxeram relatos sobre a experiência: 

- “Imersos na tormenta de 2020, sentimos um peso nas costas ainda maior por vivermos no Brasil. Atônitos, não sabemos qual crise é a mais devastadora: sanitária, política ou de Fake News. É no desconforto deste caos que as suas músicas aparecem como um bálsamo, um ativo xamânico, que joga luz artística sobre a realidade lúgubre, a dança das caveiras à qual assistimos. A tristeza, a melancolia, o rancor, a frustração, a raiva; em última instância, a desumanização de nossos dias pode ser suavizada pela arte. Nisso reside o princípio libertador e também libertário deste disco. No percurso narrativo proposto vislumbramos uma possível saída, uma esperança lúcida, sóbria. A revolução que nos espera de dentro pra fora, transmutação, elevação da consciência, sem perder de vista a sombra que habita todos nós, demasiado humanos. Escuta incontornável para digerir estes tempos. Só elogios para o projeto! Parabéns a todos os envolvidos. Recomendo fortemente.” (Leticia Guelfi historiadora/professora)

 “Parabéns pelo belo trabalho!!! Fantástico!! Catarse!” (Rosa Berardo - professora/artista/cineasta/fotógrafa/pesquisadora)

- “Grande honra participar desse álbum incrível colaborando com a arte de capa, projeto gráfico e também em algumas canções! O conceito e a poesia envolvidos nas músicas do trovador transumano Fredé CF, com seu violão atômico e sua verve iconoclasta, são de grande impacto e dialogam profundamente com o colapso em que vivemos. Poesia de grande força para esse momento trágico e reflexivo!” (Edgar “Ciberpajé” Franco -  artista multimídia/professor/pesquisador)

- “Fredé Carvalho entra de forma profunda no contexto atual, a conjuntura, a necropolítica, na exacerbação da ignorância, em tudo que é pseudo. Não é fácil acompanhar suas verdades dolorosas. O álbum é real. Desprovida de qualquer ilusão ou ambição. Arte pela arte, pela expressão daquilo que você já não segura mais. A revolta contra o que nos enfiamos. Contra a caretice, a falta de empatia, o mundo moderno, o capitalismo tosco, o governo de merda que conjuga tudo isso. As canções são despidas, transparentes. Não há espaço para a hipocrisia. É paulada envolta em um som cru e  experimental. Acho incrível que ele tenha feito isso. Teve que aprender muita coisa para construir essa gravação. Movido pela indignação com a realidade atual do mundo e do país, Fredé mete o dedo na ferida. O dedo inteiro, com as unhas compridas, sujas, para infeccionar mesmo. Para apodrecer esse corpo moribundo e causar renovação. Buscando um novo ciclo, sempre. É algo romântico. Algo que precisamos todos, esperança em tempos vindouros. No século 21, padecemos disso. Mas o Fredé tá lá! Mantendo a cabeça erguida pra fora da latrina em que vivemos, engolindo merda como na descrição do inferno de Dante. Poucos tiveram sua coragem para produzir arte de forma tão dura e crua contra o sistema em que estamos inseridos.” (Leandro Torreal  - funcionário público/músico)

-  “Ficou fera demais! A melodia, os efeitos tridimensionais da esteorofonia, as vozes, a medonha arte... tudo!” (Cláudio Dutra - artista visual/pesquisador)

“Trabalho visceral, complexo e ao mesmo tempo direto, na cara. Uma análise fria e realista desses tempos sombrios, tanto politicamente quanto eticamente: da hipocrisia da "gripezinha" a tal banalização da vida humana. Um soco na cara dessa sociedade cada vez mais dependente de likes cibernéticos, mas que esquece até mesmo de seus entes queridos. Um complexo de relações e referências musicais, cinematográficas, literárias. E em meio a todo esse caos artístico, uma mensagem mais que necessária: só a arte para nos salvar desse mundo perverso! Parabéns por essa obra tão intrigante e reflexiva, Fredé CF!" (Evandro Galo Galo – filósofo/professor/músico)

"As faixas trazem sons que vão da leveza à profundidade do abismo, com palavras tão atuais, tão reflexivas, que é impossível ficar alheio ao que o mundo que vivemos hoje. Como sempre, a arte servindo de conexão com o real, com o nosso planeta interno e externo, com as reflexões necessárias e na dose certa. A capa traz uma mistura de sensações, o que o ser humano foi e onde pode chegar, num futuro nebuloso, obscuro, fruto do egocentrismo e da não-conexão com a natureza. O Messias de Rosemary: atualmente temos um Messias que (des)governa o Brasil, a própria representação do mal, do que há de pior na raça humana, que nos colocou num inferno sem fim. E foi parido por uma verdadeira Rosemary, igual a do filme do Polanski, que dá à luz uma criatura que ela nem tem noção do que seja, confiando apenas no que diz o marido, que vendeu a alma. E quantos brasileiros hoje não estão assim, acreditam no que os outros dizem, confiam fielmente em notícias falsas e ajudam a parir monstros. Em A Sombra, vemos o bater do coração, o tic tac do relógio e a pegada flamenca num mesmo compasso, mostrando que as sombras do nosso eu interior, das densas florestas que habitam em nós, são nós a serem desatados, o que nos levará à empatia da solidariedade, que fazem cegos verem, aleijados andarem, surdos ouvirem e mudos falarem, não como Jesus fazendo milagres, mas como o ser humano que segue seu curso rumo ao outro, ao altruísmo. Na faixa Om Shanti Blues, os questionamentos sobre vida, morte, existência, sangue, lembram a maiêutica socrática, a certeza de que não existem certezas. E, no final das contas, sempre é o amor que transforma e nos torna humanos, que mostra quem realmente somos.” (Adaor Oliveira - Filósofo/professor/pesquisador)

- “Áudio muito bem gravado e excelente nos fones. Crítica necessária ao ser humano. Poética como fator preponderante! Arte!” (Gazy Andraus - professor/ artista/pesquisador)

- “Isso que eu chamo de um SmartAlbum! Mandou ver, Fredé!” (Henrique Ramos músico/comunicador)

“É muito massa o projeto, mano! Visceral, autêntico, desesperador e aliviante ao mesmo tempo.” (João Luiz “Panter” Fracon – sociólogo/funcionário público)

 - “Daquele menino alegre e que zoava sempre o avô Afrânio quando ia a Paracatu, eu só podia esperar esse artista, quase doutor, que dia a dia nos surpreende cada vez mais. Não sou muito entendido nesse tipo de música, mas causou-me uma ótima impressão. Vá em frente! Abraço.” (Adriles Ulhoa Filho – escritor)

 “Arte de trincheira!” (Julio Van - professor/ artista/pesquisador)

- “Gostei bastante do trabalho! Diversas referências de música (Joy Division, Blixa Bargeld, etc) e cinema (Sganzerla, Polanski, Mojica, etc) pulsantes na obra! Há questões interessantes relacionadas à um tom soturno que me remete muito à uma certa desesperança frente à realidade que nos cerca. Narrativa de caos! Me agrada muito tudo isso e tem tudo a ver com o momento que vivemos no Brasil e no Mundo. Esse trabalho tem uma pegada industrial mesclada com folk rock. Me agradam muito os ruídos, samplers, falas de filmes, sons do mundo, etc. As canções são muito legais. Funcionam muito. Gosto muito da voz quando não está inteligível...Muito foda! Parabéns pelo trabalho! Gosto muito dos momentos quando a música está indo pra um lado e de repente quebra tudo, no sentido de você esperar uma coisa e aí vem um som ou uma pausa e a música vai pra outro lado. Isso ficou muito legal!!! Curtindo muito o trabalho! Massa demais! Me deixei levar pela sinceridade...entro na onda...sou do submundo...e você também é! Grande obra. Você é PHODA! Admiro!” (Marcelo Faria - Cineasta/professor)

- “A experiência com os fones de ouvido muda tudo... muitas vozes, muitos sons e as palavras malditas e bem ditas. Arrasou, Fred! Você fotografou em imagens sonoras esses tempos sombrios.” (Cida Mendes - artista/atriz)

"É uma experiência esse disco. Um bom material pra sentar e ouvir de boa. Totalmente viciante. Valeu a pena ter conhecido. Fãs de psicodélicos ficarão loucos com isso aqui. Doideira total! Bem na veia da galera que fica procurando por algo psicodélico diferente." (João Carlos Gomes - Motim Underground/Músico)

- “Eu tenho sorte pra caralho! Este álbum foda aqui é parte do trabalho de doutoramento do meu professor de fotografia na Facul, o Fredé CF. Tudo feito em sua casa e apenas com seu aparelho de telefone como máquina de captação, edição e armazenamento. Ouçam! Deliciem-se!” (Mauricio De Lavenère Bastos - Músico/comunicador)

- “Que demais!! Que mais que demais!!! Acabei de conferir o álbum. Que honra ter a oportunidade de ouvir tudo isso. Que trabalho lindo e peculiar. Parabéns a equipe!” (Carla Fernandes - Arquiteta)

- “Extraordinária visão do cotidiano, um tapa na cara dos dormentes, dos dementes, dos que realmente empurram com a barriga. Parabéns pela iniciativa, por manter a arte viva enquanto a morte grita lá fora, jamais poderemos deixar essa chama se findar, esse fogo fátuo, essa centelha primordial irá ecoar, viva, pulsante, transformadora.” (Wellington R. Cavalcanti - Comunicador)

- “Necessário degustar muito! Nota 1000! Aprecie sem moderação!” (Manoel Carlos Pires - músico)

- “Escutei um eco de entropia ali no seu conceito também. Talvez seja um caminho pra pensar a máquina também como programa, a partir de Flusser, já que ele também convoca essa noção, dizendo que um aparelho opera contra a tendência universal à entropia.” (Marcelo Ribeiro - professor/pesquisador)

- "Parabéns, Frederico. Vi sua mãe barriguda de você na faculdade. Muito ruído era provocado naquele tempo... Agora vejo essa obra sua .. é a continuidade tão necessária da vida." (Antônio Teles - médico/educador)

- “Difícil ficar indiferente a esta coleção de sons e sentimentos; o talentoso Fredé (que eu teimo em chamar de Felipe) mostra que nossas concepções estéticas precisam de um ‘upgrade’. É irônico usar a tecnologia para criticá-la. Um álbum feito utilizando um celular como gravador e com os sons captados pelo fone de ouvido do dispositivo, demonstra como o que nos limita e fascina por intermédio de seus infinitos devices pode ser transmutado em concepção libertadora: saída da Matrix MekHanTrópica detectada pelo artista transmídia Fredé CF. Cada verso das músicas contidas neste álbum nos remetem a reflexões profundas, espelhando as vivências do ‘novo normal’ experienciadas por todos durante o Brave New World da Covid 19: “Não dar ao medo o poder. Ele é só um mensageiro” (Na Encruzilhada). Dialoga com a concepção de Pai, Filho e Espírito Santo com a triangulação esquematizada em sua obra: 1 – Trevas; 2 – Reconhecimento da Ignorância; 3 – Redenção. Um budismo pós-humano ao alcance de homens, máquinas e animais transmutados. A redenção humana, ou o seu tormento eterno, está diretamente ligada ao que faremos da nossa própria sombra. Fredé como um bardo medieval tripudia e ri de nossa desesperança, ao mesmo tempo que nos faz chorar...Reflexões interessantes... material para ser apreciado com calma.” (Luiz Jr - músico/professor/pesquisador)

- “Potente!” (Carla de Abreu - Professora/Artista/pesquisadora)


Bela resenha de Roberto Franco, estabelecendo relações entre o álbum e a atual conjuntura, intitulada "Não há outro caminho além da Resistência": https://mealuganao.blogspot.com/2020/09/resenha-mekhantropia-nao-ha-outro.html?m=1