Me Aluga Não!

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Goiânia, Goiás, Brazil
um entretenimento barato. Agite antes de usar. Não jogue fora em vias públicas. Mantenha a cidade limpa. Desculpe pelo transtorno. Os benefícios ficam.

quarta-feira, agosto 01, 2018

Como se fosse loucura



Talvez,
em alguma realidade paralela
ou outra dimensão
não exatamente como a nossa,
alguém
imagine o nosso mundo
e conte para outros seres
como se fosse loucura.
Talvez.

Talvez,
Assim como os átomos, células e órgãos de nosso corpo
Sejamos também
microcosmos de um organismo maior.
Células adormecidas, ativas
adoecidas ou sadias
que derrubam, erguem, proliferam e transportam.
A vida louca no trânsito, nos shoppings ou nos aeroportos.
A vida louca nas veias, no cérebro, nos mitocôndrias.
como se fosse loucura.
Talvez.

Talvez,
O universo seja um ser em outra dimensão.
O universo seja alguém com uma diferente percepção.
A realidade para o universo seja diferente da nossa enquanto ser.
Assim como somos antes de nascer.
Assim como somos quando nossa mãe é o ar.
Assim como o espermatozoide percebe o ovulo a fecundar.
Assim como o vírus nas veias a matar.
Assim como o câncer no corpo a se alastrar.
Assim como eu e vocês, o planeta machucar.
Assim, 
como se fosse loucura.
Talvez.

terça-feira, julho 10, 2018

Twin Peaks e a viagem pelos tempos e espaços do nosso próprio imaginário.


Assim como existem profetas que ditam que a música em formato físico e compilada em álbuns está morta, há quem diga que o cinema está com os dias contados e que as novas plataformas midiáticas irão tomar conta dos meios de produção audiovisuais. Porém, na contramão destes seres apocalípticos midiáticos, o fato é que os meios artísticos, expressivos, narrativos e comunicacionais não necessariamente se extinguem ou se anulam devido a novas descobertas e avanços tecnológicos, ao contrário, transformam-se, se adequando ao contexto social que se encontram.
Desta forma, as linguagens se misturam, se hibridizam, o que possibilita novas possibilidades de leitura e interação entre a emissão da mensagem e sua recepção. A pintura não viu seu fim com o surgimento da fotografia, assim como o teatro não acabou com o advento do cinema, e, atualmente, temos diversas linguagens permeando e comunicando entre si por diversos meios. O computador é um desses meios, uma “metamídia” que aglutina e mistura digitalmente diferentes linguagens, tendo hoje como aliada a rede internet, que nos possibilita algumas facilidades em relação ao acesso e contato com obras audiovisuais de diversas partes do mundo e de diferentes épocas em segundos.
As representações artísticas e midiáticas executadas por meio de máquinas e softwares buscam, geralmente, operar com a ilusão sobre os nossos sentidos. Seja um filme, um game, ou uma série, tais fenômenos agem, de forma geral, no sentido de provocar nossa imaginação, gerando uma sensibilidade aparente que nada mais é que uma peça pregada em nós mesmos. Nessa relação, atuamos como uma espécie de re-decodificador de informações digitais abstratas provocadas por meio da tecnologia e aguçadas em nossa mente por meio da imaginação.
Inúmeros filmes, videoclipes, pinturas, personagens, histórias em quadrinhos, entre outros meios de expressão e linguagem artística, por constituírem-se como uma forma de representação e refletirem assim o contexto em que estão localizados, trazem consigo diferentes visões de mundo, preocupações sociais e orientações ideológicas. Tais obras perduram como “recortes” e testemunhas históricas do seu tempo e podem ser analisadas com a finalidade de descortinar informações muitas vezes ocultas em documentos oficiais.
Neste sentido, as tecnologias nos servem, enquanto espectadores de histórias, para ampliar nossa imaginação, buscando novas possibilidades de comunicação entre diferentes contextos e linguagens. A Netflix, conhecida plataforma on-line de filmes e séries, em parceria com o canal de TV norte-americano Showtime, nos apresentou, desde 2017, a possibilidade de contato com essa relação entre contextos diferentes com a continuação de uma obra-prima que supostamente havia se encerrado há cerca de 25 anos: Twin Peaks, do diretor David Lynch, que entre outros trabalhos, assinou Veludo Azul, A Cidade dos Sonhos, Eraserhead e A Estrada Perdida.
Twin Peaks foi uma série de sucesso no início da década de 1990, e que agora volta, em 2017, com os mesmos atores de mais de duas décadas atrás, dando prosseguimento – fato previsto na segunda temporada, quando a personagem Laura Palmer diz ao agente Dale Cooper: “Te vejo em 25 anos” – a história da investigação de um assassinato em uma pequena cidade norte-americana e suas peculiaridades com personagens estranhos e excêntricos, além de uma trama que alterna momentos de suspense, drama, policial, comédia, terror e surrealismo, destoando de produções narrativas teleológicas padrões, com início, meio e fim.
A obra aborda, por meio da representação, nossa sociedade idiotizada, alicerceada pelos pilares da grana, do status e do poder e, por outro lado, propõe níveis filosóficos de abstração do pensamento e da matéria, elevando a reflexão a aspectos metafísicos e metalinguísticos com o próprio universo precedente da narrativa e com o audiovisual e a cultura pop, de forma geral, atingindo questões sobre o que somos e qual a nossa importância no planeta por meio de nossas ações.
Além da série, o universo ficcional de Twin Peaks também se imbrica no longa-metragem intitulado Twin Peaks: os últimos dias de Laura Palmer, de 1992, o que provoca uma expansão da obra e pode se enquadrar em uma relação transmidiática no que tange à narrativa original das duas primeiras temporadas da série televisiva e, agora, da terceira temporada, também chamada de Twin Peaks: The Return.
Nesta última temporada, ao vislumbrar o futuro pelo passado (em 1991, quando a segunda temporada da série acaba) e retomando esse passado em uma nova configuração no futuro em relação àquele contexto anterior (ou seja, o agora), o diretor reflete sobre a sociedade atual e os caminhos que trilhamos desde então com nossos valores culturais ocidentais expostos em uma viagem estética e narrativa surrealista por diferentes dimensões que nos deixa atônitos e extasiados.
Um fato interessante é a maneira como o diretor lida com os cenários, alguns revisitados das outras produções de Twin Peaks e outros novos e exclusivos desta nova produção, trazendo assim uma ideia de contraste entre o conforto do espectador habitual em saber onde está localizado e a angústia/surpresa decorrente da exploração de novos ambientes. Destaque aqui ao pub The Roadhouse, o qual abriga apresentações de diversos músicos como a banda Nine Inch Nails, Eddie Vedder, entre outros, e estabelece fechamentos geniais para cada episódio da temporada.
A arte audiovisual proposta aqui se mostra arrebatadora na expansão de nossa imaginação e traduz bem o estilo de Lynch, que o consagrou e o marcou. As inúmeras transformações pelas quais passamos cotidianamente vêm à tona assistindo ao seriado. O vazio existencial que eventualmente pode consumir nossas verdades e as formas que lidamos com essas verdades absolutas estão ali representadas e questionadas em Twin Peaks, com uma poética intrigante típica do diretor. “Estamos no futuro ou estamos no passado?”, ou “Somos como o sonhador que sonha e depois vive dentro do sonho. Mas quem é o sonhador?”, são algumas questões existenciais levantadas na trama. Além da parte visual que é esplêndida, com suas cores e texturas, o uso das pausas e do som como meio narrativo também provoca uma grotesca sensação de tensão e estranhamento ao longo dos 18 episódios desse retorno.
É possível assistir a nova temporada de Twin Peaks sem ter assistido às outras produções referentes a este universo (não disponíveis na Netflix), porém, assim perde-se boa parte do contexto e das conexões com lacunas anteriormente abertas na obra, como detalhes estéticos e narrativos na mise-en-scène que possibilitam agora ao espectador atingir outros níveis de percepção.
Sugiro que, ao assistir a série, procure se desvincular de amarras estéticas e narrativas pré-concebidas. Deixe-se fluir nas lacunas oferecidas aos seus sentidos, auditivos e visuais. Adentre as articulações artísticas e referências propostas na obra. Abra-se para a reflexão por diferentes pontos de vista sobre a vida que leva e que é exposta. Twin Peaks traz a arte no sentido puro de materializar experiências intangíveis de forma a excitar nossas memórias sensoriais, rompendo com padrões e transcendendo, muitas vezes, nossa percepção do tempo, do espaço e sobre nós mesmos, de uma maneira única e completamente sensorial e até abstrata. Twin Peaks é, antes de tudo, uma obra onde o “sentir” vem antes que o “compreender”. Ademais, mergulhe fundo na obra desse genial cineasta e sonhe acordado e sem limites com suas fantásticas produções. Até a próxima aventura!

sexta-feira, maio 25, 2018

Expressionismo Breu

"Cão Breu pós-humano" sobre desenho original feito pelo artista Edgar "Ciberpajé" Franco como dedicatória pra mim durante o lançamento de seu livro "Oráculos" na Mostra Trash no fim de 2017 em Goiânia-GO-Brasil.

Know your shadow! Take a look to yourself!
Look inside your mind. Look inside your soul.
Take control about the illusion of your world!

O mundo é você!
(De dentro pra fora)
O mundo clichê!
(De fora pra dentro)
Transfiguração.
Metamorfose.
Vísceras lunar. O uivo do despertar.

Blow up your mind! Wake up!

Cani Buiu. Black Dog. Cão Breu.
Transmutar.
Reconfigurar o DNA.

O inferno é agora! O tempo não existe!
Oh Lord, Get Back! Get back, get away!

Fogo fluido.
Liquidez radioativa.
Notas diminutas.
Aracnídeas.

Blow up your mind! Wake up!

Quem olha pra fora, sonha. Quem olha pra dentro, desperta.
Qualquer árvore que queira tocar os céus precisa ter raízes tão profundas a ponto de tocar os infernos.

CIDADE DE SANGUE



Ontem, após sair do lançamento da graphic novel “Cidade de Sangue” que o amigo Márcio Jr. produziu em parceria com Julio Shimamoto, cheguei em casa, abri um vinho e fui ler a obra. Já de cara me impressionei com os traços de Shimamoto (feitos inacreditavelmente com ferro quente e maçarico) que me remetem à estética dos expressionistas e suas distorções das formas. Tive uma sensação parecida a de quando assisti pela primeira vez ao clássico “O gabinete do Dr. Caligari”: imerso em um caos de linhas turvas, formas desfiguradas e contrastes acentuadamente grotescos. Uma representação desordenada da realidade trazendo aquela boa e velha sensação de que tudo está para ruir a qualquer momento, e é exatamente isso que acontece. Tudo rui na Goiânia narrada por Márcio Jr. e Shimamoto, seja em 1995, seja em 2018. Tudo parece estar por um fio. Nada se estabelece em um solo firme e harmônico. Mesmo em contextos de alegria, a perturbação está (oni)presente. A planície da capital goiana que nos acostumamos a ver diariamente, caracterizada pela linha do horizonte e pelas formas rígidas da arquitetura Art Déco, é decomposta em pról de uma fluência em traços diagonais repletos de angústia e, principalmente, SANGUE. Um horror explícito nas expressões dos personagens, cenários e que é acentuado pela colorização em um vermelho estarrecedor feita com propriedade por Tiago Holsi.
Aos moldes bukowskianos, a cadência narrativa da graphic novel nos aproxima e ao mesmo tempo nos repele dos personagens, causando uma espécie de divisão moral em nós mesmo, estapeando-nos com nossos valores sem cair no papo melodramático de bem x mal, mas, pelo contrário, construindo uma representação calcada na crueza da humanidade, destoada de uma polarização maniqueísta e que acentua traços típicos humanos sobre questões existenciais que ocasionalmente nos acomete. Não há final feliz ou triste. Não há bem ou mal. As coisas simplesmente são, acontecem e se dão por meio de ações e reações na diegése da obra. A dúvida da fertilidade traduzida como uma base de sustentação da família. O amor em tempos de ódio. O sexo, a violência, o escárnio diabólico de uma vida enferma que transforma o mundo representado em um grande manicômio, conduzindo-nos por meio do personagem ao abismo infernal de ser julgado culpado injustamente por um crime que não foi cometido. Encarcerado, vilipendiado, diminuído à guimba do charuto ostentado pelo chefe, o personagem cai de forma livre ao inferno, pois a morte não seria um desfecho suficientemente doloroso. A maldade escancarada de um narrador que não poupa suas criaturas. Uma cidade onde não há saída. Uma cidade de sangue e lágrimas que representa o inferno da dor e do prazer de cada dia amanhecer respirando o ar seco e empoeirado do cerrado. Uma cidade treta!

sexta-feira, janeiro 22, 2016

Odeio, logo existo.

O ódio e suas diversas manifestações no mundo contemporâneo
por Frederico Carvalho Felipe
fredcfelipe@hotmail.com
Mestre em Arte e Cultura Visual - UFG

O ano de 2015 se findou com um tema recorrente na lembrança popular: o ódio. Da política à arte, o ódio permeia a história da humanidade se afirmando como um forte aspecto característico do ser-humano e que, muitas vezes, o define. O amor, por outro lado compreendido aqui não pelo viés maniqueísta, esforça-se para equilibrar forças no que tange à caridade, à fraternidade, à ternura e à benevolência. Ao nos depararmos com a alteridade, imediatamente algo soa estranho, diferente e bizarro. Imbuídos de idealizações pré-concebidas, muitas vezes nos esquecemos de que o outro, em toda a sua complexidade, é um semelhante e, por isso mesmo, detentor dos mesmos direitos, incluindo aí o de discordar, pensar e agir diferente do habitual. Pensamentos amorosos isentos de ódio estão em falta hoje em dia e, muitas vezes, servem até como disfarces para expressar os diferentes ódios que sentimos.
Nos últimos dias, fatos repletos de ódio – no sentido intrínseco da palavra que traz como sinônimos os conceitos de rancor, gana, ira, fúria e desespero –, permeiam os noticiários e as mesas de bar. A força do ódio é tão súbita e própria ao ser humano, que episódios horríveis como o desastre de Mariana (MG), os atentados terroristas de Paris, a guerra na Síria, os jovens sendo assassinados nas favelas do Rio de Janeiro ou os alunos sendo surrados pelo governo de São Paulo e Goiás geram mais ódio nas redes sociais entre os internautas que competem pra saber qual evento merece mais ódio como forma de combate.
No fim das contas e de forma geral odiamos quem odeia mais que a gente e, o pior, odiamos quem odeia de forma diferente da gente. Odiamos quem coloca a foto com as cores da bandeira da França no perfil do facebook ou quem utiliza a hashtag #meuamigosecreto pra denunciar as formas de violência contra a mulher, algo tão próximo e tão repleto de ódio. Odiamos a censura contra a arte e, ao mesmo tempo, odiamos a arte grotesca de fuçar nos orifícios alheios, batendo na cara da moral hipócrita a que estamos inclusos. Odiamos a mesmice, mas estamos também prontos pra odiar quando alguma mudança que choca com nossos interesses mesquinhos é proposta. Odiamos o trânsito caótico das grandes cidades, mas passamos por cima de ciclistas e odiamos a ideia de traçar o país com trilhos ferroviários, pois interesses econômicos estão em jogo e odiamos perder, mesmo quando o intuito é que todos ganhem. Odiamos que todos ganhem.
Neste último caso, em especial, o ódio se mostra disfarçado de gana, principalmente se situado no nível político da discussão. A mesma gana do ocorrido em Mariana, que não olha além do próprio umbigo e da margem de lucro e se traduz sem escrúpulos em atentados contra a sociedade, a vida, e a democracia. A gana traduzida em ódio. A gana de ganhar somente pelo fato de ser o dono da bola e não aceitar que outras pessoas pensem de forma diferente da sua e, pior ainda, de enxergar o diferente como inferior. O ódio sob a alCunha hipócrita do egoísmo.
Vemos essas relações representadas muitas vezes de forma maniqueísta na arte, como no cinema e na literatura onde o bem e o mal se digladiam. O ódio clássico que nos afasta da luz e nos aproxima do lado sombrio da força. O ódio rancoroso e egoísta de querer que as coisas sejam da forma que achamos correto, sem enxergar novas possibilidades. O ódio traduzido em apego a bens de consumo e materiais ou à ideologias fechadas e intransigentes a mudanças e a diálogos.
Temos exemplos na história de fatos similares, como o nazismo ou a idade das trevas do cristianismo, onde os diferentes (pagãos, bruxas, judeus, homossexuais, cientistas, curandeiros, etc) deveriam ser exterminados pelo poder, pela força do Império muitas vezes por simplesmente serem contra o ódio. Douglas Kellner, pensador da cultura e da mídia, cita Gramsci em sua obra Cultura da Mídia (2001, p. 48) quando coloca que: “as sociedades mantêm a estabilidade por meio de uma combinação de força e hegemonia, em que algumas instituições e grupos exercem violentamente o poder para conservar intactas as fronteiras sociais (ou seja, polícia, forças militares, grupos de vigilância, etc.) enquanto outras instituições (como religião, escola ou mídia) servem para induzir anuência a ordem dominante, estabelecendo a hegemonia, ou o domínio ideológico, de determinado tipo de ordem social.”
O ódio institucionalizado pela hegemonia, pela conquista, pelas guerras, pelas mortes. O ódio vertical embasado de forma horizontal, que atinge e dissemina cada vez mais ódio por todos os cantos do planeta. Essa disseminação nos transforma em uma sociedade calcada pelas diretrizes do ódio. Uma sociedade que será extinta por ela mesma por não se atentar que não se vence o ódio com ódio, isso apenas o aumenta.
O ódio no patamar institucionalizado por pessoas que exercem o poder com o ódio recalcado de ser o que se é, sem escrúpulos e com a alma manchada de ódio gerando mais e mais ódio. O ódio que leva a condenação de muitos e muitas por inveja, intolerância e dissimulação. O ódio de sentir a necessidade de ser superior a todo custo, como forma de poder. O ódio de julgar o outro sem antes se olhar no espelho e perceber que quem deveria ser condenado é você. O ódio da vingança e de se achar superior a tudo e todos passando por cima de qualquer preceito ético ou de respeito ao(s) outro(s), em um caminho psicótico pelo poder. O ódio traduzido no prazer de dizer que o outro estava errado, empurrando-o de comida aos porcos, porcos estes, que fique claro, que não tem ódio de ninguém.
O ódio que vem da fome, da pobreza, do desamparo. E, por consequência, o ódio que vem contra quem sofre por tais consequências do ódio. O ódio de se odiar por escrever um texto com tanto ódio no coração e, pior ainda, o ódio traduzido em desesperança e descrença pela raça humana. A natureza, por ser a maior afetada pela maldade humana, deveria nos odiar, porém ali vemos o amor, o antídoto. O amor é a saída utópica de uma sociedade calcada em valores de ódio que inclui eu e você.


terça-feira, junho 17, 2014

Sobre uvas e tamarindos




Mesmo despedaçado.
Angustiado.
Imerso em tenebrosas questões.

Desassossegado.
Arruinado.
Insone em mente por pesadelos leviatãs.

Ainda que inflado de raiva,
Suando em rancor.
(Re) soando,
sem valor
No inferno alucinado.

Você sabe tocar,
meu coração, tranquilizar.
Suas roupas, sua alma
 Alegres imagens de poá.

Encanto-me sempre em te observar
Ao meu lado despertar.
Como te amo, minha princesa!
Amo-te assim mesmo, como és.
Seu sorriso me acalma
Seu olhar me deixa em pé.

Mesmo não estando ao seu lado,
te trago aqui em meu coração.

Você foi feita de ouro
Ouro maciço,
Derrete mundo afora.
Aflora,
Em mim sensações de bem-estar.

Sempre que meu peito ao seu ancora,
O roçar de pés no raiar da aurora,
De tamarindos doces e uvas carmenére,
Flutuo pleno em seu sabor
Que me engrandece e dá valor.
Tão perfeita e linda mulher,
Me liberto aqui ao teu lado
Te desejo com amor e com prazer.
É certo que já não aguento mais
me ver na vida sem você.



segunda-feira, junho 03, 2013

Todo carnaval tem seu fim




Uma noite entediado

A garganta arranha, tomo uma dose de tequila.

Trago a fumaça do cigarro 
seguida de poluição.

Não se pode matar o tempo
O tempo passa,
sem perdão.

Um dia agasalhado

A garganta cura com mel, pinga e limão.

Com as vistas já cansadas,
Da sacada vejo a multidão.

De tanto dar um tempo
O tempo acaba,
Solidão.

domingo, março 03, 2013

Uma cerveja e um cigarro



A mente em choque, sem acreditar,
me traz a insônia, me faz vomitar.
Em jogos de merda estou sempre a perder
Um sexo fácil pra me entreter.

A garganta tá seca, querendo beber.
Só vejo o que a noite pode oferecer.
Almas vazias me permitem sonhar.
A vida é gasta na mesa do bar.

Uma cerveja e um cigarro prá me acalmar.

A sombra me traz de volta a pensar
Naquele momento, naquele lugar.
Será que eu devia ficar sem saber?
Por mais que eu tente, o coração não quer ver.

Domingos cinzentos, você vai chorar,
Sabendo que o tempo não pode voltar
Só há uma forma de sobreviver:
Arranco meu cérebro e o entrego a você.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Peito Vazio



Nada consigo fazer quando a saudade aperta.
Foge-me a inspiração, sinto a alma deserta.
Um vazio se faz em meu peito
e de fato eu sinto em meu peito um vazio.
Me faltando as tuas carícias
as noites são longas e eu sinto mais frio.

Procuro afogar no álcool a tua lembrança,
mas noto que é ridícula a minha vingança.
Vou seguir os conselhos de amigos
e garanto que não beberei nunca mais.
E com o tempo essa imensa saudade que sinto se esvai

quarta-feira, outubro 31, 2012

O QUE NÃO MATA

Sonhos despedaçados Planos perdidos Uma garrafa qualquer envolve meu fígado O que não mata, engorda. Desempregado Endividado Uma vida de infartos incompletos O que não mata, engorda. A prateleira de remédios Pílulas salvadoras Anestesiado O que não mata, engorda. Amanhecido Embriagado Calado O que não mata, engorda.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Negação


Não?
Não é não.
Sim.
Menos com menos.
Mais.
Menos é mais.

Não é não.
Sim. Não pode ser sim!
As vezes é.
As vezes mais.
As vezes menos.

Pode Não ser nada.
Mas Nada só pode ser algo.
Sem nada.
Não.
Algo.
Mesmo que distante.
Nada.
Mesmo que ninguém.
Nada.
Mesmo que improvável.
Mesmo que não haja.
Esperança...
desilusão, talvez.

O Não é infalível.
Opressor.
Onipresente.
Mutante.
Incorporado.
Péssimo ou otimo.
Percorre
(ou não)
toda vida.

terça-feira, dezembro 13, 2011

Nosso medo mais profundo


Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.

Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida.

É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora.

Nós nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e fabuloso?"

Na realidade, quem é você para não ser?

Você é filho do Universo. Você se fazer de pequeno não ajuda o mundo. Não há iluminação em se encolher, para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você.

Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós. Não está apenas em um de nós: está em todos nós.

E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.

E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, libera os outros.

(Nelson Mandela)

foto: Sebastião Salgado

segunda-feira, dezembro 12, 2011

um canto da lua


Calor no centro.
Chuva nas margens.

Embriagar com teus olhos na primavera.
Aventurar em tua pele no verão,
Afogar em tua carne enquanto sonho,
Beijar-te os lábios com loucura e paixão.
Hoje eu queria qualquer coisa com você.

A nuvem carregada segue meus passos.
Instintos aguçados me deixam em paz.

A noite determina o rumo.
É bela a lua que brilha em meio as nuvens pretas.
congelada no tempo,
escrita pela luz,
cantada em versos
e tranquilizada pela alma.

Continuo tocando em frente
prá talvez compreender.
Talvez demore a perceber.
Mas o que mais me importa saber
é se o que penso vem de mim ou vem de fora...



segunda-feira, julho 04, 2011

Love Me Tender

http://www.youtube.com/watch?v=GBOtPvrluhU


Love me tender,
Love me sweet,
Never let me go.
You have made my life complete,
And i love you so.

Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled.
For my darlin' i love you,
And i always will.

Love me tender,
Love me long,
Take me to your heart.
For it's there that i belong,
And we'll never part.

Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled.
For my darlin' i love you,
And i always will.

Love me tender,
Love me dear,
Tell me you are mine.
I'll be yours through all the years,
Till the end of time.

Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled.
For my darlin' i love you,
And i always will.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

O lado escuro da vida


Suor
Ruído
Desgraça

Delírio
Sonho
Ameaça

No lado escuro da vida
A cabeça dói
A mente frita

Semeando o ódio por faltar opções
Cultivando o ócio prá romper com os padrões

O futuro é incerto
O clima é deserto

Loucura
Viagens
Sinais

Pontes
Avenidas
Hospitais

A luz bate na cara
A cabeça dói
A mente pára

Acordando cedo por faltar opções
Gritando alto prá romper com os padrões

O futuro é incerto
O clima é deserto.

numa relax, numa tranquila, numa boa.


"Deixar que os fatos sejam fatos naturalmente, sem que sejam forjados para acontecer.
Deixar que os olhos vejam pequenos detalhes lentamente.
Deixar que as coisas que lhe circundam estejam sempre inertes, como móveis inofensivos, pra lhe servir quando for preciso, e nunca lhe causar danos morais, físicos ou psicológicos". (CSNZ)

quinta-feira, outubro 21, 2010

SE CAGO, TOMO BANHO.


CAGO E TOMO BANHO
É SEMPRE ASSIM
(OU QUASE SEMPRE)
SE CAGO
NECESSARIAMENTE
TOMO BANHO

APENAS EM SITUAÇÕES
INESPERADAS
FICO SEM
BANHO

BANHO DIÁRIO
QUASE UMA RELIGIÃO

POSSO CONTAR AS VEZES
EM MINHA VIDA QUE
OUSEI FICAR SEM
TOMAR BANHO

PARTINDO ENTÃO DESTA PREMISSA
PODEMOS DIZER QUE NOS ÚLTIMOS 30 ANOS
TOMEI PELO MENOS UM BOM BANHO POR DIA

EM VERDADE, A MÉDIA É BEM MAIOR
POIS TEM DIAS QUE TOMO ATÉ 03 !!!

FAÇAMOS UMA CONTA
TOMANDO EM MÉDIA
DOIS BANHOS/DIA

NOS ÚLTIMOS 30 ANOS
OU, PARA SER MAIS EXATO,
NOS ÚLTIMOS 10.950 DIAS
TOMEI APROXIMADAMENTE
21.900 BANHOS

ARREDONDEMOS PARA 20.000

QUE SEJAM, VINTE MIL BANHOS EM 30 ANOS.

É MUITO BANHO PARA
UMA PESSOA SÓ
NÃO É MESMO ?

MAS JÁ HÁ ALGUM TEMPO
VENHO REAPROVEITANDO
A ÁGUA USADA NO BANHO
COM UMA BACIA PARA
COLETAR A ÁGUA USADA
EVITANDO ASSIM
O USO DA DESCARGA

É SÓ TOMAR BANHO
DENTRO DESSA BACIA
RESERVAR A ÁGUA
PARA LOGO EM SEGUIDA
UTILIZÁ-LA NOVAMENTE

NO VASO

POIS COMO
DISSE NO INÍCIO

SE CAGO
TOMO BANHO

quinta-feira, junho 17, 2010

KALU



KALU
Composição: Humberto Teixeira

Kalu, Kalu
Tira o verde desses óios di riba d'eu
Kalu, Kalu
Não me tente se você já me esqueceu
Kalu, Kalu
Esse oiá despois do que se assucedeu
Cum franqueza só n'um tendo coração
Fazê tal judiação
Você tá mangando d'eu
Com franqueza só não tendo coração
Fazê tal judiação
Você tá mangando d'eu

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

JUÍZO FINAL


Juizo Final
Composição: Nelson Cavaquinho/Elcio Soares

O Sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente

É o juízo final
A história do bem e do mal
Quero ter olhos pra ver
A maldade desaparecer

O Sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Tem dia que a noite é foda!


Tem dia que a noite é foda!

Acordando de minhas lembranças escondidas, via um quarto escuro onde só o barulho do ventilador ecoava, além dos carros e caminhões que passavam na rua em frente à casa onde estava. Essa casa, que eu não podia chamar de minha. Essa casa onde viviam pessoas com diversos problemas cuja dimensão era infinitamente maior do que eu poderia lidar. Eu não quero lidar, nunca quis. Quero me fechar em meu mundo. Já tenho problemas demais prá resolver prá me preocupar com o dos outros.
Em meus olhos as remelas endurecidas de uma boa noite de sono pesado pareciam inseparáveis de meu corpo. Na boca o gosto da desgraça, o gosto da ressaca de uma noite maravilhosa e cheia de risadas e teorias mirabolantes de como construir um mundo melhor. De como construir uma renda melhor. Renda, palavra essa que assusta mentes como a minha. Contas, dívidas, cheque especial e outras denominações que atrapalham mais que ajudam em nossa felicidade. O dinheiro não compra felicidade, mas manda a infelicidade prá longe. Não consigo entender como um pedaço de papel é responsável por tanta desgraça. É certo que eu não pensava nisso na noite passada, quando em rios de tequila me afogava e me sufocava em fumaça. Amava todas as pessoas do mundo, até meus inimigos. Mas na ressaca a gente aprende a ver o mundo lucidamente. Na ressaca vemos que não há dignidade quando se ama. O amor é indigno. O amor dói. O amor é como a grana, responsável pela maioria das desgraças, senão todas. Não sou eu quem afirma isso, é a História. O problema da História é a humanidade, logo, a História é uma desgraça.
Um banho gelado talvez me cure. O mau humor me assola que me cega. Não posso me cegar. Preciso ver a merda acontecendo. Talvez eu possa começar minha vida social hoje depois de um banho gelado. Água gelada cura tudo, menos dor de garganta. Aí está outra desgraça: dor de garganta.
Quem eu sou? Sou o maior dos problemas. Meu maior problema sou eu mesmo. Meu maior problema é não conseguir ser uma pessoa comum, nessa canoa furada, remando contra a maré. Só me afundo. Afundando-me sou feliz. Tomando um banho gelado, minha felicidade volta. Me sinto novo, mas a cabeça ainda dói. Talvez alguns comprimidos me ajudem ou, quem sabe, uma latinha de Antarctica possa resolver meu problema. Rebatendo minha tristeza. Criando outros novos problemas, afinal, a noite ainda está só começando.