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quinta-feira, agosto 12, 2021

(RESENHA) Impressões sobre o EP “É ESSE O MUNDO QUE QUEREMOS?” de Fredé CF - Raquel Alves (Comunicadora)

 A comunicadora Raquel Alves de Freitas Nunes escreveu uma excelente resenha com suas impressões sobre o meu EP, lançado em abril de 2021, intitulado “É ESSE MESMO O MUNDO QUE QUEREMOS?”. Ouça e baixe agora o EP em: https://fredefoak.bandcamp.com e leia abaixo a resenha.

Clique na imagem para ouvir e baixar o EP “É ESSE MESMO O MUNDO QUE QUEREMOS?” 


A energia criativa de “É ESSE O MUNDO QUE QUEREMOS?” é encantadora! Um verdadeiro deleite musical.

por Raquel Alves de Freitas Nunes

 

A primeira surpresa foi quanto a capa de “É ESSE MESMO O MUNDO QUE QUEREMOS?” Tenho dois palpites: Lembra tanto um pequi cortado ao meio (sem o miolo) quanto um inseto (Barbeiro ou Piolho) se desintegrando sobre uma superfície amarela, foi o que eu consegui enxergar.

Dessa vez, foi difícil escolher a minha preferida, pois cada uma despertou em mim uma reação diferente, mas com muita intensidade. Fiquei anestesiada com a profundidade da primeira, adorei a fúria da segunda, o olhar crítico da terceira e da reflexão proporcionada pela quarta faixa, mas “COMO SE FOSSE LOUCURA” acabou sendo a minha preferida por "N" motivos. Não desmerecendo as outras, mas o experimentalismo no início deu um toque mais do que especial na música, pois a profundidade da letra trouxe uma identificação com cada um de nós. Tem um ditado que fala que de "médico e louco todo mundo tem um pouco." Além de concordar com esse ditado, estamos passando por  um momento muito louco de nossas vidas, onde às vezes, identificamos que vivemos esses dias nebulosos, COMO SE FOSSE LOUCURA. Os arranjos estão belíssimos e para que ela se tornasse ainda mais especial, percebi uma inspiração kraftwerkiana por aí. A introdução me lembrou muito Trans Europe Express e musicalmente falando, voltei em 1977 (mais especificamente em março de 1977) quando foi lançado o sexto álbum do Kraftwerk com a maravilhosa Trans Europe Express. Sem mais delongas, vamos a análise do álbum.

Clique na imagem para ouvir e baixar o EP “É ESSE MESMO O MUNDO QUE QUEREMOS?” 

ANÁLISE DO EP:

Com uma intensidade musical fabulosa, repleta de letras reflexivas que falam de sentimentos, valores e comportamentos com diversas pitadas de minimalismo experimental, violão, gaita, instrumentos mágicos e outros elementos sonoros, às 04 faixas do EP nos trazem as respostas diante dessa interrogação. A cada faixa desperta no ouvinte as mais variadas sensações. A energia criativa de “É ESSE O MUNDO QUE QUEREMOS?” é encantadora! Um verdadeiro deleite musical. Meu coração, minha mente e meus ouvidos agradecem. Vamos conferir?

FAIXA 1: Minimalista, instigante e visceral. Assim defino COMO SE FOSSE LOUCURA. A faixa inicial deste EP composta com uma sonoridade ímpar, nos traz à tona uma reflexão conflitante sobre a inquietação da vida que pulsa dentro e fora de nossos corpos. A forma como desvendamos nossos pensamentos, nossa realidade, comportamentos, anseios, instintos e defeitos. Versos que afirmam e contrariam a loucura de viver em meio ao caos e ao julgamento alheio passando a criar, de forma imperceptível, um reflexo de si mesmo.   

FAIXA 2: Na faixa 02 deste álbum a palavra GENOCIDA ecoa como um grito furioso, sufocado e agonizante diante de um governo que menospreza a gravidade da catástrofe pandêmica enquanto o seu povo sucumbe nos leitos dos hospitais.

FAIXA 3: Violão, gaita e uma poesia sonora impecável. Assim é ÚTERO EGÓICO. A terceira faixa do álbum é uma resposta perfeita para nossas inquietações. A análise comportamental humana desvendada em sua totalidade na complexidade das ações, dos valores, dos sentimentos, do conhecimento. ÚTERO EGÓICO tem um olhar crítico em meio as experiências vivenciadas. Um processo de evolução contínua traduzido em forma de música o qual meus ouvidos e minha mente agradecem.

FAIXA 4: A última faixa, POST-HUMAN DEPRESSION, é uma reflexão quanto aos limites do excesso. Excesso do uso das redes de sociais e suas consequências. Excesso de vaidade. Excesso de futilidade. A busca incessante do TER descartando completamente o SER, ocasionado por uma carência contemplativa em busca de uma admiração momentânea que nunca substituirá o convívio real onde é possível desfrutar de tudo que nos cerca. O que não podemos nos LIMITAR é em vivenciar as relações humanas. 

Por fim, a forma poética das letras de Fredé CF me lembram bastante as poesias do Violeta de Outono. Vale a pena dar uma conferida! Foi um grande prazer ouvir e contemplar suas músicas. Música pra mim é quase como um remédio. É o meu antídoto diário.


Texto e análise de Raquel Alves de Freitas Nunes - Comunicadora


sexta-feira, agosto 06, 2021

(LANÇAMENTO) “ECOS ONÍRICOS” (EP) – Fredé CF

(LANÇAMENTO) “ECOS ONÍRICOS” (EP) – Fredé CF

Ouça e baixe agora o EP em: https://fredefoak.bandcamp.com

O EP “Ecos Oníricos” foi produzido e lançado no inverno goiano de 2021 durante a pandemia e apresenta seis músicas autorais gravadas e editadas por mim (Fredé CF) pelo celular, assim como a arte da capa.

Situada conceitualmente em meu universo transmídia poético-onírico ficcional autoral intitulado “MekHanTropia” (em processo de expansão), a obra faz parte de minha pesquisa de doutorado em andamento em Arte e Cultura Visual (UFG). O eu-lírico é o personagem Valdez, que busca alternativas de resistência ao sistema de MekHanTropia por meio dos sonhos, reflexões e conexões colaborativas transbinárias e transdimensionais, atuando no autoconhecimento e escapando de padronizações maniqueístas instituídas.

“Ecos Oníricos” tem como inspiração sonhos que tive durante o período pandêmico, tecendo alusão a narrativas oníricas e fantásticas, reflexões existenciais e contraculturais, devaneios pós-humanos transcendentais e experimentações sobre realidades e dimensões colaborativas anti-mercadológicas que se interseccionam e materializam-se artisticamente pela obra.

O processo criativo iniciou-se de lembranças (ao acordar) e interpretações subjetivas sobre sonhos que tive. Logo escrevi sobre os temas e tentei ambientar os sons baseados nas emoções sentidas durante tais experiências. Além disso, convidei três músicos/artistas/parceiros para contribuírem com suas ideias poéticas, ecoando tais argumentos oníricos a novas possibilidades e deslocamentos conceituais, são eles: 1) o musicista e cineasta Rafael Simon, que compôs ambientações com guitarras ruidosas viscerais e batidas eletrônicas, trazendo um clima de flutuação no tempo e espaço para a primeira faixa, cujo título é homônimo ao EP; 2) o artista transmídia, professor e pesquisador Edgar “Ciberpajé” Franco, que gravou, com seu berimbau de boca, sons psicodélicos ritmados e recheados de lisergia atuando em contraste com a estrutura cancioneira da faixa “Agora”; e o musicista, professor, escritor e meu parceiro de banda (no Cão Breu), Gustavo Ponciano com sua guitarra mágica gerando um clima soturno e visceral na faixa “Salamanca Blues”.

Além dessas, o EP ainda traz a faixa “O efeito antes da causa”, com reflexões oriundas do pensamento de Marshall McLuhan e da série “Arquivo X (The X-files)”; a faixa “A persistência do tempo”, inspirada na poesia concretista e em reflexões sobre as lógicas de ordenação temporal da realidade, articulando pausas, silêncios e andamentos com as acelerações típicas da vida cotidiana atual; e a faixa “Mundo T(r)ela (Deep Blue Animus Shine)”, que mescla vocalizações, ruídos, música orgânica eletro-acústica e música eletrônica. A faixa fecha a obra e adentra conceitos sobre a influência das redes digitais e dos fluxos telemáticos em nossas subjetividades e projeções, influenciando o que está dentro e fora de nós e colocando em perspectiva um futuro distópico de controle total do sistema pela naturalização da ilusão mekHanTrópica. Os ecos de resistência são então abafados e os sonhos transformados em estímulos elétricos.

Esses diálogos estabelecidos entre meus sonhos, a criação artística autoral, o universo de MekHanTropia, o pensamento científico, as tecnologias disponíveis ao meu alcance, o contexto de pandemia e as parcerias colaborativas estabelecidas, expandem a experiência onírica original a novas dimensões conceituais que ecoam a partir de inconscientes que se cruzam, materializando artisticamente tais fenômenos. A cada novo encontro também se transmutam percepções, ressignificam-se memórias e provoca-se a imaginação de quem entra em contato com a obra. Encontros poéticos e filosóficos pós-humanos entre a “Realidade Validada” (pelas percepções, emoções e ideias de diferentes indivíduos), a “Realidade Vegetal”, transcendente, ancestral (dos sonhos, rituais e inconscientes conectados) e a “Realidade Virtual” que possibilitou (e possibilita) encontros sonoros e visuais transmutacionais entre humano x máquina pelos “0” / “1” das redes.

Há uma narrativa paralela no EP: Junto com as letras das músicas há um miniconto MekHanTrópico dividido em seis partes. Um sonho dentro do sonho.

“Você é um sonhador? Estamos em extinção. Ou somente adormecidos. Não se ensina mais a sonhar. Por medo ou por preguiça, deixamos de sonhar.” (Fredé CF)
Ouça em estéreo. 

Ouça e baixe agora o EP em: https://fredefoak.bandcamp.com/album/ecos-on-ricos-ep 


Créditos e Ficha Técnica:

Lançado em 13 de julho de 2021.

Letras, músicas, voz, violões, baixo, percussão, sintetizadores, samplers e vocais (D.I.Y.): Fredé CF.

“Ecos Oníricos” é parte integrante do universo transmídia poético-onírico ficcional autoral intitulado “MekHanTropia” (em processo de expansão), a obra integra a pesquisa de doutorado (em andamento) do autor em Arte e Cultura Visual (UFG). O EP foi todo composto, gravado, mixado, finalizado e produzido pelo smartphone em casa por Fredé CF em Goiânia – Goiás - Brasil, durante a pandemia de COVID-19 (2021).
Participações Especiais:

- Rafael Simon: Guitarra, samplers, bateria e percussão na faixa “Ecos Oníricos”;
- Edgar Franco (a.k.a. Ciberpajé): Berimbau de boca na faixa “Agora”;
- Gustavo Ponciano: Guitarra na faixa “Salamanca Blues”.

Para ir além e aprofundar:

Site: mealuganao.blogspot.com

e-mail: fredcfelipe@gmail.com

YouTube: www.youtube.com/user/fredcfelipe/videos

Instagram/Twitter/Facebook: @fredcfelipe

F.Oak Produções 2021.

Todos os direitos reservados.

quarta-feira, maio 26, 2021

(Indicação ao Prêmio Dynamite) Última semana de votação



Olá pessoal, meu álbum “MekHanTropia” foi indicado na categoria MPB do prêmio Dynamite e a votação se encerra no fim dessa semana.
Peço que, quem puder, tire um tempinho para votar. 
É bem rápido, não custa nada e fortalece demais a produção independente.

Só acessar: www.dynamite.com.br/premio (link direto para acesso o formulário de votação: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdA-uaLP3y5ZrP3NfJjFOsFKdmVPfQg46CZDAs-VtIo19ganw/viewform )

Valeu demais pela força!
Saudações!
Fredé CF


#mekhantropia #premiodynamite2021 #dynamite #museudoisolamento #mpb #rock #revistadynamite #musicabrasileira

quinta-feira, maio 20, 2021

[EP - Lançamento] "É esse mesmo o mundo que queremos?" - Fredé CF

Clique aqui para ouvir e/ou baixar o EP: https://fredefoak.bandcamp.com/album/esse-mesmo-o-mundo-que-queremos-ep

Olá pessoal, lancei no BandCamp um EP todo captado, gravado e mixado pelo celular aqui em casa (sou um dos ditos “idiotas” pelo genocida) durante a pandemia que nos assola. 

O EP conta com quatro músicas que não foram lançadas oficialmente nos álbuns experimentais anteriores, sendo duas delas já presentes em vídeos e duas inéditas que estavam guardadas e que ficaram de fora do álbum MekHanTropia. 

Enfim, sigo tentando transformar minhas angústias, raivas, medos, sombras, ansiedades e tristezas (agravadas por esses tempos trevosos de merda) em arte. Tem me ajudado muito a colocar pra fora e transformar um pouco das coisas tóxicas que engolimos diariamente nessa era neofascista escrota que estamos aqui no Brasil. Tocar, compor, escrever, gravar, desenhar, fotografar, filmar, tem me ajudado muito a olhar pra mim mesmo e repensar aspectos da existência. Acho que tem sido uma coisa boa em meio a tanta coisa ruim acontecendo.

Me digam aí, se rolar, suas impressões sobre as músicas. Ajuda muito no processo de reflexão e ressignificação. Segue o link para ouvir e baixar o EP: 

https://fredefoak.bandcamp.com/album/esse-mesmo-o-mundo-que-queremos-ep

Saudações! 

Desejo muita saúde pra todas e todos! 




terça-feira, maio 18, 2021

(CONTOS MekHanTrópicos) “O Cão Breu Latino" - de Fredé CF

Valdez ficou por muito tempo completamente imóvel, como uma sinapse gráfica virtual esquecida, porém eternizada por mobgrafias e vídeos surreais. Imortal, porém sem a liberdade de deixar de ser. Imoral, ele não tinha esse poder. Essa foi sua maldição por eras. A maldição de não poder escolher. De não poder ser. De sempre ter que ter pra viver. E provavelmente deve ainda ser assim, por todo o sempre, em suas partes divididas. Suas partes maquínicas e fluidas. Suas partes virtuais, holográficas, atópicas, atemporais, ciberespaciais. Suas partes expostas sempre que alguém revive aqueles mesmos momentos decisivos congelados, comprados e estocados em algum lugar do mekhantrospaço psychotronico neural convolucional. Preso em sua alma mekHanTrópica, sem poder estabelecer novas conexões consigo mesmo, além de seus limites ali encriptados naqueles tempos e espaços restritos, voltando sempre ao início a cada play dado, como Sísifo empurrando a pedra até o cume e caindo. As únicas conexões externas possíveis à essas partes dele é no imaginário de outros, fora dele. Mais estranho que uma ficção que não possa ser teleologicamente narrada, Valdez está documentado clandestinamente para atuar no chip imaginário daqueles que não se comparam. Como um neurônio arcade-visionário que acende os bits em sua individualidade visando o pane exterior neural das redes telemáticas, projetado na aleatoriedade imprevisível da xepa da existência orgânica, resiste. Resiste a tal ponto de reexistir se esquecendo da lógica conjunta inexorável a sua intrínseca cooptação mekHanTrópica. Uma espécie de carcinoma anti-egóico que espalha em si mesmo involuntariamente e produz o próprio declínio de forma inconsciente ou até consciente demais pra pensar a respeito e se enxergar. Geralmente isso acontece quando sonha com animais. Cego demais pra ver que o inferno que teme habita nele mesmo, Valdez vacila na simples compreensão de estar conectado intrínseca e sistematicamente a tudo que lhe é exterior e, principalmente, pelo o que é interior. O mesmo macrocosmo externo existe internamente, isso ele não pode perceber. Como eu, que narro essa história, estou de fora mas pertenço a Valdez e ele a mim. E dentro e fora de mim há coisas que ele nunca terá acesso (mesmo se me acessasse). Assim como Valdez interiormente é parte de mim, eu dele e nós do cosmos e do que houver além. Diversos organismos que compõem um ser maior universal e que, além dele, existem outros seres com seus próprios mecanismos e organismos, de fora do seu universo, de fora do que há de fora do seu universo e assim sucessivamente. De certa forma omitiu (ou não se atentou) ao mesmo movimento no sentido interior dos organismos, talvez como forma de poder ou por pura distração. Como certa vez ouviu que “o ovo pode ser só um meio entre duas galinhas”, ou não. Talvez não seja uma galinha que virá. Valdez entrou em choque com uma coisa tão óbvia: somos um ser maior universal. Um meio e não um fim para outros organismos que dependem de nosso movimento para viver. Uma dança de mão múltipla orquestrada pela vida. Mesmo com apenas 6,66% de carbono ainda em seu corpo, ele leva a vida e cada vida dessas vidas que leva e leva também outras vidas, de maneira infinita, vivendo sua própria vida. O que se vê como desordem, é transição, é movimento. Nem a morte pode parar o movimento. Valdez, inconformado com tal revelação que lhe ocorreu, deixou escapar uma lágrima de nostalgia, ao lembrar da lição de esperança que seu pai Ernesto Ortega lhe disse um dia em sua infância semi-analógica, antes dos fluxos, de que "juntos ascendemos, separados caímos". A partir de então, agora ou nunca, parte das sinapses de Valdez se auto-reconhecem pixels e se tornam, de forma assíncrona, luz. Ascende. Transcende. E enfim vive invisível em meio a sombra. Viveu até que morreu, ou algo assim. Foi de fato apagado parcialmente do sistema de MekHanTropia, pois estava provocando desordens oníricas em demasia tanto nele quanto em toda rede macro e micro cósmica que o envolve e completa. Mas existe uma lenda que parte da parte orgânica dele ainda vive de forma magicka, transcendental. 3,33% de loucura infantil criativa elucidativa. A dívida que prevaleceu. Ação e reação. Se transmutou antes do fim da estrada em sonho, ao ver o efeito antes da causa, virou meio em meio a tanto fim. Se tornou lenda. Se tornou nada. MekHantropomorfização em Cão Breu. Visceral, brutal, com seus olhos flamejantes surge ocasionalmente renegado como falha do sistema pelo próprio sistema que falha em querer não falhar. Porém, de fato, é um índice fantástico, fantasmático, fantasmagórico, sobrenatural, que aponta as falhas do sistema apagando a luz que brilha em seu campo visual. Forçando uma viagem intrapessoal de olhar e integrar as sombras individuais e sociais. Por isso é tão perigoso. Por isso é tão importante. Por isso é tão visto como um mal. Por ser ainda, de alguma forma, animal! (Diários de Quarentena)

(VÍDEO) "Ecos Oníricos" - Fredé CF


“Ecos Oníricos” – Fredé CF

Link: https://www.youtube.com/watch?v=6OR9eB7yTck&t=9s

Intro: (A A7 C7) A A7 G D A

A

Às vezes

A7

Calado e cansado

C7

Enclausurado

F

Sem saber ao certo

                        A A7 C7

Quando a noite vem.

A

Às vezes

A7

Gritando em silêncio

C7                   F          A A7 C7

Preocupado sem ir além

F                                             E

Em busca de paz em meu peito

F

Afogado em lembranças

Em                                          A A7 C7

De um passado que nunca vem.

A

Às vezes

A7

Disposto e cercado

C7

Acalentado

F                                 A A7 C7

Abraços e afagos, meu bem.

A

Às vezes

A7

Respiro e gargalho

C7

Aliviado

F                                 A A7 C7

A vida enfim me faz bem.

F                                 E

Acordo pensando de fato

F

No que de abstrato

E                     A A7 C7

Calado sonhei.

(A A7 C7) A A7 G D A

A         A7

Esboço ideias dispersas

C7                   E                      A

Conectadas pelo que um dia amei.

(A A7 C7)


sábado, maio 08, 2021

Em essência, convolucional




Acordei 

Só mais um 

Diferente de todos

Mas um!

Mais uma existência 

Não mais importante 

Não mais angustiante

Mas uma!

Uma existência que se distingue das demais

Assim como todas

Assim como a sua

Assim como a deles

Neurais

Existências dançantes 

Transitórias nos palcos da vida

Delirantes

Só mais uma

Mas uma!

Embebidas de potências

Diversas em essência 

Dispersas pela peste 

Alienadas pelo sistema 

Que insiste em nos dizer o que é certo

E o que é normal

Que insiste em fomentar nossas distâncias 

Que insiste em padronizar nossos desejos 

Que insiste em aniquilar nossos sonhos 

(E romances)

Que insiste em desprezar nossas mortes

Como se fosse mais uma

Mas uma! Mas várias!

Como se fosse uma “gripezinha”

Que insiste em informar o que é “real”

Verdades absolutas 

Significados limitantes.

Mas ainda vivo

Assim creio

Por sorte 

E amor a vida 

Talvez mais sorte

Mas também amor

que vive

Mesmo na entropia

Na hiper-informação 

Vive tanto que permanece 

mesmo depois que alguém morre 

Vive até em quem não ama ninguém

Pois todo mundo é

Em certa medida

Amor de alguém

Perdido 

Nos desencontros da vida 

hiper-real.



Um país sujo de sangue



Uma bandeira que sempre foi vermelha-sangue.

Na faixa genocida empossada pelos jornais.

Dedos com sangue nas urnas e no WhatsApp.

Sangue que jorra desde a invasão do país

Na escravidão, nas ditaduras e nos dias atuais.

Uma terra coagulada de sangue 

derramado, 

Vermelho, preto, pardo, 

Revolucionário,

Encarnado,

E sempre negado em verde e amarelo por boçais 

que promovem massacres descomunais.

Sangue das florestas, rios, barragens e canaviais.

Favelas, campos, presidios e das minas gerais.

Do cerrado, da caatinga, dos pampas, pântanos e dos currais.

Sangue e lama mancham mãos brancas e macias em mansões neofascistas e igrejas neopentecostais.

Com os crivos de Brasília e os cravos das chuteiras federais.

Do agro-pop só restam tóxicos que não aparecem em comerciais. 

Bancos e empresas milionárias aplaudem a morte em jantares presidenciais.

A máfia horrenda que articula a sorte cotidiana de trabalhadores urbanos e rurais.

A milícia suja que nega a vacina e promove chacina que sangra e mata a esperança cada vez mais. 

 



segunda-feira, março 29, 2021

“Eu hoje chorei minha morte”

 

Eu hoje chorei minha morte
Um instante de tristeza 
Em meio à nostalgia, sem norte
Das desventuras e alegrias que tive prazer em viver.

Eu hoje chorei minha morte
Cego com tanta clareza
Em luto me tranquei num forte
Que um dia imaginei absolutamente conhecer.

Eu hoje chorei minha morte
Senti o agora com destreza
Me vi vivo sem suporte 
Em paz pra enfim não Ser.

Eu hoje chorei minha morte
Deixei ir os sonhos com beleza
Já não morri ainda por sorte
Apegos me impedem de ver.

Eu hoje chorei minha morte.
Nunca Ser certeza.
Estar a fluir na correnteza
A não Ser
Na morte do querer.

Transcender.

Fredé CF (28/03/2021)

Howling at the Wolf Moon 🐺🤘🏽
#luacheia🌕 #skylovers #fullmoon #werewolf #moonlight #banhodelua #moonlightlovers #underthemoonlight #iphonesephoto #noite #domingo #lua #transmutação #skyface #chacra #thirdeyemoon✨ #goodnight

Sociedade da Transparência



“Sociedade da Transparência” 
(viagens de um sábado à tarde) 
Traços narrativos oníricosequenciais do inconsciente. 
#desenholivre #deepdream #experimentações #abstract #art #surrealism #humanomáquina #mekhantropia





 

 

[VÍDEO] “Genocida” - Fredé CF


Título: “Genocida”
Música e vídeo: Fredé CF
Brasil 2021
#ForaBolsonaro

terça-feira, março 23, 2021

[VÍDEO] “O efeito antes da causa (The X-Files Theme)” - Fredé CF




The Black Dog walks at night.

“Uma galinha é apenas um meio para o ovo fazer outro ovo.” (Samuel Butler)

“Quando o planeta ingressou num ambiente criado pelo homem, a natureza deixou de existir.” (Marshall McLuhan)

Videoclipe onírico-filosófico.
Cinegrafia: Leticia Guelfi
Música, desenho e edição: Fredé CF
F.Oak 2021

www.mealuganao.blogspot.com
#mekhantropia
🐺🔥👽




De volta pra si




Por onde esteve?

Todo esse tempo passou...

Sem nunca olhar pra dentro

Um abismo se instalou.


Por onde andou?

Tão distante de si...

Pro que se foi não há remédio 

Será que a vida ainda sorri?


O sangue gelou

Cedeu à noite 

Os joelhos ainda tremem

O tempo escorre em um mundo cada vez mais frio e doente.


Ainda há saídas?

Há alguém aí pra sentir?

Silenciosamente de dentro ressurge 

A dor indica o caminho 

pro cão emergir.


Um cavalo à espreita

Ajuda a superar

Serpentes e insetos

Envenenam onde irá pisar.


Das trevas sempre vem a luz

No escuro, a força pelo raio anuncia 

Daqui pro futuro, no presente

Um novo fim se encaminha.


Pela morte do passado

De volta pra si

Se pode, enfim 

deixar a vida fluir 

Uivando da alma à lua

O agora,

nada mais

Nunca mais.


(Fredé CF - 02/03/2021)


segunda-feira, fevereiro 08, 2021

[IMPRESSÕES] Depoimentos e reflexões sobre o curta “Carta a Valdez” de Fredé CF


Leia abaixo os depoimentos de Adaor Oliveira, Larissa Dias e Roberto Franco sobre a obra “Carta a Valdez” (2020/2021), curta-metragem poético-filosófico onírico, experimental, transmutacional e anti-mekHanTrópico de Fredé CF:

“Uma obra cheia de nuances, de signos, de semióticas, bem ao estilo Charles Sanders Peirce. É um retrato de como foi nosso ano de 2020 e, pelo jeito, 2021 não será muito diferente. Foi um ano em que vivemos na Matrix, em Pandora, na caverna de Platão. A questão psicológica que a obra traz, traduz muito o que houve com as mentes nesse momento recente, algumas sentindo o desconforto de ter que viver em quarentena, outras se deixando seduzir por um líder fascista, que desdenha da vida e tudo que não condiz com sua mente doentia e psicótica. George Orwell mostra isso muito em 1984, como aparece na referência a esse livro. A sociedade autoritária e repressora que Orwell traz, é exatamente a que vivenciamos com esse (des)governo, que chafurda o Brasil em lama. É o Big Brother constante, o olho que tudo vê através das redes sociais, espaço propício para se espalhar notícias falsas, que sustentam o nepotismo que nos governa com seu gabinete do ódio. E a vesícula com suas pedras, algo que traz uma dor imensurável (digo por experiência própria), mostra a dor que a população tem que passar, mas que é a dor da democracia, pois é o voto popular que elegeu o tirano do Palácio do Planalto. Isso mostra o quão necessária é uma educação libertadora, que nos ensine, de fato, a pensar e não apenas a obedecer, bem longe do vigiar e do punir, como bem ilustrou Foucault. Às vezes, dá a impressão que vivemos no universo surreal de Salvador Dalí, também ali presente. Essa é a nossa salvação: a arte. Talvez esse surreal seja mais real que esse mundo de irrealidades sob o qual estamos, um mundo onde a ciência não vale mais nada, onde todos se acham especialistas em assuntos que nunca estudaram. Enfim, que a voz feminina e a voz masculina, como na narração do filme, possam estar sempre juntas na (re)construção da nossa liberdade, andando juntas passo a passo, para empurrar esses bebês de Rosemary de volta aos úteros que os pariram.” (Adaor Oliveira - filósofo e professor/ Campinas-SP) 


 “Amei essa narração feminina, deu uma suavidade ao tema de uma forma incrível, linda voz! Que imagens! Fiquei impressionada que foi tudo feito com o celular! A cena da sombra no espelho d'água, nossas sombras que aparecem; a pedra na vesícula, realmente algo que incomoda, como esse isolamento que incomoda, adoece, nos faz perder a noção de espaço e tempo e precisar urgentemente da arte para nos salvar! E eu pensando nisso e assistindo e daí, aparece um puta Salvador Dalí! Olha aí o salvador! O tempo que acaba virando amigo, inimigo e já não sabemos mais de nada quando um dos nossos limites parece ser retirado. Muito criativo esse curta e o violão sempre ali, mostrando que a música nos leva a outras esferas. Deve ter dado um belo trabalho editar tudo isso! Parabéns, eu adorei!” (Larissa Dias – psicoterapeuta / São Paulo - SP) 


“Acabei de assistir ao curta. Lendário! Maravilhoso! Gostei muito da cadencia narrativa, muito bem amarrado em texto, vídeo e áudio. A escalada da psicodelia e do pensamento caótico e incessante. Muito boa a progressão do primeiro ato de serenidade e perda da realidade até o grande final tenso - que pra mim é toda a segunda metade -, do fervilhar de pensamentos e perda do fio da realidade. Me causou profunda sensação de imersão nos pensamentos. Me diverti! Angustiante e estimulante o retrato audiovisual. Vi na TV e com fone de ouvido, tem hora que dá uma pressão real nos sentidos. A tranquilidade veio como alivio só nos créditos finais, porque na última pausa de locução da voz feminina eu ainda estava naquela de não saber se vinha mais pancada ou não (risos). Gostei da construção, experiência bem sensorial. No instante em que a cabeça vira o abajur é quando começa a descida da montanha-russa do pesadelo. Dali em diante é imersão total. Fala muito além do texto.” (Roberto Franco - linguista e culinarista/ Santos-SP)


"CARTA A VALDEZ" (2020/2021) - Um filme de Fredé CF
Sinopse:
“Quem olha pra fora sonha, quem olha pra dentro desperta”. A frase de CG Jung ecoa no imaginário de Valdez, transcendendo sua realidade ordinária à níveis oníricos de alucinação mekHanTrópica. Suas experiências conscientes e inconscientes são mediadas pelo sistema que introduz imagens e sons em seu imaginário. Conectadas à rede, as identidades estão cada vez mais padronizadas. A institucionalização de uma produtividade e consumo de forma quantificada em prol do mercado, 24 (horas por dia) / 7 (dias por semana), geram angústias. Aqueles que não se enquadram nas normas se deslocam à estranheza, que já não vem apenas de fora, mas sobretudo, de dentro por meio de aspectos psicoemocionais. Seria possível escapar dessa cooptação e se reconectar à Gaia, ao nosso habitat? O surgimento da resistência anti-mekHanTrópica é apresentado em diálogos poéticos congruentes entre Carmen, Valdez e redes neurais atentando contra o sistema que rege MekHanTropia. Como em um sonho hibridizado entre os seres maquínicos, humanos e não-humanos, as sombras (sociais e pessoais) trazem à tona uma jornada fantástica de autoconhecimento por fragmentos dimensionais e espíritos ancestrais que acompanham Valdez, orquestrando fluxos de sonhos elétricos digitais e devaneios caóticos existenciais por meio da tecnologia.
Deixamos de sonhar? Nada mais desafiador do que um imprevisto que nos faz repensar toda a existência. Diante desse tipo de situação, precisamos de força pra nos reinventarmos, de dentro pra fora. Como conciliar os extremos de nossa natureza? Amor x Ódio; Alegria x Tristeza; Sonho x Vigília; Loucura x Lucidez? Qual a natureza da realidade? Qual o peso das ideias, das emoções, das sensações, dos sonhos? Como desvendar os mistérios que nos cercam e que dão gás à arte e à ciência? Temos aqui mais dúvidas que certezas. E afinal, o sonho é também fundamento do sonhador ou o sonhador é fundamento do sonho? Ao sonhar, nos libertamos e esvaziamos a lixeira da nossa existência ou ficamos ainda mais presos ao que, de forma narcísica, achamos que somos? Ficha técnica: Título: “Carta a Valdez” Ano: 2020/2021 Curta-metragem poético-filosófico onírico, experimental, transmutacional e anti-mekHanTrópico. Direção, produção, roteiro, fotografia, som e edição: Fredé CF (a.k.a. Frederico Carvalho Felipe) Narração e apoio: Leticia Guelfi Orientação: profa. Dra. Rosa Berardo (PPGACV - FAV/UFG) Duração: 09’51’’ Obra toda produzida por Fredé CF pelo smartphone no segundo semestre de 2020 em Goiânia, durante a pandemia de COVID-19 e lançada na virada para 2021. F.Oak Criações Artísticas
Goiânia – Goiás - Brasil
Diários de quarentena de Valdez: “‘Ninguém sabe o que o calado quer’...ouvi essa frase no Vão de Almas, em território Calunga, por volta de 2011, bem antes da pandemia. O contexto era outro. Era necessário expressar o que havia em nossa imaginação. Hoje não há mais isso. Não aqui em MekHanTropia. Eles já sabem de tudo previamente e moldam seus produtos com base nesses bancos de dados. Dados extraídos de nossos likes, de nossa alma, de nossos sonhos que voluntariamente entregamos. Talvez ainda não o povo Calunga. Eles não pararam no tempo. Eles pararam ‘o’ tempo! O tempo instituído. O tempo que escraviza. Resistência de fato. Reconexão. Transmutação. Entender que cada um tem seu tempo e que as nuvens estão carregadas de chuvas de dados, sem vida. Ensinamos as máquinas a sonhar e esquecemos como sonha. Terceirizamos nossos sonhos a redes neurais convolucionais. Sinapses elétricas. Eletrônicas. Será que as máquinas serão bondosas conosco ou será que, como o Monstro de Frankenstein, se voltarão contra o criador pela falta de amor e excesso de uma visão sistêmica mercadológica em prol do lucro e produtividade sobre todas as coisas?
Enquanto isso, eu, Francisco Valdez, sonho na resistência e tento organizar meus pensamentos codificando-os audiovisualmente para tentar me conhecer melhor, em essência.”
F.Oak 2020/2021.

quarta-feira, fevereiro 03, 2021

Penas de Morte



A pena 
Que escreve e traduz 
À luz de velas 
Apenas 
A leveza 
Da piedade 
De quem lamenta seus pesares 
Aquele que pena ao condenar 
A tormenta 
Sob a pena 
De não poder ter 
A liberdade de errar 
Aprisiona e se atormenta 
Sem saber se vale 
Mesmo a pena 
Insistir apenas 
Na penalidade de não voar 
Quem sabe hoje 
A maior pena pese não na folha 
Tinta ou mão 
Ou na alma 
Que teima em penar 
Talvez no escuro 
A duras penas da ilusão
Da tela insossa, pequena 
Que não desgasta 
Mas com desgosto 
Aliena e sangra mais 
Meu coração 
Deixa de pulsar 
Não com pena 
Mais compaixão
(A)pesar.

(Texto e imagem: Fredé CF - 02.02.21)