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(Re)Existência contra o PsicoBinarismo mekHanTrópico. https://fredecf.bandcamp.com/ https://www.youtube.com/@fredecf/videos
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Olá pessoal, tudo joia? Fiquei muito feliz com a repercussão e comentários sobre o álbum “Depois do Futuro”, que lancei na quarta-feira de cinzas desse ano (22/02/2023).
Leia abaixo alguns relatos sobre as impressões e análises que o álbum gerou:
Roberto Franco - linguísta e culinarista – São Paulo, SP:
“Só consegui ouvir o disco hoje, correria danada esses dias. Vou comentar por escrito para não deixar nada de fora. De início é o meu favorito da série. Disparado. A mixagem ficou muito agradável, mais pop e acho que valorizou tudo, instrumental e vocal. Seu vocal está claro, afinado, impostado, impecável. Esse caráter mais experimental também me impressionou bastante porque ele é presente por si só mas ainda sim é muito palatável, não causa o incomodo proposital de outras obras suas, no auge da fúria antifascista. Remete mais a psicodelia 60's e creio que isso amplia muito o alcance a ouvidos mais convencionais. Também gostei muito da temática, por ser um encerramento de alívio da sombra apocalíptica do bolsonarismo, o que transita muito com o espírito do tempo, no consciente coletivo geral. E é claro, traduz bastante também o momento de transformação que você mesmo vive. Uma obra universal, tanto quanto as outras. Mas essa, além do alívio social, da luz no fim do túnel para a nação, também cria uma travessia, íntima. Contrastante, porque no inferno que antes era fora agora é dentro. Que se mostra nas reflexões mais existenciais e filosóficas sobre um eu-lírico que trata de si, mais do que do mundo. Mas não traz desesperança. Ao contrário. Entre o alívio coletivo e as trevas pessoais, o fio que conduz o ouvinte é otimista. Em si, entendi como um álbum que fala de amor, de esperança e de ciclos. Do mundo que é o palco e, sobretudo, do eu-lírico em sua existência individual. Menos MekHanTropia e mais Fredé. Não desmerecendo as obras anteriores, essa, dentre todas, é a que mais merece o prêmio. Seja por indicação ou reconhecimento de crítica. Mandou bem demais! O caos nunca tem fim, antes coletivo hoje individual. Mas da estética sonora, das melodias e sobretudo mensagens, o que se destaca é o caminho da esperança, desafiadora pelos medos do futuro social e das lutas individuais. Nota 10! Para a média de produção fonográfica goiana em momentos de coração partido, você foi quase um Zeitgeist da Era de Aquário (risos). A reta está ascendente na cronologia dos álbuns. Esse para mim ficou uma pepita de ouro, no tom certo da melancolia e energia. Sem falar na mixagem que é um destaque”.
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Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) - artista transmídia, pesquisador e professor - Goiânia, GO:
"Acabo de concluir o meu primeiro mergulho imersivo nesse novo e instigante álbum sonoro-poético-astral criado pela mente sagaz, inquieta e privilegiada do grande poeta-musicista e artista transmídia Fredé CF. Ao fruir "DEPOIS DO FUTURO", confesso que mais uma vez fui surpreendido por uma obra inovadora que desloca-se do espírito cancioneiro-violonista do musicista para investir de maneira mais intensa nos experimentos sonoro-digitais com ecos de Pink Floyd (Ummagumma), Kraftwerk e Tangerine Dream, tudo isso embalado em uma poesia singular, baseada no criativo e pungente universo de ficção científica MekHanTropia, uma elegia da aceleração do binarismo anticósmico, contextualizada com grande conhecimento e sagacidade sobre os meandros de nossa existência oprimida pela hiperinformação. Com essa viagem sonoro-poética-conceitual-reflexiva Fredé CF se instaura como um dos nomes mais importantes da música experiencial e psicodélica-experimental do centro-oeste e do Brasil. Sua já consistente discografia merece ser experienciada e conhecida por todos aqueles que aceitarem o desafio estético de serem surpreendidos pelo inusitado e iconoclasta projeto musical engendrado pelo artista. Concluo ressaltando que "DEPOIS DO FUTURO" não é uma obra que pode ser experienciada como pano de fundo de outras atividades na vida estafante da autodestruição imposta pelo hipercapital que tornou-nos obcecados com a hiperprodutividade. Desligue o celular, apague as luzes, feche os olhos e permita-se mergulhar no universo sonoro cósmico dessas 11 faixas, após a experiência te garanto que você não mais será o mesmo".
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Raquel Freitas - comunicadora - Goiânia, GO:
Depois
do Futuro é um álbum que fala das emoções, da beleza da vida e de como
encaramos os nossos processos evolutivos. Exalta a necessidade humanística de
dar um passo à frente. Confesso que não foi tão fácil mergulhar nesse mar de
emoções. Perceptível a forma como o emocional sobressaiu o lado racional o que
resultou num trabalho muito complexo e ao mesmo tempo, graciosamente belo.
Encantador! Procurei com bastante destreza e leveza me aprofundar em suas
emoções para conduzir a resenha deste álbum da maneira delicada e empática que
ele merece, e a partir de então, tentei extrair minhas impressões sobre esse
tão imersivo projeto. Então, vamos à
resenha?
Ahhh, o
tempo! Quem somos nós contra ele? Ninguém! Ele é implacável. O ano é 2023. A
data 22 de fevereiro. O dia quarta-feira. DE CINZAS. E foi numa Quarta-Feira de
Cinzas que Fredé CF inaugurou o portal de um novo começo. Tão cheio de
expectativas a procura do equilíbrio, através dos recomeços, presenteando a
todos que admiram a sua arte: O lançamento do seu décimo álbum: DEPOIS DO
FUTURO. O álbum que de cinza só tem a quarta-feira, explode em vivacidade e
sentimentalismo em faixas que possuem uma sonoridade que encanta e fascina. O
grandioso projeto sonoro, apresenta toda a musicalidade de Fredé CF em uma
frequência rítmica que se intercala entre o vocal e o instrumental, tamanha
liberdade e maturidade artística. Para mim, foi perceptível referências de
projetos anteriores como Canúbis, além de Kraftwerk e Kid Abelha. O álbum alia
a plena transmutação de Fredé CF, reconhecendo seu lado mais imersivo e
intimista que se desenvolve no decorrer dos meses, das semanas, dos dias... a
fase introspectiva de todo ser humano é revelada por meio dos acordes musicais
e das façanhas do tempo que nunca para. O tempo que é sempre presente e que de
tão democrático, chega a um patamar onde é impossível cessá-lo. Será? E durante
esse período contínuo, tão permanente em nossas vidas, pisamos no freio do
tempo. Paramos por 40 minutos. Cessamos o tempo para contemplar as faixas desse
projeto sem um pingo de moderação. O que será que vem DEPOIS DO FUTURO? Você
não sabe? Eu também não sei, mas Fredé CF nos convida a descobrir junto com ele
essa incógnita atemporal. Bora lá? Segue o faixa-a-faixa do álbum:
FAIXA
1 - P(SICK)HUMANCRON: O tempo começa sua contagem regressiva por aqui. A faixa
que abre o álbum Impressiona pela diversidade de sons. A voz robotizada e
automaticamente comandada que ecoa ao fundo, muito me lembrou Kraftwerk. A voz
se funde com indesejáveis contrações involuntárias: uma tosse bastante incômoda
que se junta a barulhos efervescentes, borbulhantes que incansavelmente tentam
expelir o que adoece o corpo, a alma e o espírito. O som como testemunha da DOR
humana.
FAIXA
2 - MALWARE H6N66: O que fizemos no espaço-tempo? Ouvimos Malware h6n66. Nesta
faixa, O barulho do vento e os caprichados arranjos do violão transitam por
toda a faixa com se tentassem suavizar o som que exprime o peso da ganância. Os
interesses financeiros como prioridade vital. A ambição sem medida ao ponto de
se tornar exploratória. A adoração pelo poder e pelo dinheiro que nos enoja
diante da atitude arrogantemente capitalista que permeia a mente de alguns
humanos.
FAIXA
3 - LIMBO (Nos olhos do cão): O tempo é relativo e nesta faixa além de
relativo, o tempo musical de 04:48 é também completamente instrumental. E que
instrumental, viu? A introdução me traz aquela sensação daquelas lindas
paisagens que assistimos em filmes medievais. Pura sensação de leveza. Já no
restante da faixa, as cordas do violão flui musicalmente por nós.
Ma-ra-vi-lho-so!!
FAIXA 4 - SONHOS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO: O tempo é curto assim como essa faixa, onde é nítida a afirmação de algumas de nossas certezas. Os arranjos iniciais muito me lembraram Kid Abelha. A música é pequena nos versos e gigante nas reflexões. Fredé CF poeticamente recita 4 versos de cartazes de lambe-lambe que foram espalhados na praia da Joaquina em Florianópolis (SC), que nos remetem a muitos questionamentos todos repletos de muita verdade, indagações e belas afirmações. O videoclipe dessa música também ficou genial com uma estética visual bucólica e poética. Para quem ainda não assistiu, fica a dica!
FAIXA
5 - VIDA (O imutável perece): Aqui o tempo não para. A frase sobre o tempo é
uma referência a canção homônima de Cazuza, que aqui se aplica muito bem por
conta de toda construção narrativa dessa música. A introdução muito me lembrou
Kraftwerk. A mistura rítmica entre o vocal, o instrumental e o experimental e
assim como essa mudança rítmica, vivemos a necessidade incessante de mudar.
Renovar. Recomeçar. Se mover. Jamais estagnar. Transmutar. Literalmente não
parar no tempo.
FAIXA
6 - GAIA: O Tempo voa. E como voa! Nesta faixa, pude perceber influências de
trabalhos anteriores, como o álbum Canúbis, lançado em fevereiro de 2022. Uma
maravilhosa releitura, com as devidas e pertinentes adaptações, conta com a
participação mais do que especial de Letícia Guelfi nos vocais, e do professor
e artista transmídia Edgar Franco e seus maravilhosos instrumentos mágicos. A
faixa 6 estabelece uma conexão entre o humano e a mãe natureza. A essência
primordial de onde viemos e de tudo que nos circunda. A contemplação da beleza
desta vida.
FAIXA
7 - (DES)AFIXIA (DEPOIS DO FUTURO) : O tempo passa. Até ultrapassar o futuro.
Com participação especial do guitarrista Gustavo Ponciano, iniciaremos a
análise da faixa título com as seguintes perguntas: O que antecede o passado? O
que nos apresenta o presente? O que temos depois do futuro? A faixa título
deste álbum nos responde a esses questionamentos através do trecho do livro
“Depois do Futuro” de Franco Berardi, lançado em 2019, que ressalta a
velocidade das coisas, das pessoas, das comunicações. A tristeza em meio o
fanatismo dos alienados. A beleza da vida, da poesia, da autonomia. É a arte e
o tempo que urge, que surpreende, que transforma, que...TOCA! Sensacional!
FAIXA
8 – PARA TODOS E NINGUÉM: Há tempo pra tudo, inclusive para recitar o amor em
todas as suas esferas. O amor que justifica os atos, se apresenta nos espaços,
se integra na imensidão da alma. O amor de sentimentos dilacerados, o amor que
dá cor a vida, que é pura arte. Eu literalmente estou amando essa música e por
tamanha expressividade na força desse lindo sentimento, é a minha preferida do
álbum. Foi amor à primeira ouvida (risos)!
FAIXA 9 – AYLA (SOBRE O BRILHO DO AMOR): O tempo
cura tudo. Na faixa 9, Fredé CF poeticamente retrata as diversas faces do amor.
A ascensão. O perdão. Dores. Sonhos compartilhados. Memórias. Uma música. Uma
poesia. Grandes significados. Há muita sensibilidade poética aí dentro. Coisa
linda de se ouvir!!
FAIXA
10 – REFLUXO (DOS ABISMOS) – O tempo é o senhor da razão. E na faixa que fecha o
álbum, Fredé CF, coloca para fora, ou melhor, expõe através dos versos os seus
sonhos e sentimentos mais paradoxais em consonância com o momento presente, com
memórias passadas. Dores do ser humano em sua essência que busca em todos os
sentidos, depois do futuro e após as tempestades, uma forma de ser valorizado,
reconhecido e validado.”
Clique nas imagens da postagem para acessar "Depois do Futuro"
Gazy
Andraus - artista transmídia, pesquisador e professor - Ituiutaba, MG:
"Mais
uma obra interessante e instigante que mescla sons musicalizados entremeados a
falas de reflexão dentro do universo da MekHanTropia, criado por Fredé CF. O autor
é doutorando pelo PPGACV FAV-UFG, e neste novo álbum traz convidados que instigam
mais ainda seu universo. Dou um destaque para a faixa “9 - Ayla (Sobre o brilho do
amor)”, cuja introdução sonora me lembra musicalidade
atmosférica arábica. Vale conhecerem e ouvirem!"
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Cida Mendes - atriz e humorista - Paracatu,
MG:
"Só
hoje ouvi tudim com fone pra sentir bem seu som… Já ia dizer que é um universo
novo, mas de ‘uni’ não tem nada! A coisa vai passando assim da música pra
poesia e pra um lugar desconhecido. Adorei a experiência de ouvir 🎧… Devia ir pras
escolas...já pensou?"
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Sobre o videoclipe "Sonhos para adiar o fim do mundo":
Amante
da Heresia - artista transmídia, pesquisador e professor - Brasília, DF:
"muito
massa a poética visual de um olho que vaga até ser intimado ao final a
responder sobre a eminência do fim do mundo. há 523 anos nossos
intrapocalipsianos! nos impuseram um apocalipse. mas resistimos. e na
resistência surge essa sabedoria krenakeana com temperos frederinos! tenhamos
ideias, sonhemos e realizemos poesia para que o
fim do mundo seja adiado. não o mundo do capital, pois este queremos é
acelerar seu fim que tb é eminente! parabéns grande fredé continuemos!"
Daniel
Cardoso - artista visual e funcionário público - Goiânia, GO:
"Parabéns
Fredé. Ficou muito bom. Disruptivo, assim como o álbum! A realidade nos torna estáticos. Sua busca em
transcender essa realidade inspira e movimenta."
Links
para contato e para conhecer e aprofundar nas obras do universo de MekHanTropia:
Youtube:
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BandCamp:
https://fredecf.bandcamp.com/
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Álbum “Depois do Futuro”, de Fredé CF (2023)
Novo álbum de Fredé CF:
“Depois do Futuro”.
Lançamento feito na quarta-feira de
cinzas, dia 22/02/2023.
Prólogo/Conceito:
Em MekHanTropia as diferenciações
entre o ordinário e o extraordinário se perdeu, ou melhor, foram intencionalmente
perdidas. Pelos sonhos, pelas telas, pelo ódio, pela destruição e pelo consumo
o sistema acessa e lucra sobre os desejos mais profundos de cada um e, assim,
imputa suas narrativas mekhantrópicas nos inconscientes como regimes de
verdades absolutas. Esse controle psicobinário é instituído alterando o
pensamento dos agora bovíduos mekhantropomorfizados que não conseguem mais
distinguir suas subjetividades.
O malware h6n66 recodificou as
relações planetárias e alterou a composição daquilo que antes se chamava de
“humano”, criando uma horda demoníaca transdimensional de zumbis tecnocratas
milicianos acríticos que instituem pesadelos em todas as três realidades ascottianas
conhecidas nesse universo (validada, virtual e vegetal).
Essas hordas, batizadas como
“HumanCron”, são lideradas pelo déspota necropolítico genocida conhecido como
“Messias”. Elas têm a incumbência de gerar pesadelos algorítmicos em quem tenta
“despertar” de MekHanTropia. “Succubus” e “Incubus” são os demônios nobres de
alta patente dessa horda. Pelos sonhos, eles sugam a energia vital e prendem os
resistentes em seus pesadelos mekhantrópicos.
Porém, uma usuária de codinome
“Ayla” conseguiu desorganizar o sistema e vencer uma batalha contra o “Messias”,
organizando e conduzindo uma resistência fragmentada a partir de dimensões fantásticas
oníricas que são inacessíveis às hordas neofascistas neopentecostais do Messias,
libertando e lançando luz sobre alguns aspectos sombrios que permeavam as três
realidades ascottianas. Tais movimentos de Ayla abriram novos portais de acesso
à Realidade Vegetal, até então oprimida e rejeitada pelo Messias, que está
agora absorvido pelo Limbo (com paradeiro exato desconhecido), após encontros
transdimensionais com Ayla e com o Cão Breu.
A esperança começa a tomar
conta e despertar as mentes mekhantrópicas cooptadas. Ayla lidera um resgate de
todo o conhecimento e sabedoria ancestral para reconectar a humanidade à Gaia e
todo o universo fantástico que a compõe e foi devastado ultimamente pela
MekHanTropia. Será que ainda há como reverter a situação?
Por outro lado, após o contato
com o Cão Breu e com o Acimador, Valdez se perdeu de Ayla e de si mesmo, e agora
transita juntando seus cacos em abismos sombrios fragmentados do Inferno do
Igual. Ele segue numa jornada de integração das sombras que o rodeiam, o
permeiam e o consomem, de fora para dentro e, sobretudo, de dentro pra fora
inserido no que ainda resta do sistema.
Mesmo ainda preso aos
resquícios de carbono e silício dos simulacros e simulações de MekHanTropia,
ele começa a se transmutar em refluxos, na contramão do sistema e tenta enxergar
saídas pela arte, pela ciência e pela poesia em meio às luzes psicobinárias
padronizantes dos fluxos digitais, utilizando as Inteligências Artificiais e
outras ferramentas tecnológicas como aliadas. É tempo de transição.
Transformação. Expurgo. Integração das sombras. Renovação. Transmutação.
O amor vencerá o ódio? Valdez
encontrará Ayla novamente? O Messias foi completamente extirpado? Os pesadelos
foram integrados? O que virá “Depois do Futuro” em MekHanTropia?
Ouça em estéreo, com a atenção
voltada de dentro pra fora, pra tentar descobrir.
Boa viagem!
——————————
Ficha Técnica:
- Fredé CF: vozes, violões,
baixo, percussão, samplers, sintetizadores, gritos, ruídos, gemidos, edições,
mixagens, capturas e apropriações.
- “Depois do Futuro” é parte
do universo transmídia onírico ficcional intitulado “MekHanTropia” (em
expansão), a obra integra minha pesquisa de doutorado (em andamento) em Arte e
Cultura Visual (UFG). O álbum foi composto, gravado, mixado, finalizado e
produzido pelo smartphone por Fredé CF em Goiânia – Goiás - Brasil, durante a
pandemia de COVID-19, entre os anos de 2022 e 2023.
Participações
Especiais:
- Leticia Guelfi: voz na faixa
6 (“Gaia”)
- Edgar “Ciberpajé” Franco:
instrumentos mágickos na faixa 6 [“Gaia”]
- Gustavo Ponciano: Guitarra e
arranjos na faixa 7 [“(des)Asfixia (Depois do Futuro)”]
Elementos poéticos
incidentais:
- Trechos da letra da faixa 4
[“Sonhos para adiar o fim do mundo”] inspirados em cartazes lambe-lambe colados
em postes na praia da Joaquina em Florianópolis-SC (dez/2022).
- Trechos da letra da faixa 6
[“Gaia”] retirados ou inspirados no livro “A Lei” de Aleister Crowley.
- Trechos da letra da faixa 7
[“(des)Asfixia (Depois do Futuro)”] retirados ou inspirados no “Manifesto
Pós-futurista” do livro “Depois do Futuro” (2019) de Franco Berardi, assim como
o conceito título desse álbum.
- Introdução
da faixa 8 [“Para todos e ninguém”] inspirada na composição “Also Sprach
Zarathustra”, de Richard Strauss, que também foi tema do filme “2001: Uma
Odisseia no Espaço”.
Para ir além (copie e cole na barra de endereços):
www.fredecf.bandcamp.com
www.mealuganao.blogspot.com
www.youtube.com/user/fredcfelipe/videos
Contatos:
e-mail: fredcfelipe@gmail.com
Instagram: @fredecf
F.Oak Produções Transmídia
2022.
——————————
Olá pessoal! Bom dia! Tudo joia?
Foi
publicado meu artigo intitulado “Lendas, pesadelos e processos criativos
transbinários em MekHanTropia: experimentalismo e autoconhecimento em meio às
trevas” nos anais do evento Entropía (SIIMI +
ART + BunB) 2022.
Leia o artigo completo pelo link:
Entropia foi o tema dos eventos internacionais: SIIMI (Simpósio Internacional de Inovação em Mídias Interativas), #Arte (Encontro Internacional de Arte e Tecnologia) e Balance-Unbalance, em suas edições 2022, que tiveram como sede o Museu de Arte Contemporânea da Universidad de Chile, em Santiago e ocorreram no segundo semestre de 2022.
O anais do SIIMI 2022 já está
disponível no site:
https://siimi.medialab.ufg.br/p/44853-anais-2022
Muitas pesquisas interessantíssimas podem ser acessadas por lá.
Confiram!
Um
excelente fim de semana a todas, todes e todos!
Saudações
anti-mekHanTrópicas!
Fredé CF
(03/02/2023)
IMPRESSÕES SOBRE
A OBRA "PESADELO" (VOL. 1 - “SUCCUBUS”)
Por Raquel
Alves de Freitas Nunes*
(resenha
feita no dia 20/10/2022, Dia do Poeta)
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Foi desafiador fazer essa resenha, ainda mais porque eu não tinha
conhecimento sobre o assunto. Foi muito interessante aprofundar na pesquisa e
ampliar o meu conhecimento quanto à espiritualidade. Amo esses assuntos. Quanto
ao álbum, modestamente falando e respeitando todo o processo de criação das
obras anteriores, esse para mim foi o mais surpreendente. Ainda estou
impressionada com a inserção da 9° sinfonia de Beethoven na quarta faixa do
primeiro EP. Algo inesperado que me surpreendeu demais.
Então, vamos à resenha sobre o álbum “PESADELO”, dividido em dois EPs: “SUCCUBUS”
e “INCUBUS”.
PARTE 1 - SUCCUBUS
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Fredé CF apresenta neste EP uma sonoridade multifacetada e arranjos
transcendentais. A beleza sonora que nos leva da música clássica à batida
eletrônica. SUCCUBUS apresenta nossos devaneios em meio ao “PESADELO” que se
desenvolve aqui de maneira ÍMPAR, literalmente, e ele nos propõe evidenciar as
respostas através dos versos musicais. O despertar de nós mesmos. É onde
encontraremos respostas para o que tanto buscamos. O que era para ser um sonho
virou um “PESADELO”. E assim, seguimos devorados pelas mazelas que atingem a
coletividade. O antagonismo social sem precedentes que não está em ressonância
com o que sempre sonhamos. Com o intuito de nos desvencilhar dessas
reproduções tão realistas dos nossos pensamentos, aliados a uma situação
apavorante e agoniante que vivemos, seguimos então com um pequeno spoiler de
cada faixa, onde será possível analisarmos como tudo isso se desenvolve através
de um olhar latente, presente na natureza humana.
Me encantei pelo questionamento sombrio e paradoxal da primeira, a angústia surrealista da terceira, a leitura intacta da mente provocada pela quinta faixa, o anseio vital da sétima, a comemoração desordenada da nona, a batida mística e eletrônica presente na décima primeira. Sendo assim, iniciamos a primeira parte desse “PESADELO”. O que desejamos ao deitar? Queremos descansar. E ao descansar o que queremos? Queremos dormir. E ao dormir será que é possível sonhar? E ao sonhar, será que vamos acordar? E ao acordar, será que realmente vamos despertar? Diante desse desafio onírico, Fredé CF apresenta logo abaixo 6 motivos para você ultrapassar as barreiras do seu subconsciente e despertar para a sua transcendência vital. Vamos lá?
Faixa 1 – O ESTRANHO MUNDO DE JURUPARI COM ZÉ DO CAIXÃO EM MEKHANTROPIA: O
despertar da consciência começa por aqui. Nesta primeira faixa, Fredé CF une
por meio de uma sonoridade peculiar aos rituais indígenas o mito de Jurupari,
que na mitologia indígena é conhecido como o demônio dos sonhos com um trecho
presente no filme “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, de 1968, narrado pelo
próprio cineasta José Mojica Marins. Um monólogo proposto por uma citação
baseada em fundamentações existencialistas arrebatadoras, que desnudam as
profundezas da essência humana. Uau!!
Faixa 3 – SWEET DARKNESS: Alucinação poética! A letra desta
faixa foi composta durante um momento de dor e introspecção vivenciado por
Fredé CF em decorrência da contaminação pela Covid-19. A faixa toda em inglês
tem como principal objetivo traduzir as dores, angústias e medos. Repressões
sombrias. Esgotamento mental. Nomofobias. Apatia psíquica. Uma sequência
melancólica, porém, elegantemente harmoniosa sobre a exposição de nossa
vulnerabilidade e fragilidade emocional.
FAIXA 5 – TELA MENTAL PARTICULAR: As percepções cognitivas ocultas estão
presente na terceira faixa do EP, que conta com a participação mais do que
especial de Guilherme Tell, guitarrista da banda Cão Breu que brilhantemente dá
o ar da sua graça na sonoridade dessa faixa que começa com um misto de
instrumentos. Ouço acordes de um violão, surgem barulhos que se assemelham ao
barulho do vento. Me recolho profundamente diante da diversidade dos meus pensamentos.
“Tela Mental Particular” vem de encontro com o instigante mistério do desvendar
da consciência. O cérebro humano como ciência a ser explorada. Tão complexo que
não permite ser transplantado. Tampouco habitado por outrem. Apenas explorado
pelo que sigilosamente permeia a mente.
FAIXA 7- A VERSÃO MAIS JOVEM QUE SEREI: As expectativas oníricas e
vitais são mencionadas aqui. Eis que chegamos na minha faixa preferida. A
necessidade de descobrir e redescobrir o que a vida tem a nos oferecer juntamente
com a transmutação diária de todos nós. Abrir as portas para o desconhecido. A
ânsia por viver! Me impressionei com a alternância sonora de ritmos aqui
proposta pela genialidade musical de Fredé CF. Os acordes de um violão
ritmado que vão de encontro com a 9° sinfonia de Beethoven definitivamente me
deixou boquiaberta com essa bela surpresa com status de Grand Finale!
Faixa 9 - UM BRINDE AO CAOS: A mistura de elementos musicais presentes
no início da faixa com sintetizadores, violão e outras mixagens me deixaram
hipnotizadas. A faixa conta com a participação do DJ , arquiteto, pesquisador,
designer e musicista Maurício Mota, que por meio de suas intervenções sonoras,
juntamente com Fredé CF, conseguiram elaborar um sensível questionário de
perguntas que reúnem elementos da natureza, sentimentos, emoções, um misto de
situações que passamos o tempo todo incessantemente procurando por essas
respostas em meio às nossas indagações cotidianas. A morte. A vida. As
relações. As sensações. As conexões. A loucura desordenada de tudo que
observamos, vivemos e sentimos. Um brinde ao caos e a essa maravilha musical!!
FAIXA 11 - ELETROCHOCK! (MÚSICA INCIDENTAL: KALI GAYATRI): A sua cura
energética está aqui. Batidas eletrônicas, samplers, O mantra indiano aqui
aparece com o propósito de romper o ego. Freneticamente ritmado, o mantra emana
a energia cósmica que deverá sempre dar espaço ao novo. Que vibra a cada verso e
ativa uma memória afetiva onde, com “Black Dog”, voltamos ao túnel do tempo com
o Uivo pioneiro e delirante do Cão Breu que finaliza de forma apoteótica esse
álbum.
IMPRESSÕES SOBRE
A OBRA "PESADELO" (VOL. 2 - “INCUBUS”)
Por Raquel
Alves de Freitas Nunes*
(resenha feita
no dia 31/10/2022, Dia Nacional da Poesia)
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Chegamos
ao segundo ato desse pesadelo, não é mesmo? Cada um dos álbuns lançados por Fredé
CF me traz alguma reflexão, me toca, me emociona de forma diferente através de
cada linha, cada estrofe e cada verso, aliado à sua sensibilidade poética que é
algo que me encanta. INCUBUS além de me proporcionar esse bombardeio de
emoções, chega com tudo isso e um “plus” a mais. Ao fazer a resenha
identifiquei coincidências impressionantes que se tornaram acrônimos numéricos,
sonhos reais, enfim...uma impressionante mensagem do universo que não aconteceu
com os outros oito álbuns anteriores. Algo surreal. Mágico. Falando em magia e
coisas bonitas hoje é o dia da poesia e meu pensamento remete a um tempo
distante, para ser mais específica, volto em maio de 2021, na poesia do café,
escrita e publicada nas redes por Fredé CF bem próximo do lançamento do EP “Ecos
Oníricos”. De todas, é a minha preferida.
Sem
mais delongas, vamos à resenha?
PARTE
2 - INCUBUS
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A
busca por respostas para esses devaneios sombrios ou cheios de luz é o que
iremos iniciar nessa resenha. O pesadelo foi tão grande que teve que ser
dividido em dois episódios musicais, com o lançamento de duas obras com a
finalidade de despertar a consciência e promover o autoconhecimento. Sendo
assim, exponho o que achei mais relevante em cada poesia sonora deste EP:
Na
faixa 2 temos o luto em prol do ativismo ambiental, na faixa 4 temos a
elucidação dos sonhos, a dor emocional ocasionada pela faixa 6, às exigências
impostas por nosso cotidiano tão presente na faixa 8, a elucidação poética
trazida pela faixa 10 e o renascimento vital proporcionado pela faixa 12. O
álbum é repleto de emoções do início ao fim. Detalhe que em INCUBUS as faixas
são PARES, já em SUCCUBUS elas são ÍMPARES. O EP é muito voltado para a
autopercepção e a elucidação de sentimentos. E é nessa vibe comemorativa a esse
dia tão especial que Fredé CF nos convida a brindar essa data com 6
emocionantes doses de poesia logo abaixo:
FAIXA
2 – SANGUE DERRAMADO: A tristeza poética
começa aqui. Na faixa 2 desse álbum, Fredé CF homenageia de forma profunda e
tocante dois grandes símbolos da luta pelo ativismo ambiental no Brasil: O
indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Philips, que foram brutalmente
assassinados em junho deste ano. O sangue derramado aqui escorre no decorrer da
faixa e ecoa de forma revoltante em meio ao descaso governamental que sucumbe a
sua responsabilidade quanto a proteção às minorias e as causas ambientais. A
canção indígena entoada por Bruno, vai ao encontro do silêncio do povo da
floresta que ficaram órfãos e desprotegidos de sua grande luta em prol da
proteção aos povos indígenas. Emoção literalmente à flor da pele.
FAIXA 4 – PISADEIRA: O eu lírico poético começa por aqui. O violão de Fredé CF inicia a faixa com acordes frenéticos que se desenvolve em quase toda a faixa e ao chegar ao seu final alternando para uma esplêndida sonoridade de um compasso mais lento. Em momento algum destoa do pesadelo real que se intensifica diante dos desejos, da esperança, das evidências, de tudo que é permitido diante do que se pode sonhar. Quando se acorda ao invés de realizar o sonho, temos um pesadelo, onde somos atraídos por toda força criativa e enigmática das frases: MORRI NESSA SEXTA-FEIRA/SERÁ QUE TRANQUEI BEM O PORTÃO? Indagações como essas adentram o nosso inconsciente e finaliza a canção acompanhado por um beat box muito bem executado por Fredé CF e assim, vamos tentando decifrar os mistérios desse eu-lírico arrebatador.
FAIXA 6 -NADANDO NO SAL COM SAPOS: A melancolia poética se manifesta aqui. A introdução dessa faixa traz para mim um cenário cósmico. É como se estivesse orbitando pelo espaço, pelas galáxias, por meio de satélites e planetas. E nessa viagem imaginária, ou melhor, interplanetária, Fredé CF busca respostas para seu desabafo tão agoniante. Com uma voz icônica que remete ao horror e ao terror, a narrativa musical se desenvolve como uma súplica mediante a vontade de se libertar de suas angústias, das suas dores e seus conflitos emocionais. A loucura digital cotidiana que tanto seduz e impressiona, também contribui para esse panorama tão conflitante. Desânimo. Fúria. Desesperança. “Nadando no Sal com Sapos” é o relato desesperado da dor emocional que sufoca, aprisiona e atormenta.
FAIXA 8 - ESCRAVO DE AGRADO: A fúria poética se manifesta por aqui. Nesta faixa Fredé CF relata as exigências das nossas demandas de cada dia, seja elas no trabalho, no meio acadêmico ou em outros momentos da nossa vida onde temos que utilizar a palavra disposição para lidar com tantos compromissos. O violão ecoa em um mesmo ritmo, como se as cordas fizessem parte dessa rotina diária do agrado sem fim. A imposição de lutar e vencer em prol dos sonhos alheios. Ser comandado e obedecer aos comandos sem reclamar, independente de quaisquer circunstâncias, sejam elas psíquicas ou físicas. Esgotamento. A busca por resultados que resulta na vaidade que irá inflar o ego de alguém. Pressão. A necessidade infinita de agradar independente de qual artifício será utilizado. O indivíduo como agente principal na máquina da produtividade. Do status. A ambição onde nunca se pode dizer não. A escravidão em tempos modernos. “Escravo de Agrado” é a expressão visceral em prol de um olhar mais humanizado para as exigências sociais.
FAIXA 10 – O ESTRANHO MUNDO DA POESIA (DIÁRIOS DE QUARENTENA): As descobertas poéticas começam aqui. E no dia da poesia o que temos aqui? Um relato que foge das alucinações poéticas, como forma de entendimento de todo o desenvolvimento artístico que envolve o estranho não, mas o expressivo, maravilhoso e encantador mundo das poesias de Fredé CF. Pareidolias à parte, os mistérios da poesia são desvendados aqui por meio do significado do ato poético como uma forma de ressignificar as emoções. Além disso, traz todo o contexto artístico que envolvem estas descrições através de situações que também podem sem surrealistas e trazem à tona, a elucidação desse mundo dos delírios poéticos. Entender melhor como é composto esse processo criativo, fez de “O estranho mundo da poesia” a minha preferida do álbum.
FAIXA
12 - DESPERTAR EM MEKHANTROPIA: O despertar poético começa aqui. O EP que
começou tão triste após a tragédia relatada em “Sangue Derramado”, se encerra
de maneira entusiasmada com o despertar para a esperança. A certeza de que
querer viver é desfrutar de tudo que a vida puder nos proporcionar. Novas
experiências é saber que a vida renasce a cada dia. “Despertar em MekHanTropia”
é desabrochar para as possibilidades. É de dentro para fora. É a cura da alma,
da mente e das dores. É o grito de superação mediante a intensidade fugaz de
viver cada dia como se fosse o último.
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| EP (Vol. 1) Succubus, de Fredé CF. Arte da capa: Ciberpajé. |
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| EP (Vol. 2) Incubus, de Fredé CF. Arte da capa: Ciberpajé. |
Busco com essa obra narrativa musical (que se expande às visualidades) refletir sobre aspectos da condição e condução humana atual, costurando histórias alegóricas com estranhos e horroríficos personagens que habitam a imaginação. Com influências como Bob Dylan, Buffalo Springfield, Pink Floyd, Mark Lanegan, Sérgio Sampaio, Chico Science & Nação Zumbi, Paulinho Moska, Arnaldo Antunes, entre outras, as faixas transitam pelos contrastes e colagens de sons, ruídos e vocalizações (como em todo o projeto musical solo situado em MekHanTropia), entre o orgânico, acústico, natural, analógico, atávico e o eletrônico, maquínico, digital, sintetizado. Uma espécie de dark-folk psicodélico, numa perspectiva primitivista e contestatória, todo criado, captado, mixado, produzido e distribuído pelo smartphone.
O arquiteto, designer, músico e artista visual Maurício Mota (que
também participa com sons e ambientações eletrônicas da faixa Um brinde ao
Caos), comenta que a obra:
"Não é um trabalho que traga uma raiva, um rancor – apesar dos timbres evocarem isso em essência. É uma coleção de sons que somam a uma atitude de combate. Da não aceitação. Fredé faz todos os registros em casa, no quarto, usando um celular e vários plugins de gravação/produção musical. Falo que são registros porque é uma espécie de documento a obra como um todo. Funciona muito bem desta maneira, pois te convida, através de suas camadas de sons e texturas, a passear por um cotidiano atual da vivência humana neste grande e diverso país latino americano que é o Brasil. É uma história sem estruturas fixas. Uma aura solta no ar, esperando uma energia grudar" (Maurício Mota, 2022).
https://open.spotify.com/playlist/29vEb4lrt1K5PgMngDl32r?si=36396429fa2c4789
Há também o videoclipe da faixa intitulada “EletroShock (Kali Gayatri Mantra)”. A música faz alusão à deusa indiana Kali, além de haver uma referência ao Cão Breu andando nas sombras noturnas pela frase dita durante a música: “The Black Dog walks at night”. Na mitologia oriental, Kali é uma deusa muito poderosa e muitas vezes temida. Esse temor vem muito de sua aparência e da ignorância sobre a dualidade que ela representa: bem e mau, claro escuro, etc. Os contrastes permeados pelas nuances que se dão nesses entres maniqueístas binários. Kali tem relação com a noite eterna, com o poder do tempo, o infinito e a transformação inexorável. A destruição para recriar.
Kali é representada pela cor preta em alusão à escuridão, estágio inicial de todas as cores e de onde vem a iluminação. Ela traz uma guirlanda de cinquenta cabeças humanas, representando letras do alfabeto sânscrito, o que simboliza o conhecimento e a sabedoria. Ela usa também um cinto de mãos humanas decepadas, representando os principais instrumentos de trabalho e, metaforicamente, a ação do karma. Ela representa a libertação dos ciclos do karma. Seus quatro braços simbolizam o círculo da destruição (lado esquerdo) e da criação (lado direito), representando os ciclos e ritmos inerentes ao cosmos. Ela segura uma espada ensanguentada e uma cabeça decepada. A cabeça da ignorância e a espada do conhecimento. Seus três olhos representam o Sol, a Lua e o Fogo, com os quais ela pode observar o passado, o presente e o futuro. Esses poderes também dão origem ao nome “Kali”, que vem de “Kala”, o termo sânscrito para “Tempo”.
Kali representa a morte do ego, que vê nela uma
terrível ameaça. Sendo assim, em uma cultura cada vez mais egóica verá Kali
como algo assustador. O mantra cantado na faixa diz: “Om kalikaayae cha
vidhmahe Shamshaanvaasinyae dhimahi Tanno aghoraa prachodayath” (Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Z6UBFBGiGDU&t=1745s Acesso em: 05/07/2022).
Sobre o videoclipe "EletroSHOCK!", o artista transmídia e multimídia Léo Pimentel (a.k.a. Amante da Heresia) comentou:
"uou! respirei profundamente, pirei intensamente e me inspirei transgressivamente! muito phoda! da música que liberta nosso corpo dos grilhões da alma - esta máquina de criar âncoras para nossa dança - à narrativa visual em loopings, voltas e revoltas! globo e glóbulos da morte! adorei! e por isso uma provocação: nós, humanos, demasiado humanos é quem trazemos o vazio ao mundo, para este ser realizado em toda a sua plenitude. e o pós-vazio? o que seria isso? a abstração completa? ou a realização da máxima de douglas adam, "nada é impossível. mas altamente improvável"? hahaha - valeu grande fredé! belezura de obra!" (Amante da Heresia)
Penso que as máquinas podem criar âncoras na gente (e geralmente é o que acontece em função do sistema da hiperprodutividade), mas também podem soltar a imaginação. O problema, assim, talvez esteja nas maneiras como as máquinas estão sendo usadas e fruídas. A frase de Adams (trazida pelo Amante da Heresia) me fez pensar que entre o impossível e o improvável há a vida em toda a sua complexidade e possibilidade, e, por isso, resistência. A vida e suas nuances como a tão clamada resistência, assim como a arte. E a morte faz parte da vida (e da arte) e nos estapeia a cara constantemente mostrando que tudo é movimento, tudo muda o tempo todo, num movimento de des-apropriação de tudo que se coloca como “o que é”. Rastros in-significantes. Pinceladas de ausência. Como se o vazio fosse entendido enquanto um meio de afabilidade entre as imagens que passam uma nas outras constantemente. Imagens aceleradas pelas máquinas. Um desprendimento intenso entre a ausência e a presença, entre ser e não ser, sem expressar nada em definitivo. Nada urge, nada se limita, nada se fecha, e ao mesmo tempo tudo se aconchega e se espelha no fluxo binário delirante. E não adianta querer que as coisas sejam imoveis e imutáveis…nem na morte elas são. Não temos esse domínio ilusório. Acha-se que temos o poder de domínio sobre o caos…doce ilusão…é por isso que penso que cada momento é importante, pq nunca sabemos o que irá acontecer no momento a seguir. E cada vez presta-se menos atenção aos momentos. Na possibilidade e na probabilidade de viver está presente muita dor e sofrimento (utilizados como estratégia de cooptação pela anestesia), mas também afetos, amor e alegrias presas nos instantes cada vez mais curtos e fugazes aniquilados pelo hiperfluxo e hipercompetição…instantes mágicos que se diluem sem pausa nas telas do mundo 24/7…isso é o que me assusta.