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terça-feira, abril 04, 2023

[Impressões & Apreciações] Sobre o álbum “Depois do Futuro”, de Fredé CF

 


Ouça o álbum em: https://fredecf.bandcamp.com/ e em https://www.youtube.com/@fredecf/videos

Olá pessoal, tudo joia? Fiquei muito feliz com a repercussão e comentários sobre o álbum “Depois do Futuro”, que lancei na quarta-feira de cinzas desse ano (22/02/2023). 

Leia abaixo alguns relatos sobre as impressões e análises que o álbum gerou:

Roberto Franco - linguísta e culinarista – São Paulo, SP: 

Só consegui ouvir o disco hoje, correria danada esses dias. Vou comentar por escrito para não deixar nada de fora. De início é o meu favorito da série. Disparado. A mixagem ficou muito agradável, mais pop e acho que valorizou tudo, instrumental e vocal. Seu vocal está claro, afinado, impostado, impecável. Esse caráter mais experimental também me impressionou bastante porque ele é presente por si só mas ainda sim é muito palatável, não causa o incomodo proposital de outras obras suas, no auge da fúria antifascista. Remete mais a psicodelia 60's e creio que isso amplia muito o alcance a ouvidos mais convencionais. Também gostei muito da temática, por ser um encerramento de alívio da sombra apocalíptica do bolsonarismo, o que transita muito com o espírito do tempo, no consciente coletivo geral. E é claro, traduz bastante também o momento de transformação que você mesmo vive. Uma obra universal, tanto quanto as outras.  Mas essa, além do alívio social, da luz no fim do túnel para a nação, também cria uma travessia, íntima. Contrastante, porque no inferno que antes era fora agora é dentro. Que se mostra nas reflexões mais existenciais e filosóficas sobre um eu-lírico que trata de si, mais do que do mundo. Mas não traz desesperança. Ao contrário. Entre o alívio coletivo e as trevas pessoais, o fio que conduz o ouvinte é otimista. Em si, entendi como um álbum que fala de amor, de esperança e de ciclos. Do mundo que é o palco e, sobretudo, do eu-lírico em sua existência individual. Menos MekHanTropia e mais Fredé. Não desmerecendo as obras anteriores, essa, dentre todas, é a que mais merece o prêmio. Seja por indicação ou reconhecimento de crítica. Mandou bem demais! O caos nunca tem fim, antes coletivo hoje individual. Mas da estética sonora, das melodias e sobretudo mensagens, o que se destaca é o caminho da esperança, desafiadora pelos medos do futuro social e das lutas individuais. Nota 10! Para a média de produção fonográfica goiana em momentos de coração partido, você foi quase um Zeitgeist da Era de Aquário (risos). A reta está ascendente na cronologia dos álbuns. Esse para mim ficou uma pepita de ouro, no tom certo da melancolia e energia. Sem falar na mixagem que é um destaque”.

Clique nas imagens da postagem para acessar "Depois do Futuro"


Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) - artista transmídia, pesquisador e professor - Goiânia, GO:

"Acabo de concluir o meu primeiro mergulho imersivo nesse novo e instigante álbum sonoro-poético-astral criado pela mente sagaz, inquieta e privilegiada do grande poeta-musicista e artista transmídia Fredé CF. Ao fruir "DEPOIS DO FUTURO", confesso que mais uma vez fui surpreendido por uma obra inovadora que desloca-se do espírito cancioneiro-violonista do musicista para investir de maneira mais intensa nos experimentos sonoro-digitais com ecos de Pink Floyd (Ummagumma), Kraftwerk e Tangerine Dream, tudo isso embalado em uma poesia singular, baseada no criativo e pungente universo de ficção científica MekHanTropia, uma elegia da aceleração do binarismo anticósmico, contextualizada com grande conhecimento e sagacidade sobre os meandros de nossa existência oprimida pela hiperinformação. Com essa viagem sonoro-poética-conceitual-reflexiva Fredé CF se instaura como um dos nomes mais importantes da música experiencial e psicodélica-experimental do centro-oeste e do Brasil. Sua já consistente discografia merece ser experienciada e conhecida por todos aqueles que aceitarem o desafio estético de serem surpreendidos pelo inusitado e iconoclasta projeto musical engendrado pelo artista. Concluo ressaltando que "DEPOIS DO FUTURO" não é uma obra que pode ser experienciada como pano de fundo de outras atividades na vida estafante da autodestruição imposta pelo hipercapital que tornou-nos obcecados com a hiperprodutividade. Desligue o celular, apague as luzes, feche os olhos e permita-se mergulhar no universo sonoro cósmico dessas 11 faixas, após a experiência te garanto que você não mais será o mesmo".

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Raquel Freitas - comunicadora - Goiânia, GO:

Depois do Futuro é um álbum que fala das emoções, da beleza da vida e de como encaramos os nossos processos evolutivos. Exalta a necessidade humanística de dar um passo à frente. Confesso que não foi tão fácil mergulhar nesse mar de emoções. Perceptível a forma como o emocional sobressaiu o lado racional o que resultou num trabalho muito complexo e ao mesmo tempo, graciosamente belo. Encantador! Procurei com bastante destreza e leveza me aprofundar em suas emoções para conduzir a resenha deste álbum da maneira delicada e empática que ele merece, e a partir de então, tentei extrair minhas impressões sobre esse tão imersivo projeto.  Então, vamos à resenha?

Ahhh, o tempo! Quem somos nós contra ele? Ninguém! Ele é implacável. O ano é 2023. A data 22 de fevereiro. O dia quarta-feira. DE CINZAS. E foi numa Quarta-Feira de Cinzas que Fredé CF inaugurou o portal de um novo começo. Tão cheio de expectativas a procura do equilíbrio, através dos recomeços, presenteando a todos que admiram a sua arte: O lançamento do seu décimo álbum: DEPOIS DO FUTURO. O álbum que de cinza só tem a quarta-feira, explode em vivacidade e sentimentalismo em faixas que possuem uma sonoridade que encanta e fascina. O grandioso projeto sonoro, apresenta toda a musicalidade de Fredé CF em uma frequência rítmica que se intercala entre o vocal e o instrumental, tamanha liberdade e maturidade artística. Para mim, foi perceptível referências de projetos anteriores como Canúbis, além de Kraftwerk e Kid Abelha. O álbum alia a plena transmutação de Fredé CF, reconhecendo seu lado mais imersivo e intimista que se desenvolve no decorrer dos meses, das semanas, dos dias... a fase introspectiva de todo ser humano é revelada por meio dos acordes musicais e das façanhas do tempo que nunca para. O tempo que é sempre presente e que de tão democrático, chega a um patamar onde é impossível cessá-lo. Será? E durante esse período contínuo, tão permanente em nossas vidas, pisamos no freio do tempo. Paramos por 40 minutos. Cessamos o tempo para contemplar as faixas desse projeto sem um pingo de moderação. O que será que vem DEPOIS DO FUTURO? Você não sabe? Eu também não sei, mas Fredé CF nos convida a descobrir junto com ele essa incógnita atemporal. Bora lá? Segue o faixa-a-faixa do álbum:

FAIXA 1 - P(SICK)HUMANCRON: O tempo começa sua contagem regressiva por aqui. A faixa que abre o álbum Impressiona pela diversidade de sons. A voz robotizada e automaticamente comandada que ecoa ao fundo, muito me lembrou Kraftwerk. A voz se funde com indesejáveis contrações involuntárias: uma tosse bastante incômoda que se junta a barulhos efervescentes, borbulhantes que incansavelmente tentam expelir o que adoece o corpo, a alma e o espírito. O som como testemunha da DOR humana.

FAIXA 2 - MALWARE H6N66: O que fizemos no espaço-tempo? Ouvimos Malware h6n66. Nesta faixa, O barulho do vento e os caprichados arranjos do violão transitam por toda a faixa com se tentassem suavizar o som que exprime o peso da ganância. Os interesses financeiros como prioridade vital. A ambição sem medida ao ponto de se tornar exploratória. A adoração pelo poder e pelo dinheiro que nos enoja diante da atitude arrogantemente capitalista que permeia a mente de alguns humanos. 

FAIXA 3 - LIMBO (Nos olhos do cão): O tempo é relativo e nesta faixa além de relativo, o tempo musical de 04:48 é também completamente instrumental. E que instrumental, viu? A introdução me traz aquela sensação daquelas lindas paisagens que assistimos em filmes medievais. Pura sensação de leveza. Já no restante da faixa, as cordas do violão flui musicalmente por nós. Ma-ra-vi-lho-so!!

FAIXA 4 - SONHOS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO: O tempo é curto assim como essa faixa, onde é nítida a afirmação de algumas de nossas certezas. Os arranjos iniciais muito me lembraram Kid Abelha. A música é pequena nos versos e gigante nas reflexões. Fredé CF poeticamente recita 4 versos de cartazes de lambe-lambe que foram espalhados na praia da Joaquina em Florianópolis (SC), que nos remetem a muitos questionamentos todos repletos de muita verdade, indagações e belas afirmações. O videoclipe dessa música também ficou genial com uma estética visual bucólica e poética. Para quem ainda não assistiu, fica a dica!

FAIXA 5 - VIDA (O imutável perece): Aqui o tempo não para. A frase sobre o tempo é uma referência a canção homônima de Cazuza, que aqui se aplica muito bem por conta de toda construção narrativa dessa música. A introdução muito me lembrou Kraftwerk. A mistura rítmica entre o vocal, o instrumental e o experimental e assim como essa mudança rítmica, vivemos a necessidade incessante de mudar. Renovar. Recomeçar. Se mover. Jamais estagnar. Transmutar. Literalmente não parar no tempo.

FAIXA 6 - GAIA: O Tempo voa. E como voa! Nesta faixa, pude perceber influências de trabalhos anteriores, como o álbum Canúbis, lançado em fevereiro de 2022. Uma maravilhosa releitura, com as devidas e pertinentes adaptações, conta com a participação mais do que especial de Letícia Guelfi nos vocais, e do professor e artista transmídia Edgar Franco e seus maravilhosos instrumentos mágicos. A faixa 6 estabelece uma conexão entre o humano e a mãe natureza. A essência primordial de onde viemos e de tudo que nos circunda. A contemplação da beleza desta vida. 

FAIXA 7 - (DES)AFIXIA (DEPOIS DO FUTURO) : O tempo passa. Até ultrapassar o futuro. Com participação especial do guitarrista Gustavo Ponciano, iniciaremos a análise da faixa título com as seguintes perguntas: O que antecede o passado? O que nos apresenta o presente? O que temos depois do futuro? A faixa título deste álbum nos responde a esses questionamentos através do trecho do livro “Depois do Futuro” de Franco Berardi, lançado em 2019, que ressalta a velocidade das coisas, das pessoas, das comunicações. A tristeza em meio o fanatismo dos alienados. A beleza da vida, da poesia, da autonomia. É a arte e o tempo que urge, que surpreende, que transforma, que...TOCA! Sensacional!

FAIXA 8 – PARA TODOS E NINGUÉM: Há tempo pra tudo, inclusive para recitar o amor em todas as suas esferas. O amor que justifica os atos, se apresenta nos espaços, se integra na imensidão da alma. O amor de sentimentos dilacerados, o amor que dá cor a vida, que é pura arte. Eu literalmente estou amando essa música e por tamanha expressividade na força desse lindo sentimento, é a minha preferida do álbum. Foi amor à primeira ouvida (risos)!

FAIXA  9 – AYLA (SOBRE O BRILHO DO AMOR): O tempo cura tudo. Na faixa 9, Fredé CF poeticamente retrata as diversas faces do amor. A ascensão. O perdão. Dores. Sonhos compartilhados. Memórias. Uma música. Uma poesia. Grandes significados. Há muita sensibilidade poética aí dentro. Coisa linda de se ouvir!!

FAIXA 10 – REFLUXO (DOS ABISMOS) – O tempo é o senhor da razão. E na faixa que fecha o álbum, Fredé CF, coloca para fora, ou melhor, expõe através dos versos os seus sonhos e sentimentos mais paradoxais em consonância com o momento presente, com memórias passadas. Dores do ser humano em sua essência que busca em todos os sentidos, depois do futuro e após as tempestades, uma forma de ser valorizado, reconhecido e validado.”

Clique nas imagens da postagem para acessar "Depois do Futuro"


Gazy Andraus - artista transmídia, pesquisador e professor - Ituiutaba, MG:

"Mais uma obra interessante e instigante que mescla sons musicalizados entremeados a falas de reflexão dentro do universo da MekHanTropia, criado por Fredé CF. O autor é doutorando pelo PPGACV FAV-UFG, e neste novo álbum traz convidados que instigam mais ainda seu universo. Dou um destaque para a faixa “9 - Ayla (Sobre o brilho do amor)”, cuja introdução sonora me lembra musicalidade atmosférica arábica. Vale conhecerem e ouvirem!" 

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 Cida Mendes - atriz e humorista - Paracatu, MG:

"Só hoje ouvi tudim com fone pra sentir bem seu som… Já ia dizer que é um universo novo, mas de ‘uni’ não tem nada! A coisa vai passando assim da música pra poesia e pra um lugar desconhecido. Adorei a experiência de ouvir 🎧… Devia ir pras escolas...já pensou?"

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Sobre o videoclipe "Sonhos para adiar o fim do mundo":

Amante da Heresia - artista transmídia, pesquisador e professor - Brasília, DF:

"muito massa a poética visual de um olho que vaga até ser intimado ao final a responder sobre a eminência do fim do mundo. há 523 anos nossos intrapocalipsianos! nos impuseram um apocalipse. mas resistimos. e na resistência surge essa sabedoria krenakeana com temperos frederinos! tenhamos ideias, sonhemos e realizemos poesia para que o  fim do mundo seja adiado. não o mundo do capital, pois este queremos é acelerar seu fim que tb é eminente! parabéns grande fredé continuemos!"

Daniel Cardoso - artista visual e funcionário público - Goiânia, GO:

"Parabéns Fredé. Ficou muito bom. Disruptivo, assim como o álbum! A realidade nos torna estáticos. Sua busca em transcender essa realidade inspira e movimenta."


Links para contato e para conhecer e aprofundar nas obras do universo de MekHanTropia:

Youtube: https://www.youtube.com/@fredecf/videos

BandCamp: https://fredecf.bandcamp.com/

Instagram: @fredecf

Blog: http://mealuganao.blogspot.com/

e-mail: fredcfelipe@gmail.com


F.Oak Produções Transmidiáticas 
2023

sexta-feira, março 31, 2023

“Depois do Futuro”, novo álbum de Fredé CF (2023)

 

Clique na imagem para ouvir o álbum

Álbum “Depois do Futuro”, de Fredé CF (2023)

Novo álbum de Fredé CF: “Depois do Futuro”.

Lançamento feito na quarta-feira de cinzas, dia 22/02/2023.

 

Prólogo/Conceito:

Em MekHanTropia as diferenciações entre o ordinário e o extraordinário se perdeu, ou melhor, foram intencionalmente perdidas. Pelos sonhos, pelas telas, pelo ódio, pela destruição e pelo consumo o sistema acessa e lucra sobre os desejos mais profundos de cada um e, assim, imputa suas narrativas mekhantrópicas nos inconscientes como regimes de verdades absolutas. Esse controle psicobinário é instituído alterando o pensamento dos agora bovíduos mekhantropomorfizados que não conseguem mais distinguir suas subjetividades. 

O malware h6n66 recodificou as relações planetárias e alterou a composição daquilo que antes se chamava de “humano”, criando uma horda demoníaca transdimensional de zumbis tecnocratas milicianos acríticos que instituem pesadelos em todas as três realidades ascottianas conhecidas nesse universo (validada, virtual e vegetal).

Essas hordas, batizadas como “HumanCron”, são lideradas pelo déspota necropolítico genocida conhecido como “Messias”. Elas têm a incumbência de gerar pesadelos algorítmicos em quem tenta “despertar” de MekHanTropia. “Succubus” e “Incubus” são os demônios nobres de alta patente dessa horda. Pelos sonhos, eles sugam a energia vital e prendem os resistentes em seus pesadelos mekhantrópicos. 

Porém, uma usuária de codinome “Ayla” conseguiu desorganizar o sistema e vencer uma batalha contra o “Messias”, organizando e conduzindo uma resistência fragmentada a partir de dimensões fantásticas oníricas que são inacessíveis às hordas neofascistas neopentecostais do Messias, libertando e lançando luz sobre alguns aspectos sombrios que permeavam as três realidades ascottianas. Tais movimentos de Ayla abriram novos portais de acesso à Realidade Vegetal, até então oprimida e rejeitada pelo Messias, que está agora absorvido pelo Limbo (com paradeiro exato desconhecido), após encontros transdimensionais com Ayla e com o Cão Breu.

A esperança começa a tomar conta e despertar as mentes mekhantrópicas cooptadas. Ayla lidera um resgate de todo o conhecimento e sabedoria ancestral para reconectar a humanidade à Gaia e todo o universo fantástico que a compõe e foi devastado ultimamente pela MekHanTropia. Será que ainda há como reverter a situação?

Por outro lado, após o contato com o Cão Breu e com o Acimador, Valdez se perdeu de Ayla e de si mesmo, e agora transita juntando seus cacos em abismos sombrios fragmentados do Inferno do Igual. Ele segue numa jornada de integração das sombras que o rodeiam, o permeiam e o consomem, de fora para dentro e, sobretudo, de dentro pra fora inserido no que ainda resta do sistema.

Mesmo ainda preso aos resquícios de carbono e silício dos simulacros e simulações de MekHanTropia, ele começa a se transmutar em refluxos, na contramão do sistema e tenta enxergar saídas pela arte, pela ciência e pela poesia em meio às luzes psicobinárias padronizantes dos fluxos digitais, utilizando as Inteligências Artificiais e outras ferramentas tecnológicas como aliadas. É tempo de transição. Transformação. Expurgo. Integração das sombras. Renovação. Transmutação.

O amor vencerá o ódio? Valdez encontrará Ayla novamente? O Messias foi completamente extirpado? Os pesadelos foram integrados? O que virá “Depois do Futuro” em MekHanTropia?

Ouça em estéreo, com a atenção voltada de dentro pra fora, pra tentar descobrir.

Boa viagem!

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Clique na imagem para ouvir o álbum

Ficha Técnica:

- Fredé CF: vozes, violões, baixo, percussão, samplers, sintetizadores, gritos, ruídos, gemidos, edições, mixagens, capturas e apropriações.

- “Depois do Futuro” é parte do universo transmídia onírico ficcional intitulado “MekHanTropia” (em expansão), a obra integra minha pesquisa de doutorado (em andamento) em Arte e Cultura Visual (UFG). O álbum foi composto, gravado, mixado, finalizado e produzido pelo smartphone por Fredé CF em Goiânia – Goiás - Brasil, durante a pandemia de COVID-19, entre os anos de 2022 e 2023.

 

Participações Especiais:

- Leticia Guelfi: voz na faixa 6 (“Gaia”)

- Edgar “Ciberpajé” Franco: instrumentos mágickos na faixa 6 [“Gaia”]

- Gustavo Ponciano: Guitarra e arranjos na faixa 7 [“(des)Asfixia (Depois do Futuro)”]

 

Elementos poéticos incidentais:

- Trechos da letra da faixa 4 [“Sonhos para adiar o fim do mundo”] inspirados em cartazes lambe-lambe colados em postes na praia da Joaquina em Florianópolis-SC (dez/2022).

- Trechos da letra da faixa 6 [“Gaia”] retirados ou inspirados no livro “A Lei” de Aleister Crowley.

- Trechos da letra da faixa 7 [“(des)Asfixia (Depois do Futuro)”] retirados ou inspirados no “Manifesto Pós-futurista” do livro “Depois do Futuro” (2019) de Franco Berardi, assim como o conceito título desse álbum.

- Introdução da faixa 8 [“Para todos e ninguém”] inspirada na composição “Also Sprach Zarathustra”, de Richard Strauss, que também foi tema do filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”.

 

Para ir além (copie e cole na barra de endereços):

www.fredecf.bandcamp.com

www.mealuganao.blogspot.com

www.youtube.com/user/fredcfelipe/videos

 

Contatos:

e-mail: fredcfelipe@gmail.com

Instagram: @fredecf

F.Oak Produções Transmídia 2022.

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sexta-feira, fevereiro 03, 2023

[ARTIGO SIIMI 2022] “Lendas, pesadelos e processos criativos transbinários em MekHanTropia: experimentalismo e autoconhecimento em meio às trevas”, de Fredé CF



Olá pessoal! Bom dia! Tudo joia?

Foi publicado meu artigo intitulado “Lendas, pesadelos e processos criativos transbinários em MekHanTropia: experimentalismo e autoconhecimento em meio às trevas” nos anais do evento Entropía (SIIMI +  ART + BunB) 2022.

Leia o artigo completo pelo link:

https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/777/o/Lendas__pesadelos_e_processos_criativos_transbin%C3%A1rios_em_MekHanTropia_experimentalismo_e_autoconhecimento_em_meio_%C3%A0s_trevas.pdf


Entropia foi o tema dos eventos internacionais: SIIMI (Simpósio Internacional de Inovação em Mídias Interativas), #Arte (Encontro Internacional de Arte e Tecnologia) e Balance-Unbalance, em suas edições 2022, que tiveram como sede o Museu de Arte Contemporânea da Universidad de Chile, em Santiago e ocorreram no segundo semestre de 2022.

O anais do SIIMI 2022 já está disponível no site:

https://siimi.medialab.ufg.br/p/44853-anais-2022


Muitas pesquisas interessantíssimas podem ser acessadas por lá.

Confiram!



Um excelente fim de semana a todas, todes e todos!

Saudações anti-mekHanTrópicas!

Fredé CF

(03/02/2023)

quarta-feira, dezembro 07, 2022

(RESENHA) DEVANEIOS EM MEIO AO “PESADELO”. IMPRESSÕES SOBRE O ÁLBUM DE FREDÉ CF – POR RAQUEL ALVES DE FREITAS NUNES (JORNALISTA)

 

IMPRESSÕES SOBRE A OBRA "PESADELO" (VOL. 1 - “SUCCUBUS”)

Por Raquel Alves de Freitas Nunes*

(resenha feita no dia 20/10/2022, Dia do Poeta)

Clique aqui para ouvir ao EP "Succubus"
 

Foi desafiador fazer essa resenha, ainda mais porque eu não tinha conhecimento sobre o assunto. Foi muito interessante aprofundar na pesquisa e ampliar o meu conhecimento quanto à espiritualidade. Amo esses assuntos. Quanto ao álbum, modestamente falando e respeitando todo o processo de criação das obras anteriores, esse para mim foi o mais surpreendente. Ainda estou impressionada com a inserção da 9° sinfonia de Beethoven na quarta faixa do primeiro EP. Algo inesperado que me surpreendeu demais.  

Então, vamos à resenha sobre o álbum “PESADELO”, dividido em dois EPs: “SUCCUBUS” e “INCUBUS”.

PARTE 1 - SUCCUBUS

Clique aqui para ouvir ao EP "Succubus" 
Ao tentar deitar para descansar não há descanso. Seu sono é interrompido. Você é importunado. Energeticamente sugado. Não tem para onde correr. Não é possível se defender.  Essa criatura feminina demoníaca, SUCCUBUS, seduz e se manifesta com atitude vampiresca, eu diria. Ladra da sua noite. Rouba sua energia. Se aproveita com deleite da sua vulnerabilidade. Tentação em forma de diabo vinda das profundezas mais obscuras das crenças mitológicas. Em um paralelo com a performance de SUCCUBUS, nos é aqui apresentado a forma de expor nossos anseios, juntamente com a iminência do que idealizamos e do que nos assombra. A necessidade de expurgar nossas aflições, nossos segredos, nossos questionamentos. A expressão de nossas emoções por meio de variantes psíquicas perturbadoras que invadem nossos sonhos. A compulsão digital que não nos permite (des)conectar, uma vez que os algoritmos hoje praticamente fazem parte de nossa composição neural. Nos sentimos sugados e fracos energeticamente como se pudéssemos nos comparar com as sensações oriundas da presença de SUCCUBUS, como se vivêssemos condicionados a essa situação de uma verdadeira rendição moral, pessoal e social diante do sistema caótico em que vivemos.

Fredé CF apresenta neste EP uma sonoridade multifacetada e arranjos transcendentais. A beleza sonora que nos leva da música clássica à batida eletrônica. SUCCUBUS apresenta nossos devaneios em meio ao “PESADELO” que se desenvolve aqui de maneira ÍMPAR, literalmente, e ele nos propõe evidenciar as respostas através dos versos musicais. O despertar de nós mesmos. É onde encontraremos respostas para o que tanto buscamos. O que era para ser um sonho virou um “PESADELO”. E assim, seguimos devorados pelas mazelas que atingem a coletividade. O antagonismo social sem precedentes que não está em ressonância com o que sempre sonhamos.  Com o intuito de nos desvencilhar dessas reproduções tão realistas dos nossos pensamentos, aliados a uma situação apavorante e agoniante que vivemos, seguimos então com um pequeno spoiler de cada faixa, onde será possível analisarmos como tudo isso se desenvolve através de um olhar latente, presente na natureza humana.

Me encantei pelo questionamento sombrio e paradoxal da primeira, a angústia surrealista da terceira, a leitura intacta da mente provocada pela quinta faixa, o anseio vital da sétima, a comemoração desordenada da nona, a batida mística e eletrônica presente na décima primeira. Sendo assim, iniciamos a primeira parte desse “PESADELO”. O que desejamos ao deitar? Queremos descansar. E ao descansar o que queremos? Queremos dormir. E ao dormir será que é possível sonhar? E ao sonhar, será que vamos acordar? E ao acordar, será que realmente vamos despertar? Diante desse desafio onírico, Fredé CF apresenta logo abaixo 6 motivos para você ultrapassar as barreiras do seu subconsciente e despertar para a sua transcendência vital. Vamos lá? 

Faixa 1 – O ESTRANHO MUNDO DE JURUPARI COM ZÉ DO CAIXÃO EM MEKHANTROPIA:  O despertar da consciência começa por aqui. Nesta primeira faixa, Fredé CF une por meio de uma sonoridade peculiar aos rituais indígenas o mito de Jurupari, que na mitologia indígena é conhecido como o demônio dos sonhos com um trecho presente no filme “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, de 1968, narrado pelo próprio cineasta José Mojica Marins. Um monólogo proposto por uma citação baseada em fundamentações existencialistas arrebatadoras, que desnudam as profundezas da essência humana. Uau!!

Faixa 3 – SWEET DARKNESS:  Alucinação poética! A letra desta faixa foi composta durante um momento de dor e introspecção vivenciado por Fredé CF em decorrência da contaminação pela Covid-19. A faixa toda em inglês tem como principal objetivo traduzir as dores, angústias e medos. Repressões sombrias. Esgotamento mental. Nomofobias. Apatia psíquica. Uma sequência melancólica, porém, elegantemente harmoniosa sobre a exposição de nossa vulnerabilidade e fragilidade emocional.

FAIXA 5 – TELA MENTAL PARTICULAR: As percepções cognitivas ocultas estão presente na terceira faixa do EP, que conta com a participação mais do que especial de Guilherme Tell, guitarrista da banda Cão Breu que brilhantemente dá o ar da sua graça na sonoridade dessa faixa que começa com um misto de instrumentos. Ouço acordes de um violão, surgem barulhos que se assemelham ao barulho do vento. Me recolho profundamente diante da diversidade dos meus pensamentos.  “Tela Mental Particular” vem de encontro com o instigante mistério do desvendar da consciência. O cérebro humano como ciência a ser explorada. Tão complexo que não permite ser transplantado. Tampouco habitado por outrem. Apenas explorado pelo que sigilosamente permeia a mente.

FAIXA 7- A VERSÃO MAIS JOVEM QUE SEREI: As expectativas oníricas e vitais são mencionadas aqui. Eis que chegamos na minha faixa preferida. A necessidade de descobrir e redescobrir o que a vida tem a nos oferecer juntamente com a transmutação diária de todos nós. Abrir as portas para o desconhecido. A ânsia por viver! Me impressionei com a alternância sonora de ritmos aqui proposta pela genialidade musical de Fredé CF.  Os acordes de um violão ritmado que vão de encontro com a 9° sinfonia de Beethoven definitivamente me deixou boquiaberta com essa bela surpresa com status de Grand Finale!

Faixa 9 - UM BRINDE AO CAOS: A mistura de elementos musicais presentes no início da faixa com sintetizadores, violão e outras mixagens me deixaram hipnotizadas. A faixa conta com a participação do DJ , arquiteto, pesquisador, designer e musicista Maurício Mota, que por meio de suas intervenções sonoras, juntamente com Fredé CF, conseguiram elaborar um sensível questionário de perguntas que reúnem elementos da natureza, sentimentos, emoções, um misto de situações que passamos o tempo todo incessantemente procurando por essas  respostas em meio às nossas indagações cotidianas. A morte. A vida. As relações. As sensações. As conexões. A loucura desordenada de tudo que observamos, vivemos e sentimos. Um brinde ao caos e a essa maravilha musical!!

FAIXA 11 - ELETROCHOCK! (MÚSICA INCIDENTAL: KALI GAYATRI): A sua cura energética está aqui. Batidas eletrônicas, samplers, O mantra indiano aqui aparece com o propósito de romper o ego. Freneticamente ritmado, o mantra emana a energia cósmica que deverá sempre dar espaço ao novo. Que vibra a cada verso e ativa uma memória afetiva onde, com “Black Dog”, voltamos ao túnel do tempo com o Uivo pioneiro e delirante do Cão Breu que finaliza de forma apoteótica esse álbum.


IMPRESSÕES SOBRE A OBRA "PESADELO" (VOL. 2 - “INCUBUS”)

Por Raquel Alves de Freitas Nunes*

(resenha feita no dia 31/10/2022, Dia Nacional da Poesia)

Clique aqui para ouvir ao EP "Incubus"

Chegamos ao segundo ato desse pesadelo, não é mesmo? Cada um dos álbuns lançados por Fredé CF me traz alguma reflexão, me toca, me emociona de forma diferente através de cada linha, cada estrofe e cada verso, aliado à sua sensibilidade poética que é algo que me encanta. INCUBUS além de me proporcionar esse bombardeio de emoções, chega com tudo isso e um “plus” a mais. Ao fazer a resenha identifiquei coincidências impressionantes que se tornaram acrônimos numéricos, sonhos reais, enfim...uma impressionante mensagem do universo que não aconteceu com os outros oito álbuns anteriores. Algo surreal. Mágico. Falando em magia e coisas bonitas hoje é o dia da poesia e meu pensamento remete a um tempo distante, para ser mais específica, volto em maio de 2021, na poesia do café, escrita e publicada nas redes por Fredé CF bem próximo do lançamento do EP “Ecos Oníricos”. De todas, é a minha preferida.

Sem mais delongas, vamos à resenha?

 

PARTE 2 - INCUBUS

Clique aqui para ouvir ao EP "Incubus"
Quem nasceu para ser poeta nunca perde a poesia, não é mesmo? E nessa onda é que Fredé CF nos presenteia com INCUBUS, o segundo ato desse “Pesadelo”. INCUBUS é a vertente masculina de SUCCUBUS. Criatura demoníaca que seduz sexualmente as mulheres enquanto elas dormem. O álbum foi lançado no dia (06/09) em referência ao dia do sexo que faz jus a representatividade de INCUBUS. Repleto de emoções, expansão dos sentimentos, conectividades e expectativas com o que nos cerca aliado a um violão acústico sem igual que ressoa pelas faixas, em referência ao dia de hoje e como presente pelo dia da poesia, vamos resenhar esse álbum incrível.

A busca por respostas para esses devaneios sombrios ou cheios de luz é o que iremos iniciar nessa resenha. O pesadelo foi tão grande que teve que ser dividido em dois episódios musicais, com o lançamento de duas obras com a finalidade de despertar a consciência e promover o autoconhecimento. Sendo assim, exponho o que achei mais relevante em cada poesia sonora deste EP:

Na faixa 2 temos o luto em prol do ativismo ambiental, na faixa 4 temos a elucidação dos sonhos, a dor emocional ocasionada pela faixa 6, às exigências impostas por nosso cotidiano tão presente na faixa 8, a elucidação poética trazida pela faixa 10 e o renascimento vital proporcionado pela faixa 12. O álbum é repleto de emoções do início ao fim. Detalhe que em INCUBUS as faixas são PARES, já em SUCCUBUS elas são ÍMPARES. O EP é muito voltado para a autopercepção e a elucidação de sentimentos. E é nessa vibe comemorativa a esse dia tão especial que Fredé CF nos convida a brindar essa data com 6 emocionantes doses de poesia logo abaixo:

FAIXA 2 – SANGUE DERRAMADO:  A tristeza poética começa aqui. Na faixa 2 desse álbum, Fredé CF homenageia de forma profunda e tocante dois grandes símbolos da luta pelo ativismo ambiental no Brasil: O indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Philips, que foram brutalmente assassinados em junho deste ano. O sangue derramado aqui escorre no decorrer da faixa e ecoa de forma revoltante em meio ao descaso governamental que sucumbe a sua responsabilidade quanto a proteção às minorias e as causas ambientais. A canção indígena entoada por Bruno, vai ao encontro do silêncio do povo da floresta que ficaram órfãos e desprotegidos de sua grande luta em prol da proteção aos povos indígenas. Emoção literalmente à flor da pele.

FAIXA 4 – PISADEIRA: O eu lírico poético começa por aqui. O violão de Fredé CF inicia a faixa com acordes frenéticos que se desenvolve em quase toda a faixa e ao chegar ao seu final alternando para uma esplêndida sonoridade de um compasso mais lento. Em momento algum destoa do pesadelo real que se intensifica diante dos desejos, da esperança, das evidências, de tudo que é permitido diante do que se pode sonhar. Quando se acorda ao invés de realizar o sonho, temos um pesadelo, onde somos atraídos por toda força criativa e enigmática das frases: MORRI NESSA SEXTA-FEIRA/SERÁ QUE TRANQUEI BEM O PORTÃO? Indagações como essas adentram o nosso inconsciente e finaliza a canção acompanhado por um beat box muito bem executado por Fredé CF e assim, vamos tentando decifrar os mistérios desse eu-lírico arrebatador.

FAIXA 6 -NADANDO NO SAL COM SAPOS: A melancolia poética se manifesta aqui. A introdução dessa faixa traz para mim um cenário cósmico. É como se estivesse orbitando pelo espaço, pelas galáxias, por meio de satélites e planetas. E nessa viagem imaginária, ou melhor, interplanetária, Fredé CF busca respostas para seu desabafo tão agoniante. Com uma voz icônica que remete ao horror e ao terror, a narrativa musical se desenvolve como uma súplica mediante a vontade de se libertar de suas angústias, das suas dores e seus conflitos emocionais. A loucura digital cotidiana que tanto seduz e impressiona, também contribui para esse panorama tão conflitante. Desânimo. Fúria. Desesperança. “Nadando no Sal com Sapos” é o relato desesperado da dor emocional que sufoca, aprisiona e atormenta. 

FAIXA 8 - ESCRAVO DE AGRADO: A fúria poética se manifesta por aqui. Nesta faixa Fredé CF relata as exigências das nossas demandas de cada dia, seja elas no trabalho, no meio acadêmico ou em outros momentos da nossa vida onde temos que utilizar a palavra disposição para lidar com tantos compromissos. O violão ecoa em um mesmo ritmo, como se as cordas fizessem parte dessa rotina diária do agrado sem fim. A imposição de lutar e vencer em prol dos sonhos alheios. Ser comandado e obedecer aos comandos sem reclamar, independente de quaisquer circunstâncias, sejam elas psíquicas ou físicas. Esgotamento.  A busca por resultados que resulta na vaidade que irá inflar o ego de alguém. Pressão. A necessidade infinita de agradar independente de qual artifício será utilizado. O indivíduo como agente principal na máquina da produtividade. Do status. A ambição onde nunca se pode dizer não. A escravidão em tempos modernos. “Escravo de Agrado” é a expressão visceral em prol de um olhar mais humanizado para as exigências sociais.

FAIXA 10 – O ESTRANHO MUNDO DA POESIA (DIÁRIOS DE QUARENTENA): As descobertas poéticas começam aqui. E no dia da poesia o que temos aqui? Um relato que foge das alucinações poéticas, como forma de entendimento de todo o desenvolvimento artístico que envolve o estranho não, mas o expressivo, maravilhoso e encantador mundo das poesias de Fredé CF. Pareidolias à parte, os mistérios da poesia são desvendados aqui por meio do significado do ato poético como uma forma de ressignificar as emoções. Além disso, traz todo o contexto artístico que envolvem estas descrições através de situações que também podem sem surrealistas e trazem à tona, a elucidação desse mundo dos delírios poéticos. Entender melhor como é composto esse processo criativo, fez de “O estranho mundo da poesia” a minha preferida do álbum.

FAIXA 12 - DESPERTAR EM MEKHANTROPIA: O despertar poético começa aqui. O EP que começou tão triste após a tragédia relatada em “Sangue Derramado”, se encerra de maneira entusiasmada com o despertar para a esperança. A certeza de que querer viver é desfrutar de tudo que a vida puder nos proporcionar. Novas experiências é saber que a vida renasce a cada dia. “Despertar em MekHanTropia” é desabrochar para as possibilidades. É de dentro para fora. É a cura da alma, da mente e das dores. É o grito de superação mediante a intensidade fugaz de viver cada dia como se fosse o último.

 *Raquel Alves de Freitas Nunes é jornalista.

terça-feira, setembro 27, 2022

(REFLEXÕES) O "Pesadelo" PsicoBinário MekHanTrópico de Fredé CF

No álbum Pesadelo (2022) – composto por dois EPs/atos intitulados como Succubus (Vol. 1) e Incubus (Vol. 2), lançados nos dias 22/08/2022 e 06/09/2022, respectivamente –, desloco questões que me pungem atualmente potencializando-as à uma dimensão onírica cuja abordagem se dá acerca das desconexões com o imaginário e mazelas decorrentes de uma sociedade tecnocrata e necropolítica. 

Clique nas imagens abaixo e ouça os EPs:

EP (Vol. 1) Succubus, de Fredé CF. Arte da capa: Ciberpajé.


EP (Vol. 2) Incubus, de Fredé CF. Arte da capa: Ciberpajé.

Busco com essa obra narrativa musical (que se expande às visualidades) refletir sobre aspectos da condição e condução humana atual, costurando histórias alegóricas com estranhos e horroríficos personagens que habitam a imaginação. Com influências como Bob Dylan, Buffalo Springfield, Pink Floyd, Mark Lanegan, Sérgio Sampaio, Chico Science & Nação Zumbi, Paulinho Moska, Arnaldo Antunes, entre outras, as faixas transitam pelos contrastes e colagens de sons, ruídos e vocalizações (como em todo o projeto musical solo situado em MekHanTropia), entre o orgânico, acústico, natural, analógico, atávico e o eletrônico, maquínico, digital, sintetizado. Uma espécie de dark-folk psicodélico, numa perspectiva primitivista e contestatória, todo criado, captado, mixado, produzido e distribuído pelo smartphone. 

O arquiteto, designer, músico e artista visual Maurício Mota (que também participa com sons e ambientações eletrônicas da faixa Um brinde ao Caos), comenta que a obra:

"Não é um trabalho que traga uma raiva, um rancor – apesar dos timbres evocarem isso em essência. É uma coleção de sons que somam a uma atitude de combate. Da não aceitação. Fredé faz todos os registros em casa, no quarto, usando um celular e vários plugins de gravação/produção musical. Falo que são registros porque é uma espécie de documento a obra como um todo. Funciona muito bem desta maneira, pois te convida, através de suas camadas de sons e texturas, a passear por um cotidiano atual da vivência humana neste grande e diverso país latino americano que é o Brasil. É uma história sem estruturas fixas. Uma aura solta no ar, esperando uma energia grudar" (Maurício Mota, 2022).

As capas dos dois EPs/atos/volumes são de autoria do Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) e representam os gêneros de cada um desses demônios, sendo “Succubus” um demônio feminino e “Incubus” um demônio masculino, expondo a reflexão sobre a institucionalização da binaridade das coisas no imaginário. A abordagem desses conceitos foi instigada por diálogos no grupo de pesquisa “Cria_Ciber: criação e ciberarte” e está presente em todo o conceito do álbum como uma crítica à linguagem digital binária dos “zeros” e “uns” que aniquilam as zonas cinzentas de subjetividades e nuances típicas do ser humano, instituindo extremos de pensamento que não levam em conta a diversidade. 

Alysson Drakkar, artista, criador, fundador e membro da banda Luxúria de Lillith, também comentou sobre a obra: 

"O tudo e o nada.... Da existência.... Esses elementos tribais, a música acústica, a poesia sombria, e esses elementos visuais deixaram a obra única." (Alysson Drakkar)

Em MekHanTropia, tais demônios institucionalizam oníricamente o que chamo de (psico) “Binarismo Anticósmico” a partir dessas determinações. (O termo poético “Binarismo Anticósmico” foi pensado pelo Ciberpajé. Disponível em: https://ciberpaje.blogspot.com/2021/10/veja-como-foi-se-voce-nao-acompanhou.html Acesso em: 26/09/2022. O adaptei ao meu universo incluindo o prefixo “psico” em alusão à ideia de “psicopolítica” de Byung-Chul Han). 


Nessas obras trato sobre o horror, o inquietante, as sombras, a escuridão, tanto interna quanto externa. Tanto metafórica quanto literal. Tanto onírica quanto em vigília. Tanto pessoal quanto social. Cada volume traz 6 faixas com temáticas, conceitos e poéticas onírico-filosóficas inseridas no universo ficcional transmídia de MekHanTropia. As faixas dos volumes (Succubus e Incubus) foram pensadas para serem ouvidas intercaladas, imbricadas, interse(x)ionadas, sendo que Succubus apresenta as faixas ímpares e Incubus as pares, jogando com a ideia de transcendência do binarismo também por essa potencialização do álbum que conecta tais canções. O binarismo do volume 1 (ímpares) versus volume 2 (pares) transmuta-se e renasce em nuances transbinárias oníricas que se hibridizam e dão luz ao “Pesadelo”.


Tal experiência pode ser conferida na playlist intitulada “Pesadelo (2022)”, criada na plataforma Spotify com as obras interse(x)ionadas. Para conferir, clique em:

https://open.spotify.com/playlist/29vEb4lrt1K5PgMngDl32r?si=36396429fa2c4789

A obra conta com participações especiais diversas e com inserções incidentais ressignificantes. Como já comentado, os títulos dos volumes são oriundos de nomes atribuídos a demônios sexuais oníricos sugadores de energia que, em MekHanTropia, assombram os inconscientes psicobinários durante o sono, regulando as subjetividades dos indivíduos (bovíduos) deste universo. Incubus e Succubus são, em essência, relacionados ao pesadelo. Segundo Mario Corso (2004), "Pesadelo, em português, assim como em espanhol (pesadilla) deriva de peso (…) Os romanos falavam de nocturna oppresio. Na idade média, eram conhecidos o Incubus e o Succubus, que, na verdade, eram duas faces de um mesmo ser noturno demoníaco" (CORSO, 2004, p. 147).

Teaser/Prólogo do clipe "Pisadeira"

Penso ainda na figura da “Pisadeira”, um ser fantástico maligno responsável pelos pesadelos no imaginário brasileiro. Alguns povos indígenas tinham um ser parecido com esse chamado “Kerepiíua”. Segundo Mario Corso (2004, p. 147), “a Pisadeira é um fantasma em forma de mulher velha que vem oprimir o peito de quem dorme, ou seja, é a personificação do pesadelo”. Segundo o autor, a Pisadeira é uma confluência de mitos que envolvem dimensões, tempos, espaços e sonhos distintos.
Utilizo essas ideias de opressão, sufocamento e pesadelo, como referência para a representação da lenda da Pisadeira inserida em MekHanTropia pelo videoclipe homônimo lançado em 16/09/2022, no qual apresento uma micro-narrativa inserida na descrição e no início do vídeo, que versa sobre um pesadelo que o personagem Valdez tem sobre um vislumbre de um futuro distópico de destruição provocada pela desconexão do ser humano com sua essência natural e ascenção das máquinas. Porém, em meio à destruição e obsolescência das máquinas, surge novamente a vida. As imagens foram capturadas em Brasília e Goiânia, em espaços como a UnB, a instalação em feita pelo grupo Corpos Informáticos, o estádio Antônio Accioly, entre outras.


Sobre o videoclipe, o artista transmídia, professor e pesquisador Ciberpajé (aka Edgar Franco) comentou: 

"videoclipe visceral, para uma faixa enérgica com uma letra cheia de sutilezas e múltiplas simbologias! É muito legal ter acompanhado alguns dos Takeshi desse vídeo quando foram filmados e estar como ator coadjuvante nele! Parabéns Fredé, por sua incrível obra de fôlego com tanta força e múltiplos nuances criativos!" (Edgar Franco)

A comunicadora social Raquel Freitas também deixou suas impressões sobre a obra:

"O vídeo surpreende tanto pela mistura rítmica como pelos cenários diversos que, aliado aos versos tão sensíveis e ao mesmo tempo agoniantes, ressaltam a intensidade da sua força criativa." (Raquel Freitas)


Há também o videoclipe da faixa intitulada “EletroShock (Kali Gayatri Mantra)”. A música faz alusão à deusa indiana Kali, além de haver uma referência ao Cão Breu andando nas sombras noturnas pela frase dita durante a música: “The Black Dog walks at night”. Na mitologia oriental, Kali é uma deusa muito poderosa e muitas vezes temida. Esse temor vem muito de sua aparência e da ignorância sobre a dualidade que ela representa: bem e mau, claro escuro, etc. Os contrastes permeados pelas nuances que se dão nesses entres maniqueístas binários. Kali tem relação com a noite eterna, com o poder do tempo, o infinito e a transformação inexorável. A destruição para recriar. 

Kali é representada pela cor preta em alusão à escuridão, estágio inicial de todas as cores e de onde vem a iluminação. Ela traz uma guirlanda de cinquenta cabeças humanas, representando letras do alfabeto sânscrito, o que simboliza o conhecimento e a sabedoria. Ela usa também um cinto de mãos humanas decepadas, representando os principais instrumentos de trabalho e, metaforicamente, a ação do karma. Ela representa a libertação dos ciclos do karma. Seus quatro braços simbolizam o círculo da destruição (lado esquerdo) e da criação (lado direito), representando os ciclos e ritmos inerentes ao cosmos. Ela segura uma espada ensanguentada e uma cabeça decepada. A cabeça da ignorância e a espada do conhecimento. Seus três olhos representam o Sol, a Lua e o Fogo, com os quais ela pode observar o passado, o presente e o futuro. Esses poderes também dão origem ao nome “Kali”, que vem de “Kala”, o termo sânscrito para “Tempo”.

Kali representa a morte do ego, que vê nela uma terrível ameaça. Sendo assim, em uma cultura cada vez mais egóica verá Kali como algo assustador. O mantra cantado na faixa diz: “Om kalikaayae cha vidhmahe Shamshaanvaasinyae dhimahi Tanno aghoraa prachodayath” (Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Z6UBFBGiGDU&t=1745s Acesso em: 05/07/2022).

Sobre o videoclipe "EletroSHOCK!", o artista transmídia e multimídia Léo Pimentel (a.k.a. Amante da Heresia) comentou:

"uou! respirei profundamente, pirei intensamente e me inspirei transgressivamente! muito phoda! da música que liberta nosso corpo dos grilhões da alma - esta máquina de criar âncoras para nossa dança - à narrativa visual em loopings, voltas e revoltas! globo e glóbulos da morte! adorei! e por isso uma provocação: nós, humanos, demasiado humanos é quem trazemos o vazio ao mundo, para este ser realizado em toda a sua plenitude. e o pós-vazio? o que seria isso? a abstração completa? ou a realização da máxima de douglas adam, "nada é impossível. mas altamente improvável"? hahaha - valeu grande fredé! belezura de obra!" (Amante da Heresia)

Penso que as máquinas podem criar âncoras na gente (e geralmente é o que acontece em função do sistema da hiperprodutividade), mas também podem soltar a imaginação. O problema, assim, talvez esteja nas maneiras como as máquinas estão sendo usadas e fruídas. A frase de Adams (trazida pelo Amante da Heresia) me fez pensar que entre o impossível e o improvável há a vida em toda a sua complexidade e possibilidade, e, por isso, resistência. A vida e suas nuances como a tão clamada resistência, assim como a arte. E a morte faz parte da vida (e da arte) e nos estapeia a cara constantemente mostrando que tudo é movimento, tudo muda o tempo todo, num movimento de des-apropriação de tudo que se coloca como “o que é”. Rastros in-significantes. Pinceladas de ausência. Como se o vazio fosse entendido enquanto um meio de afabilidade entre as imagens que passam uma nas outras constantemente. Imagens aceleradas pelas máquinas. Um desprendimento intenso entre a ausência e a presença, entre ser e não ser, sem expressar nada em definitivo. Nada urge, nada se limita, nada se fecha, e ao mesmo tempo tudo se aconchega e se espelha no fluxo binário delirante. E não adianta querer que as coisas sejam imoveis e imutáveis…nem na morte elas são. Não temos esse domínio ilusório. Acha-se que temos o poder de domínio sobre o caos…doce ilusão…é por isso que penso que cada momento é importante, pq nunca sabemos o que irá acontecer no momento a seguir. E cada vez presta-se menos atenção aos momentos. Na possibilidade e na probabilidade de viver está presente muita dor e sofrimento (utilizados como estratégia de cooptação pela anestesia), mas também afetos, amor e alegrias presas nos instantes cada vez mais curtos e fugazes aniquilados pelo hiperfluxo e hipercompetição…instantes mágicos que se diluem sem pausa nas telas do mundo 24/7…isso é o que me assusta. 

De forma geral, o sono é, ainda, uma barreira de resistência contra o sistema, se estabelecendo como um refúgio anti-consumista. Quando dormimos não estamos consumindo desvairadamente, nem tampouco sendo seduzidos diretamente para isso, embora cada vez mais consumimos nosso sono com telas luminosas que iluminam rostos antes e durante o adormecer. Todavia, o sono demanda um desligamento da nossa atividade junto aos aparelhos para que entremos em um estado de inoperância e inatividade. Para haver o sono, deve-se haver a desconexão da realidade virtual e a imersão na realidade onírica transcendental do inconsciente. Somos deslocados a um ambiente desprovido de aquisições materiais. Abandonamos, ao dormir, os cuidados e a dependência de outrem e acessamos novas modalidades de relacionamento com o tempo, no limiar entre o natural e o social, pelo imaginário. Em oposição, cada vez mais o sistema atua nos instituindo uma desfundamentalização do sono e do descanso, seduzindo-nos por ideais de prazeres que vem em forma de dados vendidos às empresas pelas redes telemáticas. 

Os remédios, as drogas sintéticas, as tecnologias, as ideias de bem-estar, os divertimentos e até mesmo a arte e outras possíveis resistências são esvaziadas de sentido como estratégia de cooptação pelos tentáculos do neoliberalismo, acelerando-nos rumo à produtividade de forma cada vez mais clara. Talvez seja esse o maior de todos os pesadelos pensados aqui nessa obra: o horror de não se ter controle sobre nada, em especial sobre o que se pensa, mostra e sente, imerso em um fluxo onírico de fragmentação infinita hipercultural.

Na narrativa do universo de MekHanTropia, pelos sonhos, o sistema acessa desejos mais profundos de cada um. O controle psicobinário é instituído alterando o pensamento. O malware h6n66 recodificou aquilo que se chamava de “humano”, criando uma horda demoníaca de zumbis tecnocratas milicianos acríticos. Essa horda foi batizada como “HumanCron” – em homenagem as variantes virais que foram catalogadas na época do “amanhecer mekhantrópico” –, e são lideradas pelo déspota necropolítico conhecido como “Messias Genocida”. A horda tem a incumbência de gerar pesadelos algorítmicos em quem tenta “despertar”. “Succubus” e “Incubus” são demônios nobres dessa horda, a serviço do Genocida. Pelos sonhos, eles sugam a energia vital e prendem os resistentes em seus pesadelos mekhantrópicos.



Ficha Técnica:
Essa obra é parte integrante da tese-criação transmídia “MekHanTropia” de Fredé CF (a.k.a. Frederico Carvalho Felipe), desenvolvida no Doutorado em Arte e Cultura Visual da FAV UFG sob a orientação da Profa. Dra. Rosa Berardo e co-orientação do Prof. Dr. Edgar Franco. Vídeos, letras, poesias, fotos, narrativas e músicas: Fredé CF Arte da capa ("Succubus" e “Incubus”): Ciberpajé. 🤘🏽🔥 F.Oak Produções 2022.