um entretenimento barato. Agite antes de usar.
Não jogue fora em vias públicas.
Mantenha a cidade limpa. Desculpe pelo transtorno. Os benefícios ficam.
Lançamento feito na quarta-feira de
cinzas, dia 22/02/2023.
Prólogo/Conceito:
Em MekHanTropia as diferenciações
entre o ordinário e o extraordinário se perdeu, ou melhor, foram intencionalmente
perdidas. Pelos sonhos, pelas telas, pelo ódio, pela destruição e pelo consumo
o sistema acessa e lucra sobre os desejos mais profundos de cada um e, assim,
imputa suas narrativas mekhantrópicas nos inconscientes como regimes de
verdades absolutas. Esse controle psicobinário é instituído alterando o
pensamento dos agora bovíduos mekhantropomorfizados que não conseguem mais
distinguir suas subjetividades.
O malware h6n66 recodificou as
relações planetárias e alterou a composição daquilo que antes se chamava de
“humano”, criando uma horda demoníaca transdimensional de zumbis tecnocratas
milicianos acríticos que instituem pesadelos em todas as três realidades ascottianas
conhecidas nesse universo (validada, virtual e vegetal).
Essas hordas, batizadas como
“HumanCron”, são lideradas pelo déspota necropolítico genocida conhecido como
“Messias”. Elas têm a incumbência de gerar pesadelos algorítmicos em quem tenta
“despertar” de MekHanTropia. “Succubus” e “Incubus” são os demônios nobres de
alta patente dessa horda. Pelos sonhos, eles sugam a energia vital e prendem os
resistentes em seus pesadelos mekhantrópicos.
Porém, uma usuária de codinome
“Ayla” conseguiu desorganizar o sistema e vencer uma batalha contra o “Messias”,
organizando e conduzindo uma resistência fragmentada a partir de dimensões fantásticas
oníricas que são inacessíveis às hordas neofascistas neopentecostais do Messias,
libertando e lançando luz sobre alguns aspectos sombrios que permeavam as três
realidades ascottianas. Tais movimentos de Ayla abriram novos portais de acesso
à Realidade Vegetal, até então oprimida e rejeitada pelo Messias, que está
agora absorvido pelo Limbo (com paradeiro exato desconhecido), após encontros
transdimensionais com Ayla e com o Cão Breu.
A esperança começa a tomar
conta e despertar as mentes mekhantrópicas cooptadas. Ayla lidera um resgate de
todo o conhecimento e sabedoria ancestral para reconectar a humanidade à Gaia e
todo o universo fantástico que a compõe e foi devastado ultimamente pela
MekHanTropia. Será que ainda há como reverter a situação?
Por outro lado, após o contato
com o Cão Breu e com o Acimador, Valdez se perdeu de Ayla e de si mesmo, e agora
transita juntando seus cacos em abismos sombrios fragmentados do Inferno do
Igual. Ele segue numa jornada de integração das sombras que o rodeiam, o
permeiam e o consomem, de fora para dentro e, sobretudo, de dentro pra fora
inserido no que ainda resta do sistema.
Mesmo ainda preso aos
resquícios de carbono e silício dos simulacros e simulações de MekHanTropia,
ele começa a se transmutar em refluxos, na contramão do sistema e tenta enxergar
saídas pela arte, pela ciência e pela poesia em meio às luzes psicobinárias
padronizantes dos fluxos digitais, utilizando as Inteligências Artificiais e
outras ferramentas tecnológicas como aliadas. É tempo de transição.
Transformação. Expurgo. Integração das sombras. Renovação. Transmutação.
O amor vencerá o ódio? Valdez
encontrará Ayla novamente? O Messias foi completamente extirpado? Os pesadelos
foram integrados? O que virá “Depois do Futuro” em MekHanTropia?
Ouça em estéreo, com a atenção
voltada de dentro pra fora, pra tentar descobrir.
- “Depois do Futuro” é parte
do universo transmídia onírico ficcional intitulado “MekHanTropia” (em
expansão), a obra integra minha pesquisa de doutorado (em andamento) em Arte e
Cultura Visual (UFG). O álbum foi composto, gravado, mixado, finalizado e
produzido pelo smartphone por Fredé CF em Goiânia – Goiás - Brasil, durante a
pandemia de COVID-19, entre os anos de 2022 e 2023.
Participações
Especiais:
- Leticia Guelfi: voz na faixa
6 (“Gaia”)
- Edgar “Ciberpajé” Franco:
instrumentos mágickos na faixa 6 [“Gaia”]
- Gustavo Ponciano: Guitarra e
arranjos na faixa 7 [“(des)Asfixia (Depois do Futuro)”]
Elementos poéticos
incidentais:
- Trechos da letra da faixa 4
[“Sonhos para adiar o fim do mundo”] inspirados em cartazes lambe-lambe colados
em postes na praia da Joaquina em Florianópolis-SC (dez/2022).
- Trechos da letra da faixa 6
[“Gaia”] retirados ou inspirados no livro “A Lei” de Aleister Crowley.
- Trechos da letra da faixa 7
[“(des)Asfixia (Depois do Futuro)”] retirados ou inspirados no “Manifesto
Pós-futurista” do livro “Depois do Futuro” (2019) de Franco Berardi, assim como
o conceito título desse álbum.
- Introdução
da faixa 8 [“Para todos e ninguém”] inspirada na composição “Also Sprach
Zarathustra”, de Richard Strauss, que também foi tema do filme “2001: Uma
Odisseia no Espaço”.
Para ir além (copie e cole na barra de endereços):
Foi
publicado meu artigo intitulado “Lendas, pesadelos e processos criativos
transbinários em MekHanTropia: experimentalismo e autoconhecimento em meio às
trevas” nos anais do evento Entropía (SIIMI +ART + BunB) 2022.
Entropia
foi o tema dos eventos internacionais: SIIMI (Simpósio Internacional de
Inovação em Mídias Interativas), #Arte (Encontro Internacional de Arte e
Tecnologia) e Balance-Unbalance, em suas edições 2022, que tiveram como sede o
Museu de Arte Contemporânea da Universidad de Chile, em Santiago e ocorreram no
segundo semestre de 2022.
Foi desafiador fazer essa resenha, ainda mais porque eu não tinha
conhecimento sobre o assunto. Foi muito interessante aprofundar na pesquisa e
ampliar o meu conhecimento quanto à espiritualidade. Amo esses assuntos. Quanto
ao álbum, modestamente falando e respeitando todo o processo de criação das
obras anteriores, esse para mim foi o mais surpreendente. Ainda estou
impressionada com a inserção da 9° sinfonia de Beethoven na quarta faixa do
primeiro EP. Algo inesperado que me surpreendeu demais.
Então, vamos à resenha sobre o álbum “PESADELO”, dividido em dois EPs: “SUCCUBUS”
e “INCUBUS”.
Ao tentar deitar para descansar não há descanso. Seu sono é
interrompido. Você é importunado. Energeticamente sugado. Não tem para onde
correr. Não é possível se defender. Essa criatura feminina demoníaca,
SUCCUBUS, seduz e se manifesta com atitude vampiresca, eu diria. Ladra da sua
noite. Rouba sua energia. Se aproveita com deleite da sua vulnerabilidade.
Tentação em forma de diabo vinda das profundezas mais obscuras das crenças
mitológicas. Em um paralelo com a performance de SUCCUBUS, nos é aqui
apresentado a forma de expor nossos anseios, juntamente com a iminência do que
idealizamos e do que nos assombra. A necessidade de expurgar nossas aflições,
nossos segredos, nossos questionamentos. A expressão de nossas emoções por meio
de variantes psíquicas perturbadoras que invadem nossos sonhos. A compulsão
digital que não nos permite (des)conectar, uma vez que os algoritmos hoje
praticamente fazem parte de nossa composição neural. Nos sentimos sugados e
fracos energeticamente como se pudéssemos nos comparar com as sensações
oriundas da presença de SUCCUBUS, como se vivêssemos condicionados a essa
situação de uma verdadeira rendição moral, pessoal e social diante do sistema
caótico em que vivemos.
Fredé CF apresenta neste EP uma sonoridade multifacetada e arranjos
transcendentais. A beleza sonora que nos leva da música clássica à batida
eletrônica. SUCCUBUS apresenta nossos devaneios em meio ao “PESADELO” que se
desenvolve aqui de maneira ÍMPAR, literalmente, e ele nos propõe evidenciar as
respostas através dos versos musicais. O despertar de nós mesmos. É onde
encontraremos respostas para o que tanto buscamos. O que era para ser um sonho
virou um “PESADELO”. E assim, seguimos devorados pelas mazelas que atingem a
coletividade. O antagonismo social sem precedentes que não está em ressonância
com o que sempre sonhamos. Com o intuito de nos desvencilhar dessas
reproduções tão realistas dos nossos pensamentos, aliados a uma situação
apavorante e agoniante que vivemos, seguimos então com um pequeno spoiler de
cada faixa, onde será possível analisarmos como tudo isso se desenvolve através
de um olhar latente, presente na natureza humana.
Me encantei pelo questionamento sombrio e paradoxal da primeira, a
angústia surrealista da terceira, a leitura intacta da mente provocada pela
quinta faixa, o anseio vital da sétima, a comemoração desordenada da nona, a
batida mística e eletrônica presente na décima primeira. Sendo assim, iniciamos
a primeira parte desse “PESADELO”. O que desejamos ao deitar? Queremos
descansar. E ao descansar o que queremos? Queremos dormir. E ao dormir será que
é possível sonhar? E ao sonhar, será que vamos acordar? E ao acordar, será que
realmente vamos despertar? Diante desse desafio onírico, Fredé CF apresenta
logo abaixo 6 motivos para você ultrapassar as barreiras do seu subconsciente e
despertar para a sua transcendência vital. Vamos lá?
Faixa 1 – O ESTRANHO MUNDO DE JURUPARI COM ZÉ DO CAIXÃO EM MEKHANTROPIA: O
despertar da consciência começa por aqui. Nesta primeira faixa, Fredé CF une
por meio de uma sonoridade peculiar aos rituais indígenas o mito de Jurupari,
que na mitologia indígena é conhecido como o demônio dos sonhos com um trecho
presente no filme “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, de 1968, narrado pelo
próprio cineasta José Mojica Marins. Um monólogo proposto por uma citação
baseada em fundamentações existencialistas arrebatadoras, que desnudam as
profundezas da essência humana. Uau!!
Faixa 3 – SWEET DARKNESS: Alucinação poética! A letra desta
faixa foi composta durante um momento de dor e introspecção vivenciado por
Fredé CF em decorrência da contaminação pela Covid-19. A faixa toda em inglês
tem como principal objetivo traduzir as dores, angústias e medos. Repressões
sombrias. Esgotamento mental. Nomofobias. Apatia psíquica. Uma sequência
melancólica, porém, elegantemente harmoniosa sobre a exposição de nossa
vulnerabilidade e fragilidade emocional.
FAIXA 5 – TELA MENTAL PARTICULAR: As percepções cognitivas ocultas estão
presente na terceira faixa do EP, que conta com a participação mais do que
especial de Guilherme Tell, guitarrista da banda Cão Breu que brilhantemente dá
o ar da sua graça na sonoridade dessa faixa que começa com um misto de
instrumentos. Ouço acordes de um violão, surgem barulhos que se assemelham ao
barulho do vento. Me recolho profundamente diante da diversidade dos meus pensamentos.
“Tela Mental Particular” vem de encontro com o instigante mistério do desvendar
da consciência. O cérebro humano como ciência a ser explorada. Tão complexo que
não permite ser transplantado. Tampouco habitado por outrem. Apenas explorado
pelo que sigilosamente permeia a mente.
FAIXA 7- A VERSÃO MAIS JOVEM QUE SEREI: As expectativas oníricas e
vitais são mencionadas aqui. Eis que chegamos na minha faixa preferida. A
necessidade de descobrir e redescobrir o que a vida tem a nos oferecer juntamente
com a transmutação diária de todos nós. Abrir as portas para o desconhecido. A
ânsia por viver! Me impressionei com a alternância sonora de ritmos aqui
proposta pela genialidade musical de Fredé CF. Os acordes de um violão
ritmado que vão de encontro com a 9° sinfonia de Beethoven definitivamente me
deixou boquiaberta com essa bela surpresa com status de Grand Finale!
Faixa 9 - UM BRINDE AO CAOS: A mistura de elementos musicais presentes
no início da faixa com sintetizadores, violão e outras mixagens me deixaram
hipnotizadas. A faixa conta com a participação do DJ , arquiteto, pesquisador,
designer e musicista Maurício Mota, que por meio de suas intervenções sonoras,
juntamente com Fredé CF, conseguiram elaborar um sensível questionário de
perguntas que reúnem elementos da natureza, sentimentos, emoções, um misto de
situações que passamos o tempo todo incessantemente procurando por essas
respostas em meio às nossas indagações cotidianas. A morte. A vida. As
relações. As sensações. As conexões. A loucura desordenada de tudo que
observamos, vivemos e sentimos. Um brinde ao caos e a essa maravilha musical!!
FAIXA 11 - ELETROCHOCK! (MÚSICA INCIDENTAL: KALI GAYATRI): A sua cura
energética está aqui. Batidas eletrônicas, samplers, O mantra indiano aqui
aparece com o propósito de romper o ego. Freneticamente ritmado, o mantra emana
a energia cósmica que deverá sempre dar espaço ao novo. Que vibra a cada verso e
ativa uma memória afetiva onde, com “Black Dog”, voltamos ao túnel do tempo com
o Uivo pioneiro e delirante do Cão Breu que finaliza de forma apoteótica esse
álbum.
IMPRESSÕES SOBRE
A OBRA "PESADELO" (VOL. 2 - “INCUBUS”)
Por Raquel
Alves de Freitas Nunes*
(resenha feita
no dia 31/10/2022, Dia Nacional da Poesia)
Chegamos
ao segundo ato desse pesadelo, não é mesmo? Cada um dos álbuns lançados por Fredé
CF me traz alguma reflexão, me toca, me emociona de forma diferente através de
cada linha, cada estrofe e cada verso, aliado à sua sensibilidade poética que é
algo que me encanta. INCUBUS além de me proporcionar esse bombardeio de
emoções, chega com tudo isso e um “plus” a mais. Ao fazer a resenha
identifiquei coincidências impressionantes que se tornaram acrônimos numéricos,
sonhos reais, enfim...uma impressionante mensagem do universo que não aconteceu
com os outros oito álbuns anteriores. Algo surreal. Mágico. Falando em magia e
coisas bonitas hoje é o dia da poesia e meu pensamento remete a um tempo
distante, para ser mais específica, volto em maio de 2021, na poesia do café,
escrita e publicada nas redes por Fredé CF bem próximo do lançamento do EP “Ecos
Oníricos”. De todas, é a minha preferida.
Quem
nasceu para ser poeta nunca perde a poesia, não é mesmo? E nessa onda é que
Fredé CF nos presenteia com INCUBUS, o segundo ato desse “Pesadelo”. INCUBUS é
a vertente masculina de SUCCUBUS. Criatura demoníaca que seduz sexualmente as
mulheres enquanto elas dormem. O álbum foi lançado no dia (06/09) em referência
ao dia do sexo que faz jus a representatividade de INCUBUS. Repleto de emoções,
expansão dos sentimentos, conectividades e expectativas com o que nos cerca
aliado a um violão acústico sem igual que ressoa pelas faixas, em referência ao
dia de hoje e como presente pelo dia da poesia, vamos resenhar esse álbum
incrível.
A
busca por respostas para esses devaneios sombrios ou cheios de luz é o que
iremos iniciar nessa resenha. O pesadelo foi tão grande que teve que ser
dividido em dois episódios musicais, com o lançamento de duas obras com a
finalidade de despertar a consciência e promover o autoconhecimento. Sendo
assim, exponho o que achei mais relevante em cada poesia sonora deste EP:
Na
faixa 2 temos o luto em prol do ativismo ambiental, na faixa 4 temos a
elucidação dos sonhos, a dor emocional ocasionada pela faixa 6, às exigências
impostas por nosso cotidiano tão presente na faixa 8, a elucidação poética
trazida pela faixa 10 e o renascimento vital proporcionado pela faixa 12. O
álbum é repleto de emoções do início ao fim. Detalhe que em INCUBUS as faixas
são PARES, já em SUCCUBUS elas são ÍMPARES. O EP é muito voltado para a
autopercepção e a elucidação de sentimentos. E é nessa vibe comemorativa a esse
dia tão especial que Fredé CF nos convida a brindar essa data com 6
emocionantes doses de poesia logo abaixo:
FAIXA
2 – SANGUE DERRAMADO:A tristeza poética
começa aqui. Na faixa 2 desse álbum, Fredé CF homenageia de forma profunda e
tocante dois grandes símbolos da luta pelo ativismo ambiental no Brasil: O
indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Philips, que foram brutalmente
assassinados em junho deste ano. O sangue derramado aqui escorre no decorrer da
faixa e ecoa de forma revoltante em meio ao descaso governamental que sucumbe a
sua responsabilidade quanto a proteção às minorias e as causas ambientais. A
canção indígena entoada por Bruno, vai ao encontro do silêncio do povo da
floresta que ficaram órfãos e desprotegidos de sua grande luta em prol da
proteção aos povos indígenas. Emoção literalmente à flor da pele.
FAIXA
4 – PISADEIRA: O eu lírico poético começa por aqui. O violão de Fredé CF inicia
a faixa com acordes frenéticos que se desenvolve em quase toda a faixa e ao
chegar ao seu final alternando para uma esplêndida sonoridade de um compasso
mais lento. Em momento algum destoa do pesadelo real que se intensifica diante
dos desejos, da esperança, das evidências, de tudo que é permitido diante do
que se pode sonhar. Quando se acorda ao invés de realizar o sonho, temos um
pesadelo, onde somos atraídos por toda força criativa e enigmática das frases:
MORRI NESSA SEXTA-FEIRA/SERÁ QUE TRANQUEI BEM O PORTÃO? Indagações como essas
adentram o nosso inconsciente e finaliza a canção acompanhado por um beat box
muito bem executado por Fredé CF e assim, vamos tentando decifrar os mistérios
desse eu-lírico arrebatador.
FAIXA
6 -NADANDO NO SAL COM SAPOS: A melancolia poética se manifesta aqui. A
introdução dessa faixa traz para mim um cenário cósmico. É como se estivesse
orbitando pelo espaço, pelas galáxias, por meio de satélites e planetas. E
nessa viagem imaginária, ou melhor, interplanetária, Fredé CF busca respostas
para seu desabafo tão agoniante. Com uma voz icônica que remete ao horror e ao
terror, a narrativa musical se desenvolve como uma súplica mediante a vontade
de se libertar de suas angústias, das suas dores e seus conflitos emocionais. A
loucura digital cotidiana que tanto seduz e impressiona, também contribui para
esse panorama tão conflitante. Desânimo. Fúria. Desesperança. “Nadando no Sal
com Sapos” é o relato desesperado da dor emocional que sufoca, aprisiona e atormenta.
FAIXA
8 - ESCRAVO DE AGRADO: A fúria poética se manifesta por aqui. Nesta faixa Fredé
CF relata as exigências das nossas demandas de cada dia, seja elas no trabalho,
no meio acadêmico ou em outros momentos da nossa vida onde temos que utilizar a
palavra disposição para lidar com tantos compromissos. O violão ecoa em um
mesmo ritmo, como se as cordas fizessem parte dessa rotina diária do agrado sem
fim. A imposição de lutar e vencer em prol dos sonhos alheios. Ser comandado e
obedecer aos comandos sem reclamar, independente de quaisquer circunstâncias,
sejam elas psíquicas ou físicas. Esgotamento.A busca por resultados que resulta na vaidade que irá inflar o ego de
alguém. Pressão. A necessidade infinita de agradar independente de qual
artifício será utilizado. O indivíduo como agente principal na máquina da
produtividade. Do status. A ambição onde nunca se pode dizer não. A escravidão
em tempos modernos. “Escravo de Agrado” é a expressão visceral em prol de um
olhar mais humanizado para as exigências sociais.
FAIXA
10 – O ESTRANHO MUNDO DA POESIA (DIÁRIOS DE QUARENTENA): As descobertas
poéticas começam aqui. E no dia da poesia o que temos aqui? Um relato que foge
das alucinações poéticas, como forma de entendimento de todo o desenvolvimento
artístico que envolve o estranho não, mas o expressivo, maravilhoso e
encantador mundo das poesias de Fredé CF. Pareidolias à parte, os mistérios da
poesia são desvendados aqui por meio do significado do ato poético como uma
forma de ressignificar as emoções. Além disso, traz todo o contexto artístico
que envolvem estas descrições através de situações que também podem sem
surrealistas e trazem à tona, a elucidação desse mundo dos delírios poéticos.
Entender melhor como é composto esse processo criativo, fez de “O estranho mundo
da poesia” a minha preferida do álbum.
FAIXA
12 - DESPERTAR EM MEKHANTROPIA: O despertar poético começa aqui. O EP que
começou tão triste após a tragédia relatada em “Sangue Derramado”, se encerra
de maneira entusiasmada com o despertar para a esperança. A certeza de que
querer viver é desfrutar de tudo que a vida puder nos proporcionar. Novas
experiências é saber que a vida renasce a cada dia. “Despertar em MekHanTropia”
é desabrochar para as possibilidades. É de dentro para fora. É a cura da alma,
da mente e das dores. É o grito de superação mediante a intensidade fugaz de
viver cada dia como se fosse o último.
No
álbum Pesadelo (2022) – composto por dois EPs/atos intitulados como Succubus
(Vol. 1) e Incubus (Vol. 2), lançados nos dias 22/08/2022 e 06/09/2022,
respectivamente –, desloco questões que me pungem atualmente potencializando-as
à uma dimensão onírica cuja abordagem se dá acerca das desconexões com o
imaginário e mazelas decorrentes de uma sociedade tecnocrata e necropolítica.
Busco com essa obra narrativa musical (que se expande às visualidades) refletir sobre
aspectos da condição e condução humana atual, costurando histórias alegóricas
com estranhos e horroríficos personagens que habitam a imaginação. Com
influências como Bob Dylan, Buffalo Springfield, Pink Floyd, Mark
Lanegan, Sérgio Sampaio, Chico Science & Nação Zumbi, Paulinho Moska, Arnaldo Antunes, entre outras, as faixas transitam pelos contrastes e colagens de sons,
ruídos e vocalizações (como em todo o projeto musical solo situado em MekHanTropia),
entre o orgânico, acústico, natural, analógico, atávico e o eletrônico, maquínico,
digital, sintetizado. Uma espécie de dark-folk psicodélico, numa perspectiva primitivista
e contestatória, todo criado, captado, mixado, produzido e distribuído pelo
smartphone.
O arquiteto, designer, músico e artista visual Maurício Mota (que
também participa com sons e ambientações eletrônicas da faixa Um brinde ao
Caos), comenta que a obra:
"Não é um
trabalho que traga uma raiva, um rancor – apesar dos timbres evocarem isso em
essência. É uma coleção de sons que somam a uma atitude de combate. Da não
aceitação. Fredé faz todos os registros em casa, no quarto, usando um celular e
vários plugins de gravação/produção musical. Falo que são registros porque é
uma espécie de documento a obra como um todo. Funciona muito bem desta maneira,
pois te convida, através de suas camadas de sons e texturas, a passear por um
cotidiano atual da vivência humana neste grande e diverso país latino americano
que é o Brasil. É uma história sem estruturas fixas. Uma aura solta no ar,
esperando uma energia grudar" (Maurício Mota, 2022).
As
capas dos dois EPs/atos/volumes são de autoria do Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco)
e representam os gêneros de cada um desses demônios, sendo “Succubus” um
demônio feminino e “Incubus” um demônio masculino, expondo a reflexão sobre a
institucionalização da binaridade das coisas no imaginário. A abordagem desses
conceitos foi instigada por diálogos no grupo de pesquisa “Cria_Ciber: criação
e ciberarte” e está presente em todo o conceito do álbum como uma crítica à linguagem
digital binária dos “zeros” e “uns” que aniquilam as zonas cinzentas de
subjetividades e nuances típicas do ser humano, instituindo extremos de
pensamento que não levam em conta a diversidade.
Alysson Drakkar, artista, criador, fundador e membro da banda Luxúria de Lillith, também comentou sobre a obra:
"O
tudo e o nada.... Da existência.... Esses
elementos tribais, a música acústica, a poesia sombria, e esses elementos
visuais deixaram a obra única." (Alysson Drakkar)
Em MekHanTropia, tais demônios
institucionalizam oníricamente o que chamo de (psico) “Binarismo Anticósmico” a partir dessas
determinações. (O termo poético “Binarismo Anticósmico” foi pensado pelo Ciberpajé. Disponível
em: https://ciberpaje.blogspot.com/2021/10/veja-como-foi-se-voce-nao-acompanhou.html Acesso em:
26/09/2022. O adaptei ao meu universo incluindo o prefixo “psico” em alusão à
ideia de “psicopolítica” de Byung-Chul Han).
Nessas obras trato sobre o horror, o inquietante, as sombras, a escuridão, tanto
interna quanto externa. Tanto metafórica quanto literal. Tanto onírica quanto
em vigília. Tanto pessoal quanto social. Cada volume traz 6 faixas com
temáticas, conceitos e poéticas onírico-filosóficas inseridas no universo
ficcional transmídia de MekHanTropia. As faixas dos volumes (Succubus e Incubus) foram pensadas para serem ouvidas intercaladas, imbricadas,
interse(x)ionadas, sendo que Succubus apresenta as faixas ímpares e Incubus as pares, jogando com a ideia de transcendência do binarismo também por essa
potencialização do álbum que conecta tais canções. O binarismo do volume 1
(ímpares) versus volume 2 (pares) transmuta-se e renasce em nuances
transbinárias oníricas que se hibridizam e dão luz ao “Pesadelo”.
Tal experiência pode ser conferida na playlist intitulada “Pesadelo
(2022)”, criada na plataforma Spotify com as obras interse(x)ionadas. Para conferir, clique em:
A obra
conta com participações especiais diversas e com inserções incidentais ressignificantes.
Como já comentado, os títulos dos volumes são oriundos de nomes atribuídos a
demônios sexuais oníricos sugadores de energia que, em MekHanTropia,
assombram os inconscientes psicobinários durante o sono, regulando as
subjetividades dos indivíduos (bovíduos) deste universo. Incubus e Succubus são,
em essência, relacionados ao pesadelo. Segundo Mario Corso (2004), "Pesadelo, em português, assim como em espanhol
(pesadilla) deriva de peso (…) Os romanos falavam de nocturna oppresio.
Na idade média, eram conhecidos o Incubus e o Succubus, que, na verdade, eram
duas faces de um mesmo ser noturno demoníaco" (CORSO, 2004, p. 147).
Penso ainda na figura da “Pisadeira”, um ser fantástico maligno responsável pelos pesadelos no imaginário brasileiro. Alguns povos indígenas tinham um ser parecido com esse chamado “Kerepiíua”. Segundo Mario Corso (2004, p. 147), “a Pisadeira é um fantasma em forma de mulher velha que vem oprimir o peito de quem dorme, ou seja, é a personificação do pesadelo”. Segundo o autor, a Pisadeira é uma confluência de mitos que envolvem dimensões, tempos, espaços e sonhos distintos. Utilizo
essas ideias de opressão, sufocamento e pesadelo, como referência para a
representação da lenda da Pisadeira inserida em MekHanTropia pelo videoclipe
homônimo lançado em 16/09/2022, no qual apresento uma
micro-narrativa inserida na descrição e no início do vídeo, que versa sobre um
pesadelo que o personagem Valdez tem sobre um vislumbre de um futuro distópico
de destruição provocada pela desconexão do ser humano com sua essência natural
e ascenção das máquinas. Porém, em meio à destruição e obsolescência das
máquinas, surge novamente a vida. As imagens foram capturadas em Brasília e
Goiânia, em espaços como a UnB, a instalação em feita pelo grupo Corpos
Informáticos, o estádio Antônio Accioly, entre outras.
Sobre o videoclipe, o artista transmídia, professor e pesquisador Ciberpajé (aka Edgar Franco) comentou:
"videoclipe visceral, para uma faixa enérgica com uma letra cheia de sutilezas e múltiplas simbologias! É muito legal ter acompanhado alguns dos Takeshi desse vídeo quando foram filmados e estar como ator coadjuvante nele! Parabéns Fredé, por sua incrível obra de fôlego com tanta força e múltiplos nuances criativos!" (Edgar Franco)
A comunicadora social Raquel Freitas também deixou suas impressões sobre a obra:
"O vídeo surpreende tanto pela mistura rítmica como pelos cenários diversos que, aliado aos versos tão sensíveis e ao mesmo tempo agoniantes, ressaltam a intensidade da sua força criativa." (Raquel Freitas)
Há também o videoclipe da faixa intitulada “EletroShock (Kali Gayatri Mantra)”. A música faz
alusão à deusa indiana Kali, além de haver uma referência ao Cão Breu andando
nas sombras noturnas pela frase dita durante a música: “The Black Dog walks at
night”. Na mitologia oriental, Kali é uma deusa
muito poderosa e muitas vezes temida. Esse temor vem muito de sua aparência e
da ignorância sobre a dualidade que ela representa: bem e mau, claro escuro,
etc. Os contrastes permeados pelas nuances que se dão nesses entres
maniqueístas binários. Kali tem relação com a noite eterna, com o poder do
tempo, o infinito e a transformação inexorável. A destruição para recriar.
Kali
é representada pela cor preta em alusão à escuridão, estágio inicial de todas
as cores e de onde vem a iluminação. Ela traz uma guirlanda de cinquenta
cabeças humanas, representando letras do alfabeto sânscrito, o que simboliza o
conhecimento e a sabedoria. Ela usa também um cinto de mãos humanas decepadas,
representando os principais instrumentos de trabalho e, metaforicamente, a ação
do karma. Ela representa a libertação dos ciclos do karma. Seus quatro braços
simbolizam o círculo da destruição (lado esquerdo) e da criação (lado direito),
representando os ciclos e ritmos inerentes ao cosmos. Ela segura uma espada
ensanguentada e uma cabeça decepada. A cabeça da ignorância e a espada do
conhecimento. Seus três olhos representam o Sol, a Lua e o Fogo, com os quais
ela pode observar o passado, o presente e o futuro. Esses poderes também dão
origem ao nome “Kali”, que vem de “Kala”, o termo sânscrito para “Tempo”.
Kali representa a morte do ego, que vê nela uma
terrível ameaça. Sendo assim, em uma cultura cada vez mais egóica verá Kali
como algo assustador. O mantra cantado na faixa diz: “Om kalikaayae cha
vidhmahe Shamshaanvaasinyae dhimahi Tanno aghoraa prachodayath” (Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Z6UBFBGiGDU&t=1745s Acesso em: 05/07/2022).
Sobre o videoclipe "EletroSHOCK!", o artista transmídia e multimídia Léo Pimentel (a.k.a. Amante da Heresia) comentou:
"uou! respirei profundamente, pirei intensamente e me inspirei transgressivamente! muito phoda! da música que liberta nosso corpo dos grilhões da alma - esta máquina de criar âncoras para nossa dança - à narrativa visual em loopings, voltas e revoltas! globo e glóbulos da morte! adorei! e por isso uma provocação: nós, humanos, demasiado humanos é quem trazemos o vazio ao mundo, para este ser realizado em toda a sua plenitude. e o pós-vazio? o que seria isso? a abstração completa? ou a realização da máxima de douglas adam, "nada é impossível. mas altamente improvável"? hahaha - valeu grande fredé! belezura de obra!" (Amante da Heresia)
Penso
que as máquinas podem criar âncoras na gente (e geralmente é o que acontece em
função do sistema da hiperprodutividade), mas também podem soltar a imaginação.
O problema, assim, talvez esteja nas maneiras como as máquinas estão sendo
usadas e fruídas. A frase de Adams (trazida pelo Amante da Heresia) me fez pensar que entre o impossível e o
improvável há a vida em toda a sua complexidade e possibilidade, e, por isso,
resistência. A vida e suas nuances como a tão clamada resistência, assim como a
arte. E a morte faz parte da vida (e da arte) e nos estapeia a cara
constantemente mostrando que tudo é movimento, tudo muda o tempo todo, num
movimento de des-apropriação de tudo que se coloca como “o que é”. Rastros
in-significantes. Pinceladas de ausência. Como se o vazio fosse entendido
enquanto um meio de afabilidade entre as imagens que passam uma nas outras
constantemente. Imagens aceleradas pelas máquinas. Um desprendimento intenso
entre a ausência e a presença, entre ser e não ser, sem expressar nada em definitivo.
Nada urge, nada se limita, nada se fecha, e ao mesmo tempo tudo se aconchega e
se espelha no fluxo binário delirante. E não adianta querer que as coisas sejam
imoveis e imutáveis…nem na morte elas são. Não temos esse domínio ilusório.
Acha-se que temos o poder de domínio sobre o caos…doce ilusão…é por isso que
penso que cada momento é importante, pq nunca sabemos o que irá acontecer no
momento a seguir. E cada vez presta-se menos atenção aos momentos. Na
possibilidade e na probabilidade de viver está presente muita dor e sofrimento
(utilizados como estratégia de cooptação pela anestesia), mas também afetos,
amor e alegrias presas nos instantes cada vez mais curtos e fugazes aniquilados
pelo hiperfluxo e hipercompetição…instantes mágicos que se diluem sem pausa nas
telas do mundo 24/7…isso é o que me assusta.
De forma geral, o sono é, ainda, uma barreira de
resistência contra o sistema, se estabelecendo como um refúgio anti-consumista.
Quando dormimos não estamos consumindo desvairadamente, nem tampouco sendo
seduzidos diretamente para isso, embora cada vez mais consumimos nosso sono com
telas luminosas que iluminam rostos antes e durante o adormecer. Todavia, o
sono demanda um desligamento da nossa atividade junto aos aparelhos para que
entremos em um estado de inoperância e inatividade. Para haver o sono, deve-se
haver a desconexão da realidade virtual e a imersão na realidade onírica
transcendental do inconsciente. Somos deslocados a um ambiente desprovido de
aquisições materiais. Abandonamos, ao dormir, os cuidados e a dependência de
outrem e acessamos novas modalidades de relacionamento com o tempo, no limiar
entre o natural e o social, pelo imaginário. Em oposição, cada vez mais o
sistema atua nos instituindo uma desfundamentalização do sono e do descanso,
seduzindo-nos por ideais de prazeres que vem em forma de dados vendidos às
empresas pelas redes telemáticas.
Os remédios, as drogas sintéticas, as
tecnologias, as ideias de bem-estar, os divertimentos e até mesmo a arte e
outras possíveis resistências são esvaziadas de sentido como estratégia de
cooptação pelos tentáculos do neoliberalismo, acelerando-nos rumo à
produtividade de forma cada vez mais clara. Talvez seja esse o maior de todos
os pesadelos pensados aqui nessa obra: o horror de não se ter controle sobre
nada, em especial sobre o que se pensa, mostra e sente, imerso em um fluxo
onírico de fragmentação infinita hipercultural.
Na narrativa do universo de MekHanTropia, pelos sonhos, o sistema acessa desejos mais profundos de cada um. O controle psicobinário é instituído alterando o pensamento. O malware h6n66 recodificou aquilo que se chamava de “humano”, criando uma horda demoníaca de zumbis tecnocratas milicianos acríticos. Essa horda foi batizada como “HumanCron” – em homenagem as variantes virais que foram catalogadas na época do “amanhecer mekhantrópico” –, e são lideradas pelo déspota necropolítico conhecido como “Messias Genocida”. A horda tem a incumbência de gerar pesadelos algorítmicos em quem tenta “despertar”. “Succubus” e “Incubus” são demônios nobres dessa horda, a serviço do Genocida. Pelos sonhos, eles sugam a energia vital e prendem os resistentes em seus pesadelos mekhantrópicos.
Ficha Técnica:
Essa obra é parte integrante da tese-criação transmídia “MekHanTropia” de Fredé CF (a.k.a. Frederico Carvalho Felipe), desenvolvida no Doutorado em Arte e Cultura Visual da FAV UFG sob a orientação da Profa. Dra. Rosa Berardo e co-orientação do Prof. Dr. Edgar Franco.
Vídeos, letras, poesias, fotos, narrativas e músicas: Fredé CF
Arte da capa ("Succubus" e “Incubus”): Ciberpajé.
🤘🏽🔥
F.Oak Produções 2022.
Olá! Acompanhe e mergulhe nas impressões, reflexões e percepções sobre o EP "Eu hoje chorei minha morte"e o videoclipe "Resquícios de Carbono e Silício (do lado de dentro)", lançados por Fredé CF no primeiro semestre de 2022.
Os textos abaixo foram escritos espontaneamente por Denise Carvalho, Edgar Franco, Leo Pimentel, Larissa Dias, Raquel Alves e Gazy Andraus (nessa ordem).
Não se esqueça de clicar nos hiperlinks para acessar as obras. Se puder, me mande também suas impressões pelo e-mail fredcfelipe@gmail.com ou pelo Instagram @fredecf Boa fruição!
Denise
Carvalho: Olá
Fredé. Acabei de ler seu texto sobre o novo álbum. Incrível!
Adorei!!! Muita filosofia e com questões reflexivas profundas. Você
está melhor a cada dia, desenvolvendo um conteúdo e linguagem
únicos. Parabéns mesmo. As músicas de
"Eu hoje chorei minha morte", para mim, trazem uma pegada
tipo Zé Ramalho...Uma espécie de mistura
entre mpb-folk-rock-rap-psicodélico-progressivo...
Senti
esse EP
mais musical e
rock'n roll! Simplesmente demais!!! Em
MekHanTropia,
por exemplo, senti
como se você
estivesse
agoniado, com medo, sabe? Neste agora a vibe é bem diferente. Sinto
você
mais
jovem, vivendo aventuras pelo mundo e com sua própria voz (não
sei explicar direito)
mas
me fez mergulhar em um universo paralelo. Seu som bateu como o
Led Zeppelin
ou o
Pink
Floyd bateram
em mim na década de 1970 e 80, mas
organizando uma resistência social e mergulhando conscientemente nas
sombras. Um
rock que vai além do protesto, aponta um rumo e diz: é por aqui!!!
Resistência e Mergulho...é por aqui a saída!!! Muito bom mesmo!
Parabéns de verdade! Olha, em seu aniversário celebramos sua vinda
ao mundo e o dia é seu! Viva o Fred!!!! Mas peço uma licencinha a
você para celebrar junto a maternidade e a mãe que nasceu contigo.
Ouvindo você
hoje
nessa
obra
eu sinto
muito orgulho por ser sua mãe. Muito talento, sensibilidade,
espírito rebelde, visäo política refinada, densidade teórica e
autoconhecimento. Gratidão, filho. O Rock'n Roll não morreu e
acabou de reNascer no nosso
Portal
40... Wow!!!!
Beijos.
Edgar
Franco (a.k.a. Ciberpajé): Tenho
acompanhado com entusiasmo as criações musicais de FREDÉ CF, e a
cada nova obra fico estupefato pela qualidade das múltiplas
atmosferas criadas e da força conceitual de cada faixa/canção. "Eu
hoje chorei minha morte" é o EP mais diverso sonoramente criado
por FREDÉ, nele você encontrará canções de violão e voz como a
INCRÍVEL "In The World of Bones", que parece ter saído de
algum disco perdido de Neil Young com participação especial de Raul
Seixas, a mesma pegada está na intensa "Resquícios de Carbono
e Silício (do lado de dentro)", que fecha com impacto o EP
caminhando para algo minimalista e denso ao final!
Mas
além das canções, a obra investe em inúmeras atmosferas
diferentes que vão do dark ambient às trilhas sonoras de Ficção
Científica
e horror, trazendo muitos trechos em "spoken word" - na
tradição de meu projeto Ciberpajé - com o qual Fredé estabeleceu
instigantes parcerias que muito me honram.
"MekHanTotens
TranZinários" traz a voz "muro das lamentações" de
Gazy Andraus, conhecido musicalmente pelo projeto “Essence”, em
um texto que conecta o conceito de zine à MekHanTropia de Fredé.
"O
Oitavo Passageiro Pós-mekHanTrópico" é uma abissal viagem
sonora com um clima lovecraftiniano e um texto explosivo e visceral
do iconoclasta Amante da Heresia (Léo
Pimentel).
Minha
participação incidental na ummagummiana
"O Acimador/Cani Buiu Mantra" surpreendeu-me pelo que Fredé
criou com meus uivos e sons. O experimentalismo e a verve psicodélica
demarcam o território autoral de Fredé CF, e esse novo EP - que
marca a sua transição de (re)vida ao completar 40 anos de idade -,
é um impressionante ato poético-sonoro que mexe com nossas
entranhas e almas!
Parabéns,
meu querido amigo! Muita saúde e sucesso sempre! E que siga
brindando-nos
com sua arte iconoclasta e necessária!
Sobre
o videoclipe:Mais
uma OBRA de IMPACTO que contribui para a expansão do universo
MekHanTropia criando ramificações sonoro-reflexivas e imagéticas.
A músicalidade traz a
característica de trovador solitário de voz e violão em sua
estrutura básica, somada aos ruídos e sons estranhos criando uma
combinação inusual. As imagens criam uma bela tensão com a letra
cáustica e poética com reflexões necessárias para nossos tempos
sombrios, a participação de Amante da Heresia traz a sua assinatura
visual que somada aos visuais lisérgico-urbanóides
de Fredé CF criam uma nova dimensão. O
videoclipe "Resquícios
de Carbono e Silício" é um chacoalhão na alma! O Ciberpajé
Recomenda!
Léo
Pimentel (a.k.a. Amante da Heresia): sentimos-nos
livres, porém estamos sendo amplamente vigiados. mesmo que em
fragmentos as redes e as rodovias da informação, nos reúnem e nos
pegam de jeito. nos fragmentam e nos recompõem como o teletransporte
faz em jornadas nas estrelas. neste entre espaço conseguimos romper
com o imperativo da transparência? conseguiremos ser opacos?
opacidade como estratégia de resistência? pulverizar nossa
opacidade a cada vez que tentam nos recompor para nos dominar? ser
influencer ou não ser influencer? eis a questão? como escapar da
telecracia sendo um artista audiovisual? ser monstro? sim! foi o que
vi neste videoclipe! fredé entra na máquina de teletransporte, mas
agora na de cronenberg, como o cientista seth brundle (jeff
goldblum), mas não entra só. entramos juntos! ele e eu? hahaha sim!
que honra e alegria a minha de ter sido levado junto! puxado pela mão
como uma criança atentada! e dai saímos fredé e eu voando com uma
única mosca monstra! hahaha valeu grande amigo! parabéns! adorei o
videoclipe e
o EP!
adorei como você
nos fez escapar da transparência telecrática mekhantrópica!
Larissa
Dias: Bom
dia Fredé!!
Tudo bem? Primeiro, te desejo um feliz novo ciclo! Que venham muitas
alegrias, sucesso, coragem, amor e saúde neste novo caminhar! Eu
estou atrasada com 2 trabalhos seus, mas curti demais esse, que parei
para ouvir as 6h da manhã.
Legal
a participação deste pessoal! Adoro essa voz de mestre dos magos do
Gazy Andraus.O
Edgar Franco sempre arrasa e também
o
Amante da Heresia!
Como
sempre gosto muito do andamento das suas músicas e da organização
do EP
como um todo. Tudo ficou muito show com sua voz também!!! Arrasou!
Eu vou ouvir o outro álbum em breve e
depois
eu comento. Sempre vejo luz nos seus trabalhos, em
todos
eles, e também uma
inocência escondida, que todos nós precisamos recuperar para sermos
alma, de verdade.Um
fortíssimo abraço!
Raquel
Alves: 1982,
UM ANO MUITO ESPECIAL: Sexta-
Feira, 26 de Março de 1982. Sob a presidência do último presidente
da ditadura militar, João Figueiredo, o governo de Ary Valadão e a
prefeitura de Índio do Brasil Artiaga Lima, eis que Goiânia ganha
mais um filho: Frederico Carvalho Felipe.Quem
nasceu em um ano de tantos destaques, jamais poderia passar
despercebido em mais uma primavera da vida, ainda mais os 40 anos de
idade, comemorados com o lançamento de um EP incrível: “EU HOJE
CHOREI MINHA MORTE”. Em 1982 fomos agraciados com a efervescência
do rock nacional. Bandas como Legião Urbana, Titãs, Blitz, Ira!,
Capital Inicial, entre outras. Já no âmbito internacional vimos o
surgimento de grandes grupos como A-Ha
e Propaganda. E não é só isso. Neste ano, o Flamengo foi o campeão
brasileiro. Já em Goiás, o Vila Nova conquistou seu 10° título
estadual (até que enfim!).Tivemos também a copa do mundo, realizada
na Espanha, onde não tivemos tanta sorte, pois fomos
desclassificados pela Itália, mas a seleção foi eternizada como
uma das melhores de todos os tempos. Na telinha, os brasileiros se
emocionavam ao assistir às novelas “O HOMEM PROIBIDO E SOL DE
VERÃO” (Inclusive eu tenho esse vinil), ambas da rede globo. Nas
telonas, o filme que arrastava o público para o cinema era
“Carruagens de fogo” e foi o ganhador do Oscar. Melhor Ator:
Henry Fonda. Melhor atriz: Katharine Hepburn. Em nossas rádios, só
sucessos. Tivemos a explosão da maravilhosa “Você não soube me
amar”, da Blitz. Ouvíamos com encantamento a maravilhosa “Should
I Stay Or Should I Go” do The Clash, “Down Under” do Men At
Work, “Just I Can't Enough” do Depeche Mode, Stevie Wonder e Paul
McCartney com “Ebony and Ivory”, Djavan com “Samurai”, Lulu
Santos e seus “Tempos Modernos”, Rita Lee e as maravilhosas
“Banho de Espuma” e “Flagra”, Alceu Valença e sua “Morena
Tropicana”, Dalto e o megassucesso “Muito Estranho”, Marcos
Sabino com “Reluz”, 14 Bis e “nossa linda juventude”...Tanta
coisa boa, né?! Eita! 1982 foi um ano marcante, histórico e
surpreendente. De acordo com o site playback FM a música mais tocada
no dia 26 de março de 1982, dia de nascimento de Fredé CF, foi “I
Love Rock'n’Roll” de Joan Jett and The Blackhearts. Não é todo
mundo que tem a honra de nascer ao som deste hino dos amantes do
rock! O moço que nasceu com talento nas veias, veio ao mundo para
expandir todo o seu brilho a todos que o rodeiam.
VAMOS
AGORA COM A RESENHA:
Aniversariar
é uma grande dádiva da vida, onde as esperanças se renovam e as
oportunidades de se libertar para se permitir vivenciar novas
experiências é um processo fascinante na vida de qualquer
indivíduo.
“Eu
hoje chorei minha morte” é um verdadeiro presente de aniversário!
E
ao desembrulhar esse presente, FREDÉ CF se deparou com muitas
surpresas, que revelam a vontade incessante de renascer. Virar a
página da vida. Neutralizar as dores. Desapegar. Um processo
pessoal, criativo e espiritual que se transforma por meio da finitude
de certas demandas, obrigações, sensações e relações que
precisam sair de cena para que o novo possa surgir.
O
álbum se volta para esse renascimento pessoal que o 40° aniversário
proporciona. Um mergulho interno de uma forma analítica, ficcional e
minimalista. O resultado é um profundo resgate da alma, da mente e
dos prazeres para serem apreciados e vivenciados de maneira infinita.
A razão mesclada com a emoção. O eu-lírico arrebatador como
resposta a tudo que o cerca. O poder de usufruir, aproveitar, se
deleitar com tudo que o futuro lhe reserva aliado a essa virada de
chave junto ao encontro de um novo ciclo.
Letras
futuristas, viscerais, intensas e com uma altíssima dosagem de
afeto. A força de um ariano aqui representada por uma leitura
musical que traduz a personalidade de Fredé CF. A descoberta de um
novo momento, impulsionado pelo renascimento sob um perfil
humanístico e poético que será também histórico e
consequentemente, cultural.
Você está preparado para o que
está por vir? Eu estou, e te convido a desfrutar desse presente e
comemorar junto com FREDÉ CF a chegada desse novo ciclo. Vamos
lá?
Faixa 1 - SCIENTER (PS&Co ATAQ): As comemorações
começam por aqui. Nesta festa do recomeço, que muito me lembrou
Kraftwerk pela sua tão peculiar sonoridade, vem acompanhado de uma
trilha sonora embalada por uma voz cavernosa e robotizada, se alia a
barulhos de sirenes, onde acordes de violão se fundem com sons
experimentais. Frases desconexas criam em minha mente um fabuloso e
curioso universo ficcional, através de uma releitura de PS&Co.
Ataq onde o passado vem à tona com uma nova roupagem. Com ares de
modernidade e renovação. Uma atmosfera robótica que impressiona ao
mergulhar em cada verso, onde se contempla hipnotizado cada mutação
física, psíquica e transcendental presente nesta letra. A
genialidade criativa dessa música é de tirar o fôlego!
Faixa
2 - Tá na hora de cantar os parabéns! MEKHANTOTENS TRANZINÁRIOS
(FEAT. GAZY ANDRAUS): Com a participação do professor e pesquisador
Gazy Andraus, parabenizo vocês pela maravilhosa faixa 02 do álbum
que pode ser chamada de música ou de maravilha poética! É uma aula
de interpretação da representação da mente e dos comportamentos
humanos nos aspectos analíticos e cognitivos, com interrogações
que permeiam o nosso subconsciente sobre o que é real e virtual. E
esse silêncio não nos permite decifrar os códigos impenetráveis
de nossas vidas que muitos querem desvendar e não conseguem
adentrar. O renascer que alivia as dores da alma. O verso: "É
no silêncio que a alma se recupera" é uma das frases mais
belas que já li em toda minha vida. É ou não é lindo, gente?
Faixa
3 - A cereja do bolo está aqui! MEKHANTROPOMORFIZAÇÃO: A faixa 03
desse álbum é um grandioso manifesto artístico referente ao nome
do álbum: EU HOJE CHOREI MINHA MORTE. Fala das despedidas, dos
encerramentos dos ciclos, dos momentos, dos sonhos. Um relato de dor
aliado a doces lembranças. Também expressa a dificuldade de exercer
o desapego. Entender o que não faz mais sentido. Aceitar o que não
é mais presente, entender o que é permanente, descartar o que já
não se sente. A explosão vital aliado a força poética é tão
forte nesta faixa que chega emociona. Faixa 4 - E o
primeiro pedaço vai para? O OITAVO PASSAGEIRO PÓS-MEKANTRÓPICO
(FEAT. AMANTE DA HERESIA): Alguém pode me explicar o que é essa
música? Uma pegada dark, instigante e encantadora do início ao fim.
Quanta beleza poética, minha gente! A voz cavernosa associada a uma
letra linda que transita entre
a beleza de um amanhecer, envolto
por uma procura incessante de preencher um vazio. Tentando encontrar
um sentido para adentrar em si mesmo. A psicodelia vital que pode
deixar de ser preto e branco e se tornar colorida. Ainda nem me
recuperei da frase de MekHantotens Tranzinários e me deparo com
outra frase sobre silêncio: "Silêncio sem Tédio". Essa
frase me traz diversas interpretações, onde o meu consciente ou
subconsciente não tem limites para decifrá-la. Me permitem ser a
nona passageira desse delírio musical?
Faixa
5 - Assoprando as velinhas com IN THE WORDS OF BONES: Melancólica,
com acordes suaves, a faixa 05, cantada toda em inglês, traduz
literalmente, a dor das complexidades humanas. Da importância que
damos, mais as coisas supérfluas do que a própria vida. Dos ciclos,
da finitude das coisas, da desesperança em meio a tristeza
emocional, ocasionada pela paranóica e obsessiva ideia de que viver
é sempre correr riscos.
Faixa
6 - Recebendo os cumprimentos por O ACIMADOR/CANI BUIU MANTRA (FEAT
CIBERPAJÉ): A faixa 06 deste álbum conta com a participação do
professor e pesquisador Edgar Franco. Me sinto completamente
envolvida por essa canção. Minha mente vagueia por um universo
cósmico, singular, noturno, mágico, transcendental, embalados por
uivos, instrumentos mágicos, uma sonoridade que tranquiliza e
inebria. A obscuridade se transforma em um bálsamo que acalenta a
alma e o espírito.
Faixa
7 – Adivinha quem apareceu no final da festa? RESQUÍCIO DE CARBONO
E SILÍCIO(Do lado de dentro): A baladinha que chega para encerrar a
festa em grande estilo. A faixa 07 tem acordes de rock, que muito me
lembrou Dire Straits, nos trazem à tona as nossas próprias dúvidas
através de mensagens subliminares que teimam em ir de encontro com
nossas certezas. Uma imersão nas profundezas do autoconhecimento que
se revelam no silêncio do ser. Uau!
Que
mergulho fantástico nessa obra! Me emocionei em meio ao contato com
todo esse processo criativo. No contexto fantasioso do aniversário,
apaguei as velinhas depois de ter cortado o bolo (risos). Mas o
importante era curtir a festa. Como a faixa 5 era mais melancólica,
achei que o apagar das velinhas só se encaixava nesta faixa, por
esse motivo, a ação ficou inversa. O álbum tem um excelente
repertório. As músicas com a pegada mais rock do álbum são muito
bacanas e acredito que as escolhas tiveram um "dedinho" de
Joan Jett, afinal, a paixão pelo rock acompanha Fredé desde o
primeiro dia de nascido.
Por
fim, irei escolher a minha favorita, que é o “Oitavo passageiro
pós-mekHanTrópico” (feat. Amante da Heresia). A voz cavernosa com
uma letra lindíssima fez com que ela se tornasse a minha queridinha
desse EP. E ainda tem a frase “o silêncio sem tédio”, que
sempre me impressiona e muito. Fico imaginando o que podemos fazer
para que o silêncio não seja tedioso. Dormir? Talvez. Mas fiquei
com essa frase na minha cabeça e fico refletindo tanta coisa...esse
álbum tem um viés diferente proporcionado por esse renascimento.
Gazy
Andraus:Participo
(da
faixa 2)
deste EP
incrível do criativo Fredé
CF!
Fico contente com este trabalho e rápida parceria (que também foi
feita numa Narrativa Visual Poética de meu Artezine Expandido).
Parabénsao
autor. Ouçam!